As medidas efetivas para evitar queimadas, propositais ou não
O número de focos de queimadas no mês de agosto de 2024 no Brasil é o maior desde 2010, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Com um prolongado período de seca, os incêndios acometeram diferentes regiões do Brasil, como a Amazônia, Pantanal e interior de São Paulo. As cinzas chegaram até a se espalhar pelas cidades vizinhas às atingidas, sendo importante evitar que os casos se iniciem e prolonguem.
“O inverno é um período mais seco, que agrava o grau de flamabilidade do ambiente, ou seja, a resistência ao fogo”, conta Kenny Tanizaki Fonseca, professor do departamento de Análise Geoambiental da Universidade Federal Fluminense (UFF).
A baixa umidade cria um ambiente propício às queimadas, mas é a ação humana que, na maior parte dos casos, desencadeia o fogo. Os incêndios no interior de São Paulo que ocorreram entre 22 e 24 de agosto, por exemplo, tiveram 99,9% dos casos relacionados à ação humana, segundo a Defesa Civil.
O período que propicia esses incêndios tende a se intensificar com as mudanças climáticas. “O aquecimento da atmosfera causa chuvas intensas, porém, de curta duração. Isso leva a estiagens mais prolongadas”, explica Marco Moraes, geólogo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e autor do livro Planeta Hostil, publicado pela Matrix Editora.
O aumento da temperatura durante o período de seca também favorece os incêndios – característica que é, ainda, afetada pelos eventos climáticos.
Medidas para evitar e combater as queimadas
A principal maneira de evitar as queimadas é não criar focos de incêndio propositais ou acidentais, que são desencadeados, por exemplo:
- limpa de áreas agropecuárias para renovação da pastagem;
- ações criminais, podendo ser organizadas entre si;
- queima de lixo;
- descarte inadequado de guimbas de cigarro;
- focos de fogo de fogueiras feitas por caçadores que pernoitam em áreas rurais.
“É possível que a queimada ocorra de forma natural com descargas elétricas, mas isso não causaria incêndios da proporção que estamos vendo”, complementa Pedro Luiz Côrtes, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP).
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Outra prevenção importante é o aumento do monitoramento e fiscalização dessas ações. “O satélite não tem capacidade de pegar o foco bem no início, mas consegue identificar um que ainda pode ser debelado”, diz Pedro. No entanto, o número de brigadistas nem sempre é o suficiente – o que torna a ação para apagar o fogo mais lenta e facilita que se alastre.
Depois que o fogo se difundiu, uma estratégia, conforme Marco, é a criação de aceiros – faixas de terreno sem vegetação que servem como barreira para o fogo. Os especialistas ainda destacam a importância de investigar as ações criminosas e definir punições.
A recorrência de incêndios em uma mesma área também podem piorar os focos. “A parte que morre após uma queimada se transforma em um combustível que acelera a propagação”, conta Kenny. Cultivar plantas resistentes ao fogo também poderia ser uma opção – mas a medida demanda muito dinheiro e tempo.
Um procedimento interessante nesses casos, segundo o especialista, seria proibir o uso de áreas que já foram queimadas. Isso diminuiria as chances de novos focos – em especial, os criados em contextos da agricultura.
A longo prazo, os entrevistados reforçam a necessidade de educação ambiental. “Com as mudanças climáticas, a ocorrência dos incêndios aumentarão muito e é obrigação de toda sociedade zelar pelo meio ambiente”, aponta Kenny. “Conscientizar as pessoas de que atitudes que antes não tinham muita consequência, hoje, transformam-se em tragédias”, complementa Marco.
expresso.arq com informações de Bianca Camatta, com Alex Alcantara


