Construção civil: um trimestre para esquecer?
As construtoras que publicaram seus resultados do quarto trimestre até agora trouxeram, em sua maioria, algo em comum nos balanços: o aumento dos custos e dos gastos.
Com a inflação pressionando os resultados do setor, analistas se debruçam para entender como serão os impactos – e até o Governo Federal está de olho na questão.
Como a construção civil representa cerca de 30% do PIB brasileiro, houve anúncios de novos subsídios para manter o mercado aquecido.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) fechou 2021 com uma alta de 14,03%, distribuída entre maiores custos com materiais, equipamentos, serviços e mão de obra.
Em janeiro e fevereiro de 2022, a alta acumulada já é de 1,22%.
A construtora Tenda (TEND3), voltada à baixa renda, por exemplo, teve um quarto trimestre para “ser esquecido”, segundo a XP Investimentos.
Os custos da Tenda entre outubro e dezembro de 2021 cresceram 16,6% na base anual.
A companhia também viu sua receita cair 26,2% na mesma comparação, com os números de vendas líquidas e de lançamentos praticamente estagnados.
“O resultado ruim já vem, em parte, do cenário macro. É muito pressionado pela dinâmica da inflação de custos, que vem até mesmo antes dos eventos recentes de guerra”, comenta Ygor Altero, analista da corretora, em relatório.
Para a XP Investimentos, a Tenda foi a construtora que teve o pior resultado do quarto trimestre de 2021.
Isso não significa, porém, que as outras companhias focadas na construção de imóveis não tenham sofrido pressões.
A MRV (MRVE3) também teve um trimestre frustrante.
Para o Itaú BBA, por exemplo, a construtora reportou um “conjunto de resultados fracos”, uma vez que os fortes números da AHS, seu braço nos Estados Unidos, já eram antecipados.
Já o Credit Suisse destacou que a MRV foi a segunda empresa a apresentar margens deprimidas devido às pressões inflacionárias e à necessidade de revisões orçamentárias.
A EzTec (EZTC3), como a Tenda, trouxe resultados considerados fracos.
Ao contrário desta, porém, a construtora conseguiu sustentar suas margens, com a bruta ficando em 43,7%.
A piora se deu com as vendas caindo – a receita ficou em R$ 176 milhões, baixa de 33% na base anual.
Enquanto MRV e Tenda tiveram resultados considerados majoritariamente negativos pelo mercado, outras companhias como, Cury (CURY3), Plano & Plano (PLPL3) e Direcional (DIRR3) tiveram balanços mais bem recebidos – em geral, por focarem na alta renda e conseguirem repassar a alta de custos.
Se os resultados do último trimestre decepcionaram, o que esperar daqui para frente para a construção civil?
Analistas da XP enxergam que o pior já ficou para trás quando o assunto é custos e despesas, apesar de os níveis ainda estarem acima da média.
“A partir do segundo semestre de 2021, com a desaceleração da pandemia, a escassez de oferta de materiais de construção estabilizou e algumas commodities, como o aço, iniciaram uma tendência de queda que pode ser um dos primeiros sinais de estabilização da inflação de custos de construção”, diz relatório.
Do outro lado, a visão dos analistas do Credit Suisse não é tão positiva.
O banco americano vê 2022 como o ano do aumento dos gastos com mão de obra, ao contrário de em 2021, quando a alta dos gastos estava mais focada em matéria prima.
expresso.arq sobre artigo de Mariana Segala


