Doação de móveis usados: como e onde fazer? Veja dicas responsáveis!
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Reformar ou mudar de casa são momentos propícios para trocar a decoração e, com isso, repassar móveis e outros objetos que já não se encaixam mais no seu estilo de vida. Em vez de jogar no lixo, os itens podem ser doados para ajudar outras pessoas, promover a cultura da solidariedade e ainda contribuir com a preservação do meio ambiente.
Armários, banquinhos, cadeiras, camas, mesas, sofás e tapetes, por exemplo, são peças que, em bom estado, podem ser reaproveitadas por novas famílias. Essa prática é essencial para a atuação de diversas instituições filantrópicas pelo Brasil. É o caso da ONG Decor Social – ela revitaliza abrigos que acolhem crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade na região metropolitana de São Paulo.
“Muitas vezes, são descartados móveis que, simplesmente com a troca de tecidos ou restauro, poderiam ser reutilizados. É preciso divulgar a importância dessa economia circular, evitando o desperdício de materiais”, comenta Lucy Amicón, diretora de eventos e novos negócios da Decor Social.
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Não existem estudos específicos sobre a doação de mobiliários no país, mas dados da pesquisa Doação Brasil indicam que os brasileiros são engajados com donativos. Em 2022, 84% da população fizeram alguma doação, e 75% doaram bens, materiais ou alimentos.
Entre as causas mais procuradas para contribuir estão crianças (46%), saúde (30%) e combate à fome (29%). Ajudar em situações emergenciais aparece em quarto lugar, com 13% de interesse. A doação de móveis pode ser integrada em todos esses propósitos.
Inclusive, é comum acontecer campanhas esporádicas em casos de desastres naturais. Foi o que aconteceu em setembro de 2023, quando entidades moveleiras gaúchas se uniram em busca de donativos, após fortes chuvas destruírem cidades e imóveis. Na ocasião, a Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs) e o Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis) pediram apoio de indústrias para ajudar famílias desabrigadas.
“Essa contribuição é mais comum porque as catástrofes recebem muita cobertura da mídia e as pessoas ficam imaginando como podem ajudar. No Brasil, não temos o hábito de contar que fazemos doações. Aquilo que não é falado é como se não existisse. Portanto, uma forma simples de promover a cultura de doação é simplesmente divulgar que é um doador”, aponta Andréa Wolffenbüttel, integrante do comitê coordenador do Movimento por uma Cultura de Doação (MCD).
Como doar móveis?
O primeiro passo é verificar a condição dos mobiliários e objetos, que devem estar limpos, livres de pragas (como cupins ou percevejos), e sem grandes avarias que impediriam seu uso.
Igrejas, abrigos, ONGs ou programas de assistência social costumam aceitar donativos. O mais importante é entrar em contato com a instituição escolhida para confirmar se eles aceitam móveis e quais são as suas necessidades específicas.
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Um exemplo é o Exército da Salvação, que tem pontos de coleta e retira doações a domicílio em algumas cidades de seis estados brasileiros – Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo – e no Distrito Federal.
“As próprias organizações sociais precisam de móveis, como cadeiras para espera, poltronas para que mães acompanhem o tratamento de seus filhos, ou armários para organizar materiais”, relata Andréa.
Outra alternativa é buscar, através das redes sociais, lugares para fazer as doações. Existem, por exemplo, grupos de bairros e cidades no Facebook, onde muitas pessoas ofertam ou solicitam doações. Há, ainda, lojas de segunda mão que aceitam as peças. Em alguns casos, os itens são restaurados, comercializados e a renda é revertida para causas sociais.
“Apesar de muitas organizações sociais fazerem anúncios comunicando que aceitam e coletam móveis, essa informação não chega a todo mundo. Muitas vezes, elas não têm recursos para usar em comunicação. O maior desafio é o desconhecimento. É importante que as pessoas saibam que existem muitos modos de doar”, diz a coordenadora do MCD.
Os benefícios da doação de móveis
Ainda segundo Andréa, mobiliários confortáveis podem transformar vidas. “Existe uma realidade de pobreza no Brasil, de pessoas que vivem em condições muito precárias, desde aquelas que habitam a periferia das grandes cidades até as que vivem em regiões de baixo desenvolvimento, como o sertão. Essas populações, muitas vezes, não têm sequer uma cama, mesa ou cadeira”, ela afirma.
Para além dos benefícios sociais, a doação de móveis contribui com o meio ambiente. Para se ter ideia, em 2020, a Prefeitura de São Paulo retirou quase três mil toneladas de resíduos domésticos de pontos irregulares, como calçadas, terrenos e ruas. Os dados são do projeto Revitaliza SP, que transforma espaços onde há acúmulo de lixo.
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“O abandono indevido de móveis em áreas naturais pode ter diversas consequências negativas para os ecossistemas locais, especialmente em áreas protegidas. Exemplos são o impacto na biodiversidade, poluição ambiental, riscos para a saúde pública e degradação visual”, explica Michela Scupino, gerente do Lactec, centro brasileiro de pesquisa, ciências e tecnologia.
Um grande perigo é que alguns mobiliários são feitos com produtos químicos, como solventes, pesticidas, metais pesados e substâncias tóxicas presentes em materiais de construção, que podem infiltrar no solo. “Isso prejudica plantas e animais com potenciais envenenamentos e pode poluir águas”, ela acrescenta.
E se não der para doar?
Se os móveis usados não têm como ser reaproveitados, o ideal é buscar apoio de órgãos públicos ou empresas privadas para a coleta e o descarte adequado. Isso é importante, pois, além de preservar a natureza, evita problemas jurídicos: em alguns municípios, jogar móveis em vias públicas é considerado crime ambiental e está sujeito à multa.
“Nesse caso, pode ser doado para catadores ou cooperativas, que desmancharão o móvel e promoverão a reciclagem das matérias-primas”, fala Andréa, do MCD. Um exemplo é o Cataki, aplicativo onde é possível se conectar com catadores de materiais recicláveis para combinar a coleta.
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Além disso, diversas prefeituras têm ações sem custos para recolher os itens. Por exemplo, a cidade de São Paulo tem mais de 100 Ecopontos espalhados, além do programa Cata-Bagulho, um serviço gratuito para recolher mobiliários, eletrodomésticos quebrados e pedaços de madeira.
“Doar móveis evita que eles se tornem resíduos em aterros sanitários. Ao reutilizá-los, há uma redução na demanda por novos materiais e recursos naturais para a fabricação de produtos, consumindo uma quantidade menor de energia, madeira ou plástico”, afirma Michela, do Lactec.
Assim, a doação de mobiliários usados contribui com a economia circular, uma responsabilidade que deve ser zelada por indústrias, organizações e consumidores. Ou seja, toda a sociedade.
expresso.arq com informações de Nathalia Fabro


