Escassez de arroz no Japão piora com clima adverso e turistas famintos por sushi
O Japão está enfrentando a maior escassez de arroz em décadas, e sua culinária, famosa por pratos como sushi, onigiri e yakitori, está comprometida.
A combinação de condições climáticas adversas e o aumento no número de turistas tem gerado uma crise no abastecimento desse alimento essencial para os japoneses.
A demanda superou a produção nos últimos três anos, fazendo com que os estoques chegassem ao nível mais baixo em mais de 20 anos.
Além disso, os consumidores começaram a estocar arroz em preparação para a temporada de tufões e um alerta de grande terremoto, segundo a CNBC.
O preço do arroz atingiu 16.133 ienes (R$ 611) por 60 kg no mês passado, um aumento de 3% em relação ao mês anterior e de 5% desde o início do ano.
Os estoques privados de arroz no Japão estavam em 1,56 milhão de toneladas em junho, o menor nível em anos, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pescas.
Em agosto, muitos supermercados relataram falta de arroz branco, limitando as compras a um saco por pessoa.
A mídia local atribuiu parte da escassez ao aumento da demanda impulsionada pelo turismo, que elevou o consumo de sushi e outros pratos à base de arroz.
Estima-se que o consumo de arroz por turistas aumentou de 19.000 toneladas entre julho de 2022 e junho de 2023 para 51.000 toneladas entre julho de 2023 e junho de 2024, conforme análise do banco Rabobank.
Apesar do aumento, esse consumo ainda é relativamente pequeno em comparação ao consumo doméstico anual do Japão, que ultrapassa 7 milhões de toneladas.
O Japão recebeu um recorde de 17,8 milhões de visitantes no primeiro semestre do ano, superando os níveis pré-pandemia.
Essa tendência continuou com 3,3 milhões de turistas em julho, o maior número já registrado, segundo as estatísticas de turismo do Japão.
A produção de arroz de mesa no país também tem diminuído devido à aposentadoria de agricultores mais velhos e à falta de jovens dispostos a entrar na profissão.
Além disso, uma série de ondas de calor e secas no segundo semestre do ano passado comprometeram as colheitas, conforme afirmou o analista do Rabobank, Oscar Tjakra, à CNBC.
Embora as colheitas menores e o apetite dos estrangeiros por sushi contribuam para a escassez, as políticas de arroz do Japão são o principal fator subjacente para a queda no suprimento geral, de acordo com o portal americano.
O Japão impõe uma tarifa de 778% sobre o arroz importado para proteger seus agricultores.
Embora o país esteja comprometido a importar cerca de 682.000 toneladas de arroz por ano, a maior parte é destinada ao processamento e ração animal, não ao consumo direto.
A parte destinada às exportações também tem aumentado, segundo Tjakra, alcançando 30 mil toneladas — uma alta de seis vezes em oito anos, até 2022.
Se essa tendência continuar, será mais fácil para os turistas comerem sushi fora do Japão do que no próprio país.
expresso.arq com i8nformações InfoMoney


