Cafeína faz bem ou mal à saúde? Entenda o que diz a ciência!

Cerca de 97% dos brasileiros consomem café ao acordar, segundo a pesquisa Evolução dos Hábitos e Preferências dos Consumidores de Café no Brasil divulgada em 2023. Enquanto isso, a produção de energéticos no país cresceu mais de 130% em 10 anos, conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas.

Ambas as bebidas possuem cafeína e são conhecidas por serem estimulantes. Para além desse efeito, a substância também pode ser associada a processos anti-inflamatórios, prevenção de doenças neurodegenerativas e insônia.

No entanto, os benefícios e malefícios ainda geram discordância entre os pesquisadores. O efeito da substância varia conforme a sensibilidade de cada pessoa, a dose ingerida e a frequência com que a cafeína é consumida.

“Quando pensamos na cafeína e na saúde é muito controverso. Alguns falam bem e outros mal, e não é possível definir se ela é mocinha ou vilã”, pontua Carolyne Rosado, nutricionista e pesquisadora do Centro Integrado de Alimentos e Nutrição da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Efeito da cafeína no corpo

A cafeína é uma substância psicoativa encontrada em sua forma natural, por exemplo, em grãos de café, cacau e cola, folhas de chá e bagas de guaraná. A substância pode ser sintetizada artificialmente e usada em remédios e bebidas energéticas.

Após consumida, a absorção no corpo é rápida – atingindo o seu pico de concentração entre 45 minutos e 1 hora. A substância absorvida pelo trato gastrointestinal chega ao sistema circulatório e pode alcançar todos os tecidos do corpo.

O consumo de energético tem se tornado comum entre os jovens que não são fãs de café, mas querem mais energia — Foto: Freepik / Racool_studio / Creative Commons
O consumo de energético tem se tornado comum entre os jovens que não são fãs de café, mas querem mais energia — Foto: Freepik / Racool_studio / Creative Commons

“A cafeína age como estimulante, bloqueando os receptores de adenosina nos neurônios do cérebro e da medula espinhal, o que aumenta a atividade do sistema nervoso central”, diz Carolyne. A adenosina é responsável por promover sensação de sono e relaxamento – com os receptores bloqueados com a cafeína, o resultado é a sensação de alerta e vigília.

Outro efeito é o estímulo da liberação de hormônios e neurotransmissores, como a serotonina e a dopamina, associados à sensação de prazer. “Esses dois efeitos fazem com que seja comum colocar o café como centro de um encontro social. O famoso ‘vamos marcar um café?’”, comenta Michelle Galindo, especialista em nutrição pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

A liberação de cálcio nas células também é estimulada, o que ocasiona aumento da contração muscular. A cafeína ainda pode proporcionar a quebra de gordura. “Não é o suficiente para causar o emagrecimento, mas pode fornecer energia adicional durante a prática de exercícios”, comenta Carolyne.

Benefícios da cafeína

Associado aos efeitos imediatos, a cafeína pode trazer a melhoria do desempenho físico e cognitivo, a sensação de bem-estar e ativar o metabolismo. O consumo da substância também está associado ao favorecimento das primeiras etapas do sistema digestivo, estímulo à atividade intestinal e à sensação de saciedade.

Além dos benefícios diretos, há estudos que indicam que a cafeína pode prevenir doenças cardiovasculares, neurodegenerativas (Alzheimer e Parkinson), câncer e diabetes. Os processos anti-inflamatórios também são favorecidos, já que a substância combate os radicais livres.

Malefícios da cafeína

Os efeitos, no entanto, podem se tornar negativos, quando o consumo é em excesso. “Como um bom ‘estimulante’, ela deve ser consumida com cautela”, pontua Michelle. “Pessoas sensíveis sentem os efeitos da cafeína prontamente. Se ela apresenta algum quadro de ansiedade, por exemplo, isso pode ser maximizado”, complementa. Nesses casos, pode ocorrer o aumento das palpitações, sudorese, tremor, taquicardia e irritabilidade.

A depender do horário de consumo, pode ocorrer insônia e diminuição da qualidade do sono. “A presença da cafeína cai pela metade dentro de 3 a 5 horas. Então, é preciso considerar que depois desse tempo ainda terá cafeína no corpo para saber até que horário a pessoa deve tomar café”, diz Carolyne.

Doses e consumo a longo prazo

Para evitar os resultados negativos da cafeína, há uma recomendação de dose máxima diária. O ideal é consumir no máximo 3 mg a 6 mg da substância por quilograma de massa corporal. Para ilustrar, 100 ml de café possuem cerca de 120 mg de cafeína, mas essa quantidade pode ser afetada pelo preparo e a marca da bebida. Enquanto isso, os energéticos costumam ter entre 32 mg e 134 mg por 100 ml.

O método de preparo de café afeta na quantidade de cafeína presente na bebida — Foto: Unsplash / Tyler Nix / Creative Commons
O método de preparo de café afeta na quantidade de cafeína presente na bebida — Foto: Unsplash / Tyler Nix / Creative Commons

No caso dos energéticos, a atenção às doses deve ser redobrada, pois a bebida é frequentemente combinada a outros elementos, como a Taurina, que intensifica os efeitos estimulantes da cafeína.

Dentro dessa dose máxima, o consumo diário da cafeína não costuma trazer riscos ou malefícios intensificados. “Não existe um efeito cumulativo, mas, sim, um impacto diário, devido ao consumo rotineiro”, aponta Michele. No entanto, uma tolerância aos efeitos imediatos podem ocorrer nesse caso. A sensação de fadiga e cansaço, mesmo após tomar um café, pode se tornar comum.

Segundo Carolyne, o consumo diário da cafeína também não leva ao vício, como se pode acreditar. “As pessoas, muitas vezes, pensam que a dor de cabeça quando param de tomar café seria decorrente do vício. Mas esse sintoma é muito diferente do que ocorre em abstinência de outras drogas”, diz.

Ela explica que a dor ocorre, pois a cafeína estreita os vasos sanguíneos na cabeça e no pescoço, e quando a substância não é mais ingerida, há o aumento do fluxo sanguíneo na região – gerando um desconforto por cerca de 9 dias. Depois disso, a pessoa consegue parar de consumir cafeína de forma tranquila.

expresso.arq com informações de Bianca Camatta, com Alex Alcantara

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