5 edifícios-árvores que levam a natureza para o meio de grandes cidades pelo mundo

O contato com a natureza é cada vez mais valorizado nas grandes cidades. Além de criar áreas verdes comuns, alguns escritórios de arquitetura têm inovado ao fazer da vegetação parte integrante dos prédios que projetam.

Em cada andar, plantas e árvores se sobressaem nas fachadas, transformando a ideia estéril que se tem dos edifícios modernos. Confira abaixo cinco construções que surpreendem, encantam e levantam a bandeira da sustentabilidade.

1. Bosco Verticale (Milão, na Itália)

Devido à criação do microclima a partir da vegetação inserida na fachada, o Bosco Verticale também reduz a necessidade de consumo de energia relacionado ao aquecimento e resfriamento — Foto: Dimitar Harizanov/Divulgação
Devido à criação do microclima a partir da vegetação inserida na fachada, o Bosco Verticale também reduz a necessidade de consumo de energia relacionado ao aquecimento e resfriamento — Foto: Dimitar Harizanov/Divulgação

Com mais de uma década de existência, o Bosco Verticale segue como o mais famoso edifício-árvore do mundo. O complexo de dois prédios residenciais, projetados pelo escritório Stefano Boeri Architetti, do arquiteto italiano Stefano Boeri, é considerado o primeiro exemplo de floresta vertical do planeta.

O Bosco Verticale promoveu impactos significativos no entorno, como conversão de CO2 em oxigênio, sombreamento aos moradores, neutralização do efeito da ilha de calor e filtração do ar, entre outros — Foto: Dimitar Harizanov/Divulgação
O Bosco Verticale promoveu impactos significativos no entorno, como conversão de CO2 em oxigênio, sombreamento aos moradores, neutralização do efeito da ilha de calor e filtração do ar, entre outros — Foto: Dimitar Harizanov/Divulgação

Nas fachadas foram plantadas 800 árvores (480 de porte médio e grande e 300 de porte pequeno), além de 15 mil plantas perenes ou de cobertura de solo e 5 mil arbustos. Isso equivale a cerca de dois hectares de floresta, contribuindo para aumentar a biodiversidade local, neutralizar os efeito das ilhas de calor e filtrar o denso ar urbano.

2. One Central Park (Sidney, na Austrália)

O One Central Park, em Sidney, na Austrália, tem plantas que cobrem 50% das fachadas das duas torres — Foto: Ateliers Jean Nouvel/Divulgação
O One Central Park, em Sidney, na Austrália, tem plantas que cobrem 50% das fachadas das duas torres — Foto: Ateliers Jean Nouvel/Divulgação

Aproximadamente 250 espécies de flores e plantas australianas formam a composição da fachada do complexo em Sidney, também chamado de Frasers Broadway. Finalizadas em 2014, as duas torres projetadas pelo arquiteto francês Jean Nouvel abrigam apartamentos residenciais e áreas comerciais.

O paisagismo vertical foi desenvolvido em parceria com o botânico e artista francês Patrick Blanc e cobre cerca de 50% da fachada. A vegetação estende para o alto, criando um ícone verde no horizonte da cidade.

O paisagismo vertical do One Central Park foi desenvolvido pelo botânico francês Patrick Blanc — Foto: Sardaka/Wikimedia Commons
O paisagismo vertical do One Central Park foi desenvolvido pelo botânico francês Patrick Blanc — Foto: Sardaka/Wikimedia Commons

“As plantas atuam como dispositivo natural de controle solar que muda com as estações do ano, protegendo os apartamentos da luz solar direta durante o verão e permitindo a entrada máxima de luz solar no inverno”, destacou Jean.

Um conjunto de espelhos motorizados captura a luz do sol e dirige os raios para baixo, aos jardins do Central Park de Sidney. À noite, a estrutura funciona como uma tela para a instalação de arte de LED criada pelo artista francês Yann Kersalé.

3. 25 Green (Turin, na Itália)

O edifício 25 Green, em Turin, na Itália, traz uma fachada orgânica que simula galhos de árvores e vasos de plantas — Foto: Luciano Pia/Divulgação
O edifício 25 Green, em Turin, na Itália, traz uma fachada orgânica que simula galhos de árvores e vasos de plantas — Foto: Luciano Pia/Divulgação

Com projeto do arquiteto italiano Luciano Pia, o edifício, entregue em 2022, foi pensado como uma floresta viva e inspirado em uma casa na árvore. Os terraços são cobertos por 150 árvores de troncos altos e 50 árvores menores foram plantadas no jardim do pátio. Juntas, elas produzem oxigênio, reduzem a poluição do ar e protegem de ruídos.

O edifício 25 Green tem amplos terraços de formas irregulares que circundam as árvores — Foto: Flickr/Fred Romero/Creative Commons
O edifício 25 Green tem amplos terraços de formas irregulares que circundam as árvores — Foto: Flickr/Fred Romero/Creative Commons

As ripas de madeira maciça que revestem os terraços filtram a luz do sol no verão, enquanto no inverno deixam a luz penetrar nos interiores. O lambri é feito de telhas de lariço, e as estruturas metálicas assemelham-se a árvores e “crescem” do térreo até o telhado.

O projeto conta com 63 unidades residenciais, todas diferentes entre si, com amplos terraços de formas irregulares que circundam as árvores. O último andar é coberto por telhados verdes privativos. Grandes vasos nos terraços, jardins nos pátios, muros verdes e jardins suspensos em frente aos lofts compõem a diversificada vegetação.

4. Easyhome Vertical Forest (Huanggang, na China)

O Easyhome Vertical Forest, em Huanggang, na China, tem 400 árvores e 4.600 arbustos na fachada — Foto: Stefano Boeri Architetti/Divulgação
O Easyhome Vertical Forest, em Huanggang, na China, tem 400 árvores e 4.600 arbustos na fachada — Foto: Stefano Boeri Architetti/Divulgação

O complexo, entregue em 2021, foi projetado pelo escritório Stefano Boeri Architetti, o mesmo do Bosco Verticale. As duas torres residenciais intercalam varandas abertas e galerias fechadas, dando a sensação de movimento à construção.

São cerca de 400 árvores dispostas nas fachadas, além de 4.600 arbustos e 2.408 m² de plantas perenes, flores e trepadeiras. As espécies foram selecionadas por uma equipe de especialistas e botânicos dentre as mais adequadas para plantio em vasos e elevações.

O arranjo irregular das varandas foi projetado para permitir que as copas das árvores se encaixem no desenho da fachada. No total, a área verde do complexo absorve 22 toneladas de CO₂ e produz 11 toneladas de oxigênio por ano.

“Como em outros projetos de florestas verticais ao redor do mundo, um dos principais objetivos é justamente a integração entre arquitetura e natureza viva, o que transforma a vegetação em um elemento essencial, e não meramente ornamental”, descreveu o arquiteto Stefano.

5. Villa M (Paris, na França)

O edifício Villa M, em Paris, na França, apresenta micro jardins suspensos em toda a fachada — Foto: Triptyque Architecture/Divulgação
O edifício Villa M, em Paris, na França, apresenta micro jardins suspensos em toda a fachada — Foto: Triptyque Architecture/Divulgação

O edifício de uso misto, assinado pelo escritório brasileiro Triptyque Arquitetura, traz micro jardins suspensos na fachada, alinhados com vidros de altura total. Inaugurado em 2021 no bairro de Montparnasse, em Paris, foi pensado para ser uma construção orgânica, que apoia a biodiversidade urbana e contribui com a sustentabilidade.

O projeto apresenta uma enorme tela metálica na fachada, que funciona como suporte para o jardim vertical de plantas herbáceas medicinais, árvores frutíferas e espécies perenes de médio e grande porte. O paisagismo é assinado por Pablo Georgieff, do escritório francês Coloco.

O prédio é um centro multifuncional, com interiores projetados pelo arquiteto francês Philippe Starck. Há um hotel, um centro de saúde, quartos de estudantes, um restaurante, um bar, uma área de conferências e um coworking.

expresso.arq com informações de Ana Sachs

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