Iluminação acolhedora: dicas de especialistas para deixar a casa gostosa
A iluminação vai muito além de uma questão estética – ela tem o poder de transformar a atmosfera de um ambiente, impactando diretamente na sensação de conforto e funcionalidade. Quando bem planejada, ela pode transformar a percepção de espaço, afetando diretamente no humor, conforto e até mesmo na sensação de amplitude do cômodo. Por outro lado, uma iluminação inadequada pode tornar os espaços frios e impessoais, afetando seu uso diário.
Mas como criar a sensação de acolhimento com a luz certa? Desde luzes quentes até abajures e luminárias que criam pontos focais e texturas, existem inúmeras maneiras de tornar os ambientes mais convidativos. A escolha das lâmpadas e o posicionamento das luminárias também pode influenciar diretamente na sensação de acolhimento. Além disso, com a tecnologia atual, é possível controlar a intensidade e a temperatura das lâmpadas, adaptando a iluminação ao longo do dia para proporcionar o máximo de conforto dentro de casa.
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Por onde começar?
O ideal é sempre iniciar pelas necessidades do espaço, entendendo como ele será usado e quem vai ocupá-lo. A partir desse ponto, é possível decidir quais tipos de luz e elementos serão utilizados. “Uma recomendação é trabalhar em camadas, ou seja, combinando diferentes tipos de iluminação (geral, tarefa e ambiente) para criar profundidade e interesse”, conta a arquiteta Ticiane Lima em entrevista à Casa Vogue. Além disso, para conceber uma atmosfera convidativa e acolhedora, é preciso escolher a temperatura certa para a luz, com as de cores mais quentes (2700K a 3000K).
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Como diferentes temperaturas de cor influenciam na sensação de aconchego em um ambiente?
A temperatura de cor da iluminação é um fator crucial na criação de ambientes, seja para o conforto ou para criar espaços mais energizantes. “A luz fria, geralmente acima de 6000K, é mais indicada para ambientes que requerem um foco maior. Ela contribui para a concentração e produtividade, e são mais indicadas para ambientes que requerem esse tipo de atenção”, afirmam as arquitetas Thais Bontempi e Mirella Fochi, do escritório de arquitetura Conectarq. Já a luz neutra, em torno de 4000K, também traz essa intensidade da luz fria, porém com uma tonalidade menos azulada, e com um tom similar ao da luz do dia.
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Porém, quando falamos de ambientes confortáveis, nenhuma dessas luzes irão deixá-lo aconchegante. “A luz quente (amarelada), geralmente entre 2700K e 3000K, cria uma atmosfera confortável e gostosa. É frequentemente associada a ambientes como salas de estar e quartos, pois evoca a sensação de intimidade e relaxamento. Além de que, a luz amarelada pode ajudar a diminuir o estresse e promover a socialização”, aponta a arquiteta Daniela Funari.
Quais tipos de fontes de luz são mais indicadas para criar uma atmosfera acolhedora em cada cômodo da casa?
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Para trazer aconchego em salas de estar e quartos, as luzes indiretas são as maiores aliadas. “Na sala de estar, eu indico as luminárias de piso ou mesa com lâmpadas quentes para criar um ambiente relaxante. Trabalhar com fitas de LED em prateleiras ou atrás de móveis também é interessante para proporcionar uma iluminação suave e convidativa”, aconselha Ticiane. “Já no quarto, utilize abajures de cabeceira ou lâmpadas dimerizáveis para ajustar a intensidade”, complementa ela.
Nas cozinhas, o uso de um pendente sobre a ilha ou sob a mesa de jantar pode criar um ponto focal interessante ao escolher as lâmpadas quentes para um efeito acolhedor. Já em banheiros, há a possibilidade de trabalhar com a luz indireta, através de um plafon ou fita de LED no teto para adicionar uma iluminação suave. E no hall de entrada, um pendente aconchegante é perfeito para dar as boas-vindas aos visitantes, criando uma atmosfera agradável. “Para todos esses cômodos, é possível aplicar uma iluminação técnica e difusa para distribuir a luz por todo o espaço. Além de criar cenas com sancas iluminadas e LEDs embutidos na marcenaria para quando o objetivo é proporcionar mais acolhimento”, dizem as arquitetas do escritório Conectarq.
Existe uma ‘regra’ sobre a disposição das luzes para tornar o espaço mais confortável?
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De acordo com Daniela Funari, cada ambiente deve ter um cuidado especial na hora de projetar suas luzes. “Por exemplo, no quarto, a luz não deve ficar direcionada na cabeça de quem está deitado. Na sala, evite luzes que criem sombras na área da TV, pois pode atrapalhar no momento de ver filmes e séries”, fala ela. O ideal é sempre pensar em uma luz funcional, que direcione o caminho, que demarque uma passagem e ter em mente como ela vai deixar o ambiente em questão mais gostoso, útil e funcional. Outra dica é não utilizar somente luminárias de teto e também trabalhar com composições de diferentes luminárias, como as de piso e de mesa.
De que maneira a iluminação indireta contribui para um ambiente mais aconchegante?
A iluminação indireta dispersa a luz de maneira mais uniforme, evitando sombras duras e criando um brilho suave que é mais agradável aos olhos, proporcionando uma sensação de calma e conforto. “Isso acontece porque a luz suave e difusa tem um efeito relaxante, tornando os espaços, como áreas de descanso, mais convidativos e relaxantes”, afirma Ticiane Lima. Além disso, a iluminação indireta pode ajudar a definir diferentes áreas dentro de um ambiente, como espaços de leitura.
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Qual é a importância da iluminação natural no planejamento de um ambiente acolhedor e como integrá-la à iluminação artificial?
A importância da luz natural em um ambiente é muito mais do que apenas economizar energia elétrica. “A iluminação natural é crucial para a saúde e o bem-estar, além de ter um papel importante na regulação do nosso ritmo circadiano. Por isso, a luz artificial deve ser projetada para complementar a luz natural, proporcionando uma transição suave entre os momentos de abundância e escassez de luz”, contam Thais Bontempi e Mirella Fochi.
Porém, equilibrar as duas iluminações é um dos grandes desafios. “Uma das formas de integrar as luzes é instalar sensores de luz e sistemas de dimerização para ajustar automaticamente a intensidade e temperatura da luz artificial, complementando a luz natural em dias nublados ou durante a noite, a fim de manter a qualidade luminosa dos espaços, garantindo o conforto visual”, aponta Ticiane.
Erros mais comuns e como evitá-los
Uma iluminação boa e acolhedora muitas vezes pode ser confundida com uma iluminação muito carregada de pontos de luz direta no teto. “Essa situação cria um ambiente sem profundidade, e elimina a possibilidade de sombras e contrastes que trazem personalidade e vida para o ambiente”, comentam as arquitetas Thais Bontempi e Mirella Fochi. Outro grande erro é não contratar um profissional para criar um projeto luminotécnico dos ambientes e escolher apenas qual a luminária mais bonita e distribuir as peças sem critério algum. “É necessário ter um projeto de luz detalhado, para saber quais papéis que a iluminação cumprirá e como eleger peças que combinem com o estilo da arquitetura proposta”, adiciona Daniela Funari.
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Por fim, segundo a arquiteta Ticiane Lima, confiar apenas em uma única fonte de luz é um equívoco, pois isso pode deixar o ambiente monótono. “Por isso, a iluminação em camadas (luz geral, de tarefa e de destaque) ajuda a criar profundidade e dar conforto ao cômodo. Além disso, colocar luminárias de forma desigual ou em posições que criam sombras indesejadas pode comprometer o conforto visual”, finaliza ela.
expresso.arq com informações de Maria Mesquita


