Casas latino-americanas que usam como matérias-primas elementos encontrados no próprio solo

Organizar, enquadrar, empilhar.

Transformar a matéria-prima bruta que surge do solo em arquitetura.

Esse é um desafio que muitos arquitetos latino-americanos se propõem a enfrentar, mostrando que a escassez é desafiadora, mas também um prato cheio para liberar a criatividade.

O uso de materiais extraídos do próprio solo tem um objetivo duplo.

Do ponto de vista econômico, nos países ou regiões onde a industrialização ocorreu com intensidade reduzida, essa prática faz sentido por conta dos altos custos de materiais industrializados – como concreto e aço – que geralmente precisam vir de longe.

Já no âmbito ecológico, a preocupação ambiental em um projeto começa na escolha dos materiais, e priorizar os encontrados localmente diminui deslocamentos e emissões de gás carbônico.

Ao abordar o contexto latino-americano, a ideia de trabalhar com o que está disponível no próprio solo não limita ou fragiliza a arquitetura, muito pelo contrário, se materializa em projetos complexos e refinados que empregam de maneira inovadora os recursos primários, reafirmando que é possível fazer muito com pouco.

Nas inúmeras variações topográficas e geológicas da região, dois materiais naturais se destacam pelo uso recorrente e criativo nos projetos residenciais: a pedra e a terra. Implodidas em pedacinhos ou retiradas de escavações essas matérias-primas ancestrais não apenas comunicam a beleza de sua coloração e textura únicas, como também representam histórias e movimentos que geraram a própria natureza.

Casa em Cunha / Arquipélago Arquitetos. © Federico Cairoli

Os projetos selecionados abaixo demostram a potencialidade do solo sobre o qual a edificação será inserida.

Assim como estudamos os ventos, a insolação e o entorno dos terrenos, essas casas nos convidam a estarmos atentos também às suas características geológicas, mostrando como a utilização dos materiais pré-existentes pode gerar arquiteturas arrojadas que respondem ao contexto e remodelam a narrativa arquitetônica da região.

Pedra

A América Latina possui uma rica tradição de construções em pedra que remonta a civilizações antigas e persiste até os dias atuais.

Em áreas onde a pedra é abundante, como regiões montanhosas ou vulcânicas, esse material se torna um elemento construtivo de grande potencial estando presente em diferentes etapas, como em concretos, paredes, muros e revestimentos.

A grande variedade de pedras existentes nessa região, desde as vulcânicas até calcário, arenito, basalto, entre outros, reflete as características geológicas e culturais específicas de cada localidade, garantindo ao material sua capacidade de contar histórias, refletir o contexto, ao mesmo tempo em que acompanha os avanços construtivos.

Casa Pedra / Taller Gabriela Carrillo

  • Localização: Acapulco de Juárez, México
  • Ano: 2020
Casa Pedra / Taller Gabriela Carrillo. © Rafael Gamo

Intervenção La Peña / MÉTODO

  • Localização: Valle de Bravo, México
  • Ano: 2015

Casa Piaba / Lajedo Arquitetura + Leon Ades

  • Localização: Igatu, Brasil
  • Ano: 2023
Casa Piaba / Lajedo Arquitetura + Leon Ades © Pedro kok

Recanto do escritor / Architectare

  • Localização: Petrópolis, Brasil
  • Ano: 2015
Recanto do escritor / Architectare © Leonardo Finotti

Casa Chontay / Marina Vella Arquitectos

  • Localização: Antioquia, Peru
  • Ano: 2014
Casa Chontay / Marina Vella Arquitectos. © Gonzalo Cáceres Dancuart

Terra

Assim como a pedra, a arquitetura em terra na América Latina tem sido uma prática comum ao longo de séculos, influenciada pelas tradições indígenas pré-colombianas e, posteriormente, pelas técnicas trazidas pelos colonizadores europeus.

No entanto, se antes as arquiteturas em terra eram equivocadamente consideradas frágeis e perecíveis, hoje elas têm ganhado cada vez mais espaço.

No contexto latino-americano, as técnicas construtivas mais populares variam entre a taipa de pilão, adobe e cob, com vários projetos utilizando a terra gerada na própria escavação do terreno, algo que muitas vezes pode ser considerado resíduo.

Casa em Cunha / Arquipélago Arquitetos

  • Localização: Cunha, Brasil
  • Ano: 2019
Casa em Cunha / Arquipélago Arquitetos. © Federico Cairoli

Panal, Condomínio regenerativo sustentável / AYMA Arquitectura y Medio Ambiente LTDA.

  • Localização: Santiago, Chile
  • Ano: 2019

Casa Tierra / Serrano Monjaraz Arquitectos

  • Localização: Cidade do México, México
  • Ano: 2012
Casa Tierra / Serrano Monjaraz Arquitectos. © Pedro Hiriart

Casa Terra / TAY Arquitetura Ecológica

  • Localização: Brasília, Brasil
  • Ano: 2020
Casa Terra / TAY Arquitetura Ecológica. © Maurício Araújo

Casa Jardim / Al Borde

  • Localização: Quito, Equador
  • Ano: 2020
Casa Jardim / Al Borde. © JAG Studio

expresso.arq sobre artigo de  Camilla Ghisleni

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.
Ops! Captcha inválido, por favor verifique se o captcha está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.