Adubo milagroso? Veja como nutrir suas plantas com este guia completo

É comum encontrarmos pela internet receitas de adubos que prometem fazer a planta crescer em poucos dias, ou curá-la de doenças usando apenas ingredientes caseiros, como casca de ovo, borra de café, canela e até fermento. Mas apesar de sustentarem o desenvolvimento dos vegetais, os adubos orgânicos ou químicos não fazem milagre e precisam ser usados da maneira correta.

Além dos cuidados divergirem entre as espécies, os tipos de substratos e os de solo, existem algumas regras e dicas que garantem uma tentativa auxiliar às plantas, sem resultar no efeito contrário e apodrecimento do jardim. A nutrição caseira é uma delas, pois quando feita corretamente, pode auxiliar na criação de espécies robustas e saudáveis.

Toda planta precisa de adubo?

Algumas plantas sobrevivem bem sem a prática constante de adubação — Foto: Pexels / Sasha Kim / Creative Commons
Algumas plantas sobrevivem bem sem a prática constante de adubação — Foto: Pexels / Sasha Kim / Creative Commons

A adubação correta oferece uma série de benefícios às plantas, como um crescimento vigoroso, facilidade na floração e frutificação, evita o adoecimento do solo e, inclusive, controle de pragas.

É importante, entretanto, considerar que cada planta tem sua particularidade e necessidade. Enquanto algumas preferem solo rico e bastante sol, outras sobrevivem em seca, solo pobre e até mesmo sem a presença constante de sol. Eduardo Funari, engenheiro-agrônomo a frente do Funari Paisagismo, explica que toda planta precisa de nutrição, o que depende é o volume de cuidados.

“Plantas de clima desértico ou muito frio, e de montanhas, as quais são extremamente resistentes, têm um crescimento muito lento, que exigem baixo volume de nutrientes para se desenvolverem. Em contrapartida, plantas de clima mais quente e tropical, normalmente são vegetais que se expandem muito rápido. Para isso, elas exigem nutrientes em quantidades mais adequadas”, explica o profissional.

Prestar atenção em qual tipo de solo a sua espécie está localizada é o segundo passo para entender o nível de adubação necessário. Uma planta que precisa de muitos nutrientes, por exemplo, precisa estar em um substrato que forneça o necessário para o seu desenvolvimento e conforme as suas necessidades (ph, drenagem, oxigenação, etc.). Já aquelas que sobrevivem em condições mais extremas, não precisam de muito para vigorar e podem ficar mais tempo sem adubação.

Entretanto, nem sempre as espécies estão localizadas em ambientes propícios, seja pela falta de informação, seja por um espaço limitado para plantio. Assim, a adubação pode auxiliar a tornar um solo pobre, por exemplo, mais adequado para os vegetais do jardim.

“Adubar periodicamente, especialmente em vasos ou solos pobres, pode ajudar a fornecer os nutrientes que o solo carece, mas também em solos tropicais, onde a matéria orgânica se decompõe rapidamente”, complementa Eduardo Hortenciano, biólogo paisagista.

Adubo caseiro: vilão ou amigo?

Casca de ovo, borra de café e mais: amigas ou inimigas do jardim? — Foto: Pexels / Anna Shvets / Creative Commons
Casca de ovo, borra de café e mais: amigas ou inimigas do jardim? — Foto: Pexels / Anna Shvets / Creative Commons

Ambos profissionais ouvidos por Casa e Jardim têm os adubos caseiros como uma opção sustentável e eficaz para a nutrição de plantas, já que não contaminam os lençóis freáticos ou colocam pets, crianças e adultos em risco. Sua utilização, entretanto, precisa ser cuidadosa e demanda preparo.

“Os adubos caseiros precisam ser bem elaborados. É necessário seguir um critério técnico de secar bem esses materiais orgânicos, que antes seriam descartados e muito bem triturados, para evitar a presença de fungos e patógenos. Isso é um fator determinante, para ele ser absorvido e incorporado pelo solo”, explica Funari.

Os excessos também precisam ser evitados para garantir que elementos como borra de café, cascas de ovo e de banana ou batata não acabem prejudicando ao invés de ajudar. Hortenciano cita, por exemplo, que a casca de ovo em demasia e sem estar devidamente triturada pode ser um problema, já que, apesar de muito rica em cálcio, demora para se decompor e pode acabar causando problemas.

As cinzas de madeira são outra opção de adubo natural, pois, segundo ele, são ricas em potássio e ajudam a corrigir o pH do solo. No entanto, devem ser aplicadas com cuidado a fim de evitar danos às plantas, já que, em excesso, podem ir na contramão e aumentar demais o pH do solo, além de não ser a melhor opção para espécies que preferem um solo mais ácido.

Estes componentes ainda podem servir como um ótimo alimento para a compostagem caseira, um método eficaz que garante a segurança das plantas e evita erros comuns de quando se usa os ingredientes triturados diretamente na terra.

Por fim, o biólogo cita um mito comum entre os “pais de planta”, que é o de aplicar água de cozimento para nutrir o jardim. “Embora contenha nutrientes, esse líquido pode conter sal ou outras substâncias que podem prejudicar as plantas”.

Adubos químicos nem sempre são as melhores opções

O uso de adubação química nem sempre é indicado. Veja como usá-lo da maneira correta — Foto: Pixnio / Cade Martin, Dawn Arlotta, USCDCP / Creative Commons
O uso de adubação química nem sempre é indicado. Veja como usá-lo da maneira correta — Foto: Pixnio / Cade Martin, Dawn Arlotta, USCDCP / Creative Commons

Ricos em macronutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio e cálcio e também em micronutrientes, como boro, zinco, cobre, enxofre, manganês, molibdênio e magnésio, os adubos orgânicos e bio-orgânicos são mais completos, uniformes e equilibrados, como explica Funari.

Os químicos, por outro lado, têm altos teores de nitrogênio, fósforo e potássio, que, em abundância, podem ser tóxicos à planta, aos lençóis freáticos e ao meio ambiente. “É preciso tomar cuidado com as adubações químicas para não serem exageradas, pois podem causar a morte das plantas e a contaminação de solos – principalmente se forem próximos a nascentes”, explica.

Hortenciano indica os adubos biológicos, como os compostos caseiros, húmus de minhoca ou o esterco bem curtido, por serem mais seguros à natureza e saúde das plantas a longo prazo. “Se optar por adubos químicos, siga sempre as recomendações de uso do fabricante e evite a aplicação em excesso”, aconselha.

Nutrição das plantas no dia a dia

Aprenda a nutrir as plantas no dia a dia, indo bem além da adubação — Foto: GettyImages
Aprenda a nutrir as plantas no dia a dia, indo bem além da adubação — Foto: GettyImages

A adubação de plantas ocorre, de maneira geral, uma vez ao mês, mas também depende da espécie e das suas necessidades, especialmente considerando que, como visto acima, algumas não precisam de muitos nutrientes para sobreviver, enquanto outras, são mais exigentes.

Funari, entretanto, indica que, durante este período, ainda podem ser feitas adubações foliares, a cada 10 ou 15 dias, nas espécies mais necessitadas. “Outra opção são os adubos orgânicos minerais, que podem ser encontrados em lojas especializadas em Garden”.

Por fim, Hortenciano complementa dizendo que o adubo é só uma parte da nutrição dos jardins. A rega adequada, por exemplo, faz parte da rotina tanto quanto. “A rega correta é essencial para o desenvolvimento saudável das plantas. Use água sem cloro (de chuva ou filtrada) para evitar a interferência no crescimento dos vegetais. Regue no início da manhã ou no final da tarde para reduzir a evaporação e permitir que as espécies absorvam melhor a água”, indica.

Garantir que a planta receba a quantidade adequada de luz solar, considerando que algumas precisam de mais, outras de menos, também deve estar no topo das prioridades, assim como ter em mãos as ferramentas necessárias para manejar e podar da maneira correta.

expresso.arq com informações de Rafaela Freitas

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