Um trem subaquático pode ligar a Europa à África em 2030

Imagine poder embarcar em um trem na Espanha para Marrocos e viajar de forma eficiente – e sustentável – entre a Europa e a África em menos de seis horas. Graças a um projeto histórico de túnel ferroviário que está sendo considerado atualmente pelos ministérios de transporte dos dois países, a primeira ligação ferroviária entre os dois continentes poderá se tornar realidade em apenas alguns anos.

Os túneis submarinos que ligam o sul da Europa ao norte da África foram propostos pela primeira vez em 1979, mas o projeto ganhou uma nova urgência devido à Copa do Mundo de 2030, que será realizada em Portugal, Espanha e Marrocos. Assim, a Moroccan National Company for Strait Studies (SNED) anunciou na semana passada que estava lançando uma pesquisa inicial sobre a viabilidade do projeto, incluindo custos de construção e logística, de acordo com um relatório do The Telegraph.

O túnel ferroviário agilizaria o transporte entre Espanha e Marrocos, tornando possível pegar um trem em Madrid e chegar a Casablanca em cerca de cinco horas e meia. Atualmente, leva mais de 12 horas para chegar entre as duas cidades de carro e balsa, enquanto voos duram cerca de 2 horas.

Existe também a possibilidade de o novo projeto ferroviário se conectar às rotas de trem existentes em ambos os países, de modo que os passageiros teriam a opção de continuar sua viagem em qualquer continente além das duas cidades.

Atualmente, viajar da Espanha para o Marrocos envolve um voo ou uma balsa de uma a duas horas de Tarifa (foto acima) para Tânger — Foto: Getty Images/Frank Wijn
Atualmente, viajar da Espanha para o Marrocos envolve um voo ou uma balsa de uma a duas horas de Tarifa (foto acima) para Tânger — Foto: Getty Images/Frank Wijn

No último ano, a Espanha e o Marrocos se envolveram em conversas de alto nível sobre a retomada do projeto, com os ministros dos transportes dos dois países realizando várias reuniões desde a primavera de 2023. “Estamos, portanto, iniciando uma nova etapa no relançamento do Projeto de Ligação Fixa através do Estreito de Gibraltar, que começamos em 1981”, disse Raquel Sánchez, Ministra dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana da Espanha, em um comunicado após uma reunião em abril de 2023. No ano passado, a Espanha destinou 2,3 milhões de euros – aproximadamente 12 milhões de reais – para lançar seus próprios estudos de viabilidade do projeto do túnel.

O trem proposto ligaria a cidade de Punta Paloma, na Espanha, a Balabata, no Marrocos, perto de Tânger, por meio de um túnel subaquático, de acordo com a Sociedade Espanhola de Estudos de Comunicação Fixa no Estreito de Gibraltar (SECEGSA). A linha ferroviária total entre as duas estações teria 42 quilômetros de extensão, com cerca de 27 quilômetros de trilhos passando pelo túnel submarino. Em sua profundidade mais baixa, o túnel ficaria a cerca de 472 metros abaixo do nível do mar, conforme mostram os planos atuais no site da SECEGSA.

Se construída, a linha de trem seria a primeira ligação ferroviária direta entre a África e a Europa, e poderia transportar até 12,8 milhões de passageiros entre os continentes todos os anos, de acordo com as projeções da SECEGSA publicadas pela primeira vez no The Telegraph. O custo total do projeto permanece desconhecido, mas as estimativas relatadas são de cerca de US$ 7,5 bilhões (aproximadamente R$ 38 bilhões).

Não é a primeira vez que a Espanha e o Marrocos investigam se um sistema de túneis subaquáticos seria viável. Os dois países também lançaram estudos de viabilidade em 1981, mas, em última análise, o projeto perdeu força e as linhas ferroviárias nunca foram construídas.

Embora idealmente a linha ferroviária esteja operando até 2030, não há um prazo definido para o término da fase exploratória ou quando o projeto poderá ser aprovado pelas autoridades. Mas com outra reunião estratégica entre as duas nações marcada para junho, a Copa do Mundo pode ser um incentivo suficiente para dar início à construção e finalmente concretizar o feito histórico de transporte.

expresso.arq sobre matéria originalmente publicada na Condé Nast Traveller

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