Fascite plantar: o que é, sintomas, causas e tratamento
O que é fascite plantar?
As fáscias são tecidos fibrosos que percorrem todo o corpo.
Nesse caso, há a inflamação da fáscia plantar, que recobre a musculatura da planta do pé, começando pelo osso calcâneo (que dá forma ao calcanhar) até à articulação com os dedos.
“Essa estrutura é muito importante porque auxilia na absorção de impacto e mantém a curvatura da planta do pé”, explica Daniel Kamura Bueno, ortopedista e especialista em cirurgia do tornozelo e pé do Hospital São Camilo Ipiranga, em São Paulo.
Sintomas
A dor na sola do pé é o principal indicativo do problema.
Ela pode acometer o calcanhar de forma intensa ao pisar no chão após acordar ou ter ficado sentado por muito tempo.
“Parece uma pontada e costuma aliviar com o passar do dia”, esclarece Bueno.
Muita gente confunde esse sintoma com o esporão de calcâneo, caracterizado pelo crescimento de um pequeno osso no calcanhar.
“É uma coisa secundária, que vai se formando conforme o calcanhar sofre essa pressão. Mas a maioria da população terá essa pontinha no osso sem dor. Quando ela ocorre, a culpa é da inflamação”, esclarece o ortopedista Luiz Augusto Gaspar, da clínica SAO de Antroscopia e Ortopedia, em São Paulo.

Causas da fascite plantar
Quem tem a curvatura do pé mais acentuada ou pratica muitos exercícios pode tensionar as fáscias, que tendem a inflamar.
Há, ainda, outros fatores que contribuem para isso.
Obesidade, atividade física de alto impacto, uso de calçados inadequados e deformidades nos pés favorecem o problema.
Porém o fator principal é a falta de alongamento.
“A fáscia plantar tem relação direta com a musculatura posterior da perna que, encurtada por falta de estímulo, provoca uma tração desse tecido. Dessa forma, ele será machucado ao andar, gerando um processo inflamatório e degenerativo crônico”, descreve o ortopedista do São Camilo.
Essa é uma das patologias mais comuns nos pés e a principal causa de dor no calcanhar, segundo Bueno.
“Cerca de 10% da população apresentará incômodo nessa região em algum momento da vida.”
Diagnóstico
Um exame físico no consultório do médico já identifica a fascite plantar.
“O ultrassom e a ressonância magnética podem ser solicitados para complementação e exclusão de outras suspeitas”, conta Bueno.
Tratamento
A primeira opção é o tratamento conservador, que consiste no alongamento da cadeia posterior do corpo (da panturrilha até a coluna) com a ajuda da fisioterapia.
O uso de calçados apropriados (solados firmes, palmilhas macias, pequenos saltos, etc) e controle do peso também fazem parte do processo de melhora.

Fascite plantar tem cura?
É possível, sim, que a dor suma completamente, mas sempre será essencial manter alguns cuidados, como ter atenção especial à escolha dos sapatos.
Pode ser necessário lançar mão de remédios anti-inflamatórios e anestésicos para aliviar o desconforto.
“Massagear as plantas dos pés antes de sair da cama e rolá-los sobre uma garrafa congelada ao chegar em casa são ferramentas muito úteis no controle da dor”, aconselha o médico do São Camilo.
É preciso evitar a atividade física de alto impacto, que costuma piorar o quadro.
Andar de bicicleta e praticar esportes na água são algumas das opções.
Pessoas com casos mais graves podem passar pela terapia por ondas de choque e infiltrações.
“Elas servem de complemento ao tratamento”, diz Bueno.
Cirurgia
É muito rara a necessidade de intervenção cirúrgica, que consiste em “liberar” a fáscia plantar, ou seja, retirar parte desses ligamentos.
“Não é garantida a melhora da dor com a cirurgia e pode ocorrer repercussões nocivas à mecânica do pé como, por exemplo, o desabamento do arco plantar (o pé perde a curvatura e fica plano)”, relata Bueno.
expresso.arq sobre artigo de Fabiana Schiavon


