Calotes em alta: que FII’s ainda valem a pena?
Após uma nova queda mensal, o índice de fundos imobiliários da B3 (Ifix) encerrou o primeiro trimestre com perda acumulada de 3,7%, aos 2.761 pontos, ante desvalorização de 7,2% do Ibovespa.
Somente em março, o desempenho negativo do Ifix ficou em 1,7%.
A conjuntura de juros elevados e, agora, o temor de novos casos de inadimplência trouxeram turbulência ainda maior para o segmento.
Nesse ambiente de cautela, as corretoras fizeram apenas mudanças pontuais nas carteiras recomendadas de fundos imobiliários (FIIs) para abril – o que não alterou o ranking dos mais indicados.
O Bresco Logística (BRCO11) continua no topo do levantamento realizado pelo InfoMoney, com um total de oito apontamentos.
O fundo tem cerca de 4% de sua receita total derivada de Americanas, que recentemente apresentou seu plano de recuperação judicial.
Em segundo lugar aparecem empatados o CSHG Recebíveis Imobiliários (HGCR11) e o Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11), ambos com sete recomendações.
A terceira posição é ocupada pelo CSHG Renda Urbana (HGRU11), com seis indicações, e a lista de destaques se completa com a Capitânia Securities II (CPTS11), presente em cinco portfólios selecionados.
Quanto ao panorama da indústria, alguns relatórios ressaltam o momento delicado.
“Com o mercado de FIIs de tijolo ainda impactado pela crise nas grandes varejistas [atrasos em aluguéis por parte de Americanas, Tok&Stok e Lojas Marisa], os sequentes registros de inadimplência em CRIs [certificados de recebíveis imobiliários] acabaram acendendo o alerta também em FIIs de papel, especialmente aqueles com perfil high yield (maior risco)”, diz a BB Investimentos.
Para o BTG Pactual, eventos de renegociações ou inadimplências fazem parte desse tipo de investimento em crédito e, portanto, podem seguir ocorrendo em 2023.
“No entanto, em um momento em que a liquidez segue retraída, entendemos que setores que possuam maior necessidade de funding devem seguir pressionados e com dificuldades para realizar novas captações, resultando numa menor disponibilidade de recursos para o pagamento das obrigações financeiras”, alerta o banco, que diz ter intensificado o acompanhamento dos FIIs de sua carteira recomendada.
expresso.arq sobre artigo de Mariana Segala


