Pedras naturais são revestimentos sustentáveis, duráveis e resistentes
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2022/S/e/z2MrmARcigILKV8Aokpw/cozinha-com-bancada-de-pedra-rosa.jpg)
Belo, durável, natural, resistente, restaurável e versátil. Logo, eterno e sustentável. O mármore é um material muito valorizado na construção civil. Até há pouco tempo, era considerado caro para o revestimento de apartamentos e casas brasileiras, porque as pedras mais desejadas e recomendadas vinham do exterior.
Tudo mudou quando os arquitetos daqui descobriram a enorme variedade de rochas que existe no país. “O Brasil tem a maior diversidade geológica do mundo. Temos mais de 1.200 tipos de pedras, muitas exclusivas, e todos os anos aparecem novidades em nossas feiras”, diz Tales Machado, presidente do CentroRochas — Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais, que tem o apoio da ApexBrasil.
Segundo a agência do governo, em 2021 o setor exportou mais de US$ 1,3 bilhão. “As cinzas e as pretas são as mais procuradas, mas têm de todas as cores e desenhos, alguns exóticos, que não se repetem nem na mesma rocha”, conta Tales. “A vantagem em relação ao porcelanato, que a imita, é a exclusividade: a natureza nunca faz igual.”
Outra vantagem está na sustentabilidade. “É um material menos poluente do que os produtos industrializados”, afirma a arquiteta Vivian Coser, que defende o uso das pedras por serem resistentes e terem o ciclo de vida longo. O processo de extração e tratamento das rochas é considerado limpo, porque segue normas ambientais rigorosas.
“Deve usar 98% da água de chuva e de reúso e energia solar na máquina de corte; compensar a taxa de carbono com o plantio de árvores e aproveitar totalmente o material, inclusive os resíduos, que são usados pela indústria de cerâmica”, explica Vivian. “A pedra não é uma solução provisória. Pode ser restaurada em vez de trocada. Não gera entulho.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2022/8/h/DheVAVTs2V38AyjlogSw/sala-off-white-quadro-colorido-manarelliguimaraes-010.jpg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2022/6/o/38y9RlRGupRQkZAj9hZw/sala-piso-de-marmore-sofa-de-madeira.jpg)
A pedra é ainda um material versátil: permite vários tratamentos e pode ser usada em bancadas, móveis, objetos, pisos e paredes de áreas internas e externas. Diante da diversidade do material no país, Vivian destaca os granitos, os mármores e os quartzitos.
“Temos uma grande quantidade de quartzitos, que têm nível alto de dureza, só perdendo para o diamante”, diz. Segundo ela, embora o Brasil seja o maior fornecedor de rochas do planeta, boa parte dos arquitetos escolhe os mármores importados da Europa, que são mais caros e geram mais emissão de carbono com o transporte.
Segundo o engenheiro Paulo Giafarov, consultor de pedras ornamentais brasileiras, os arquitetos do país passaram a se interessar mais pelo produto nacional há 10 anos. “Antes nossas mineradoras exportavam principalmente para os Estados Unidos – de cada 4 m² de rocha consumida lá, 1 m² é pedra brasileira”, diz.
Com a preferência por cores minimalistas e neutras, as empresas daqui iniciaram a extração de quartzitos e mármores dolomíticos, que são de altíssima resistência e têm a característica do mármore Carrara, da Itália.
“Há 8 anos houve um salto na compra dos mármores brasileiros pelos grandes escritórios de arquitetura do país. Os quartzitos branco, cinza e bege são consumidos em projetos de alto padrão”, afirma Paulo. “O mármore branco Itaúnas, por exemplo, aparece em casas nos condomínios da Baronesa, Fazenda da Grama e Fazenda Boa Vista.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2022/t/7/0EfKY1R6iP85owOWu9Iw/cadeiras-de-madeira-mesa-branda-pendente-branco-marmore-branco-parana-2.jpg)
As pedras naturais têm desenhos únicos, exclusivos, e dão mais personalidade aos projetos.”
— Tales Machado
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2022/c/0/Rt1tL8Qwu6EpNVWgl8yA/cozinha-moveis-de-madeira-mesa-branca-banquetas-brancas.jpg)
Variedade e bom preço
O arquiteto Diego Revollo conta que descobriu o mármore brasileiro há 5 anos. “Sempre fui fã de pedras por ser um material eterno, de alta durabilidade e, que pode ser recuperado, diferente do porcelanato, que, se estraga, é jogado fora”, diz.
“Em 2018, quando teve a alta do dólar e do euro, eu comecei a pesquisar o mármore nacional e vi uma diversidade de pedras para explorar com custo mais razoável.” Segundo ele, o uso de mármores nacionais de cores variadas pelo arquiteto francês Philippe Starck nos interiores do hotel Rosewood, no complexo Cidade Matarazzo, em São Paulo, despertou o interesse de seus clientes.
“Antes não havia essa visão. Em nossa escola de obras de alto padrão, eram difundidos os mármores gregos e italianos”, conta Diego, que já estava cansado desses clássicos. Hoje ele recebe opções de mármores extraídos por quatro ou cinco mineradoras de vários cantos do Brasil. “Têm qualidade e cores variadas que atendem a todos os gostos e com bons preços. O custo é de 50% a 80% menor do que o importado e dá para fazer projetos criativos.”
O arquiteto Leo Romano também usa bastante o mármore nacional para revestir pisos e paredes, que, segundo ele, funcionam bem em áreas molhadas e secas. “Até por questão de custo, as pedras brasileiras são melhores que as importadas”, diz. “No universo da arquitetura de interiores, está havendo uma nova valorização do material nacional.”
Ele coloca o mesmo mármore na área social e na externa, até dentro da piscina, para dar continuidade. “Dependendo da pedra, uso em tudo, até em bancada. Tem qualidade e efeito uniforme”, afirma. Seus mármores preferidos são os acinzentados, como o Montblanc, o branco Paraná, o calacatta Michelangelo e o bege Bahia.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2022/h/n/EuAw8OQ6W8QllbGAQJew/area-externa-parede-de-pedras.jpg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2022/y/j/Cfb9B1TBAsqs091WPAEQ/lavabo-marmore-com-preto.jpg)
O mármore bege Bahia deixou de ser usado durante um tempo por preconceito, porque lembrava os projetos da década de 1980, segundo Leo. “Agora ele voltou com tudo, mas com o acabamento levigado, que tira o brilho da pedra e deixa o projeto elegante”, explica.
A preferência por materiais genuínos leva o arquiteto Thiago Manarelli a escolher os mármores nacionais, como o bege Bahia, mas usa também com acabamento levigado, que dá aspecto natural. Na opinião dele, as pessoas não gostam desse mármore com o acabamento polido porque fica com aspecto amarelado.
“Mas é uma pedra muito resistente. Alguns chamam de travertino brasileiro porque parece um pouco com o travertino romano quando é deixado com acabamento rústico”, diz.
O arquiteto Pedro Kastrup Buzanovsky, do PKB Arquitetura, gosta de usar a pedra natural pela textura única e pelo cuidado na extração do material de maneira sustentável. “É uma forma de levar a natureza, com seus desenhos orgânicos, para dentro da casa”, afirma Pedro, que tem apreço pelas pedras moledo e madeira, extraídas em povoados.
Na opinião dele, é importante valorizar a mão de obra e os produtos locais.
“Temos pedras bonitas para usar nos projetos de design, como o branco Paraná, que era pouco utilizado e pode ser comparado com o Carrara”, diz. “Temos essa riqueza preciosa sem precisar importar. O design brasileiro pode dar acabamento e extrair o que há de melhor das pedras do país.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2022/V/s/Ow6gOgSYG83eFFIVQQAw/piscina.jpg)
Preferência nacional
As pedras nacionais preferidas dos arquitetos são os quartzitos, por serem mais resistentes do que os granitos e tão bonitos como os mármores.
“Por causa das características morfológicas, são mais duros, mas têm o aspecto decorativo do mármore, com desenhos de veios e diversas cores”, diz Diego. “Dá para usá-los em bancadas e pisos, diferentemente dos mármores, que são moles e porosos.”
Segundo Tales, os granitos existem em maior quantidade e têm preços mais competitivos. Muito valorizados, os mármores são divididos em dois grupos: os carbonáticos e os dolomíticos, que são mais resistentes porque têm mais magnésio na composição.
Os mármores são mais explorados no Sul do país. O Paraná produz o calacatta Michelangelo e o branco argenta, que fazem sucesso no exterior.
O mármore branco Paraná, muito parecido com o Carrara, é o mais procurado pelos arquitetos brasileiros.Em seguida, vem o quartzo branco. No Paraná tem ainda o mármore branco Matarazzo.
O setor de rochas tem 60 anos no Espírito Santo e 100 anos no Ceará, o grande produtor de quartzitos, segundo o presidente do CentroRochas. “A pedra brasileira mais cobiçada no exterior é a White Delicatus, que tem o desenho muito diferente. O quartzito mais vendido no mundo é o Taj Mahal, extraído no Ceará”, conta Tales.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2022/a/f/PcX7pfRbKL8VHmbWQhbw/area-externa-mesa-de-pebolim.jpg)
Tipo exportação
Como o mármore brasileiro não era valorizado no país, por muitos anos os italianos compraram nossas rochas para vender na Europa como pedras italianas.
“Quando passamos a expor nas feiras internacionais, alguns deles vieram montar sua indústria no Brasil”, diz Tales.
“As empresas brasileiras se equiparam com maquinário importado para concorrer no mercado externo. A máquina de corte nacional é boa, mas as italianas de polimento e resinagem são as melhores do mundo.” Segundo ele, hoje são vendidas três vezes mais pedras nacionais para o mercado interno, mas o externo compra mais as exóticas, pois podem pagar melhor. Atualmente, as pedras do país são exportadas para revestir o novo aeroporto de Abu Dhabi.
Em 2021, a produção nacional foi superior a três milhões de m³ de blocos de rochas ornamentais. Atualmente, metade dessa quantidade é exportada para os Estados Unidos, que em parte pede placas com espessura de 3 cm.
O custo médio é de 100 dólares o m². Mas o preço das pedras superexóticas pode chegar a 500 dólares o m².
Os quartzitos são os mais procurados pelos arquitetos e designers brasileiros.
De modo geral, as pedras são vendidas com espessura de 2 cm para serem empregadas praticamente em tudo. Peças especiais podem ter 5 cm ou mais. “Para piso, hoje são especificados cortes com 1 cm ou 1,50 cm de espessura. O preço fica mais competitivo no mercado com outros revestimentos. O transporte custa menos porque cabem mais peças no mesmo caminhão”, explica Tales.
Sustentabilidade
Segundo Paulo Giafarov, estudos realizados na Alemanha demonstram que as pedras são os revestimentos que causam o menor nível de poluição.
“Na produção de cada 1 m² de pedra é gerado apenas de 20% a 30% do CO2 emitido na fabricação da mesma quantidade de cerâmica”, afirma. “A rocha é um material perene, resistente ao fogo em caso de incêndio e pode ser reutilizada, ao contrário do porcelanato.” Para abrir uma jazida de pedra, existe uma legislação ambiental rigorosa, que deve ser seguida pela empresa, incluindo o reflorestamento de áreas.
Existem mais de 800 jazidas em operação no Brasil.
Somente no Espírito Santo, há 1.600 empresas de beneficiamento que trabalham com o reaproveitamento da água em circuito fechado e unidade de tratamento, segundo Tales.
“Os resíduos [pó de pedra que sai da serra usada no corte e da máquina de polimento] são desidratados, prensados e guardados em depósito coletivo licenciado pelo Estado para serem utilizados em indústrias de outros segmentos, como a de porcelanato”, diz.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2022/I/P/lIq2EiRcmIW5NTy3zGaA/banner-digital-de-cobertura.jpg)
expresso.arq sobre artigo de Marilena Dêgelo


