O que é Dall-e e por que ela vai transformar os projetos criativos

Muito tem se falado sobre o poder da inteligência artificial e de como sua ascensão pode transformar a profissão de arquiteto.

Imagem © William Garner, via Parametric Architecture

A principal ferramenta que tem assustado os especialistas do mercado é o Dall-e, um software baseado em aprendizagem de máquina que gera imagens a partir das palavras que o usuário informa em um campo.

Há outras com a mesma proposta, como o Midjourney e a Stable Diffusion.

É chamado usando uma junção do artista Salvador Dalí e WALL-E da Pixar. A Dall-e foi fundada pela OpenAI, uma empresa de pesquisa e implantação de IA apoiada por empresas como Elon Musk e Microsoft, que apostaram um investimento de bilhões de dólares na empresa.

Por exemplo, você pode usar uma imagem de uma sala vazia e digitar algumas palavras relacionadas a estilos, cores e preferências do usuário e a plataforma irá gerar uma imagem com a sala ambientada de acordo com as suas preferências.

E se não for do seu gosto, adicionando ou retirando novas palavras, é possível criar designs múltiplos numa velocidade muito eficaz.

Cenário do quadro Moça com Brinco de Pérola de Veermer criado com a Dall-e. Fonte: OpenAI

O surgimento de modelos de IA baseados em imagens, como o Dall-e, é um avanço empolgante, mas assustador, no mundo da visualização.

Como qualquer nova tecnologia, há muitas considerações a se fazer.

Vamos começar com as boas considerações.

Não, a IA não substituirá os Arquitetos.

De acordo com um estudo da Universidade de Oxford em 2017, os arquitetos têm uma das menores taxas de substituição (1,8%), em uma posição confortável com estilistas (2,1%), engenheiros aeroespaciais (1,7%), curadores (0,7%) microbiologistas (1, 2%), maquiadores teatrais (1%), antropólogos (0,8%) e coreógrafos (0,4%).

Trabalhos com alto nível de interação humana e baixa porcentagem de atividades repetitivas geralmente são difíceis de substituir por tecnologia.

Mas isso não significa que a automação e a IA não tenham lugar na arquitetura.

Ela tem o potencial de agilizar processos e revolucionar a produtividade e a imaginação do campo da mesma forma que o software de modelagem de informações de construção (BIM) e o software de design auxiliado por computador (CAD) tornaram o desenho manual mais obsoleto.

O maior potencial do Dall-e na arquitetura é a capacidade de preencher a lacuna entre a imaginação e a visualização com seu poder de criar e editar.

Em sua forma rudimentar atual, ele pode adicionar e remover elementos levando em consideração sombras, reflexos e texturas.

Sala vazia e com acréscimo de sofá por um comando da Dall-e. Fonte: Archihacks.com

Há quem pense que arquitetos incapazes de superar a curva de aprendizado que vem com a adoção de tecnologias ficarão para trás.

Podemos esperar uma curva de aprendizado acentuada e reestruturações no ensino e na prática de arquitetura para realmente começar a incorporar a inteligência artificial.

Mas dificilmente arquitetos que não dominarem habilidades de código ficarão para trás, pois ainda será necessária uma bagagem grande de pensamento crítico, criatividade e habilidades sociais para se exercer dignamente a profissão.

E essas habilidades serão essenciais para serem trabalhadas lado a lado com a IA.

Por isso, provavelmente a próxima geração de designers será colaboradora da IA.

Isso requer um novo conjunto de habilidades: o raciocínio adaptativo para avaliar e sintetizar o trabalho das máquinas e uma fluência na lógica computacional que sustenta a criatividade da IA.

Os designers do futuro se concentrarão em investigações criativas que exigem avaliação, interpretação e empatia sofisticada – sobre como um edifício se conecta com seu local, as ramificações culturais de fabricação ou construção, as experiências vividas de habitantes, comunidades e visitantes e as contínuas pressão sobre o clima, meio ambiente e os recursos finitos.

Para entregar projetos empáticos, a inteligência artificial precisa da mão humana.

Da mesma forma, para ideias irrestritas e simplificação visual, delegar à inteligência artificial se tornará uma necessidade no competitivo mercado de arquitetura.

Essa relação de troca faz com que a inteligência artificial se desenvolva lado a lado com o arquiteto e não como uma ferramenta que deixará os profissionais para trás.

expresso.arq sobre artigo de Marília Matoso

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