Dados e tendências para a formação do valor m² na construção civil em 2023
A construção civil segue de olho na inflação, pois os aumentos de custos embutidos em materiais e processos interfere no desenvolvimento do setor, na viabilidade econômica de novos projetos e na demanda do mercado pelos empreendimentos.
O orçamento, afinal de contas, é parte fundamental para o planejamento e execução dos projetos.
Se por um lado os clientes finais dos empreendimentos imobiliários sempre estão de olho no valor que estão pagando pelo metro quadrado, as construtoras devem estar atentas aos custos associados a cada metro quadrado no processo de construção.
Por isso, confira como está o valor do metro quadrado na construção civil em 2022, veja os fatores que estão afetando os custos e as tendências para a inflação no setor.
Custo do m² de construção
O custo do m² na construção civil é calculado pelo Sistema Nacional de Pesquisa e Índices da Construção Civil (SINAPI), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com a Caixa Econômica Federal.
Assim, os dados levantados pela entidade têm abrangência nacional e podem ser filtrados por região.
Já o IBGE também leva em conta fatores como qual o padrão da construção (alto, normal, baixo e mínimo), além do tipo de projeto (casa residencial normal, casa popular, prédio residencial ou prédio comercial, por exemplo).
Qual o valor do m² de construção em 2023?
O dado mais recente do Sinapi é referente ao mês de janeiro de 2023.
Então, segundo o levantamento, o valor do m² na construção civil em 2023 é de R$ 1.684,45.
Em janeiro de 2022, esse valor era de R$ 1.525,48. Isso significa que, em um ano, o custo médio do m² aumentou em R$ 158,97.
A nível de comparação, o teto da meta de inflação geral da economia brasileira estabelecida pelo Banco Central para 2022 era de 5%.
Isso quer dizer que o aumento do custo de construção do m² em 2022 foi maior que o dobro do teto da meta de inflação (o centro da meta era 3,5%).
Comparação com 2021
Em janeiro de 2021, o valor do m² na construção civil custava R$ 1.301,84, na média nacional.
Ou seja, de lá pra cá, este custo subiu R$ 383,01.
Levando em conta o acumulado de 12 meses nos aumentos de custos, a inflação do m² na construção civil foi de 10,4%.
A título de referência, o IPCA registrou 6,35% de inflação no mesmo período.
Custos regionais do m²
Como explicamos, o custo do m² para a construção varia conforme o recorte geográfico.
Este valor será mais alto ou mais baixo a depender dos custos locais.
Essas são as médias para as regiões brasileiras, conforme os dados mais recentes, por ordem decrescente:
- Sudeste: R$ 1.744,44
- Sul: R$ 1.761,86
- Centro-Oeste: R$ 1.727,02
- Norte: R$ 1.709,77
- Nordeste: R$ 1.561,05
O estado com o m² mais caro é Santa Catarina (R$ 1.905,86).
Por outro lado, o metro quadrado com menor custo está no estado de Sergipe (R$ 1484,27).
A tabela completa, com os dados de todos os estados, está disponível no site do Sinapi.
Componentes do custo de m² de construção
O custo do m² é dividido em dois fatores: mão de obra e materiais.
No levantamento mais recente, os valores estão distribuídos da seguinte forma:
- Materiais: R$ 1.000,94
- Mão de obra: R$ 683,51
De janeiro de 2022 a janeiro de 2023, os materiais encareceram 9,30%.
Já a mão de obra ficou 12,11% mais custosa.
Maiores aumentos
O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), produzido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), esmiúça quais são os principais culpados pelo aumento no valor do m² na construção civil em 2023.
Em relação aos materiais, as maiores altas do ano são de:
- Material para pintura (13,21%)
- Material à base de minerais não metálicos (11,45%)
- Equipamentos para transporte de pessoas (10,82%)
- Revestimentos, louças e pisos (9,09%)
- Produtos químicos (8,37%)
Os aumentos referentes à mão de obra avaliados pela FGV são os seguintes:
- Técnico (12,75%)
- Auxiliar (12,46%)
- Especializado (10,64%)
Além disso, o INCC também dimensiona o aumento no custo de determinados serviços:
- Aluguéis e taxas (8,54%)
- Serviços técnicos (6,87%)
- Serviços pessoais (6,61%)
Tendências para o valor do m² na construção civil
Augusto Oliveira, gerente do Sinapi, avalia que o aumento nos custos está apresentando uma queda no ritmo.
“Neste mês, diversos estados registraram taxas negativas no resultado agregado dos componentes materiais e mão-de-obra”, explica.
“Este quadro teve origem nas quedas captadas nos preços dos materiais, retratando a desaceleração dos índices em alguns estados e, em outros, uma deflação”, finaliza Oliveira.
Visão regional
A região Norte ficou com a maior variação regional em janeiro, apontam os dados do Sinapi: 0,71%.
O IBGE avalia que parte desse aumento nos custos se deve a acordos coletivos firmados em Rondônia e Amazonas.
Rondônia, inclusive, apresentou a maior variação dentre todos os estados (5,67%).
Dinâmica inflacionária
Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), os últimos cinco meses de 2022 foi de desaceleração nos custos com materiais e equipamentos.
Houve até queda em quatro desses meses, sendo que apenas em novembro houve inflação.
“É importante ressaltar a importância desse comportamento do custo com insumos depois de mais de dois anos preocupando a construção civil com fortes elevações”, ressalta a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos.
No entanto, ela destaca que os custos do setor continuam em níveis altos.
“Mesmo diante de variações mais modestas o setor continua com o seu custo elevado”, conclui.
Construção mais cara
Portanto, o valor do metro quadrado na construção civil em 2023 supera – e bastante – o índice de inflação do país.
Ou seja, construir está ficando mais caro, mesmo se levarmos em conta a desvalorização da moeda.
Contudo, a pressão pelo aumento dos custos está apresentando um processo de desaceleração.
E isso deve estabilizar o valor do metro quadrado na construção civil em 2023.
expresso.arq sobre artigo de Gabriel Torres


