O que é a Neuroarquitetura e como ela interfere na criação dos ambientes?

A neuroarquitetura refere-se ao estudo da neurociência aplicada à arquitetura.

Este conceito quando usado tem a capacidade de auxiliar na criação de projetos estratégicos que influenciam positivamente no comportamento das pessoas.

Não é à toa que muitas empresas passaram a aderir ao uso da neuroarquitetura em seus escritórios, visto que a aplicação deste conceito favorece muito a integração, a colaboração e a produtividade de todos os funcionários.

Por isso, se você decorador, designer de interiores ou arquiteto deseja oferecer ao seu cliente esse olhar diferenciado para os futuros projetos, te convidamos a ler este conteúdo até o final.

Você vai entender o conceito de neuroarquitetura, seus benefícios e as diferentes formas que ela pode interferir na criação de um ambiente.

Confira!

1. A neuroarquitetura refere-se ao estudo da neurociência aplicada à arquitetura. Fonte: Pinterest

O que é neuroarquitetura?

A neuroarquitetura é a ciência que estuda os impactos do ambiente nas pessoas.

Isso porque, a composição dos ambientes tem a capacidade de impactar diretamente nossa rotina, de forma a motivar ou desestimular nossa presença no local.

Logo, uma vez aplicada a neuroarquitetura e por meio da combinação de materiais, texturas, cores, iluminação, sons, plantas, dentre outros fatores é possível criar ambientes inteligentes que influenciam positivamente no comportamento das pessoas, proporcionando maior facilidade de concentração, motivação, relaxamento e assim por diante.

Dessa forma, a relação entre neurociência e arquitetura é tão relevante que acaba seguindo para caminhos ainda mais complexos de discussão.

Não é por menos, que um órgão foi criado para validar as constatações científicas da neuroarquitetura, a ANFA – Academy of Neuroscience for Architecture (Academia de Neurociência para Arquitetura). Afinal, há muito o que debater sobre neuroarquitetura.

2. Neuroarquitetura: a relação entre neurociência e arquitetura é tão relevante que acaba seguindo para caminhos ainda mais complexos de discussão. Fonte: Neuroau

Como surgiu a neuroarquitetura?

O termo neuroarquitetura surgiu a partir de pesquisas e descobertas de dois grandes profissionais, o neurocientista Fred Gage e o arquiteto John Paul Eberhard, que juntos foram capazes de atestar que os ambientes possuem poder de transformar certas capacidades e sensações cognitivas do cérebro humano.

Segundo Gage, “as mudanças no entorno mudam o cérebro e, portanto, modificam o nosso comportamento”.

Em suma, o termo “neuroarquitetura” só começou a ser utilizado oficialmente em 2003, em San Diego (Califórnia) a partir da criação de um órgão oficial a ANFA – Academy of Neuroscience for Architecture (Academia de Neurociência para Arquitetura).

Neuroarquitetura: livros e cursos

Com o passar dos anos, inúmeras obras de neuroarquitetura livros foram sendo criadas.

Como é o caso do livro ‘Neuroeducação: Só é possível aprender aquilo que se ama’, escrito por Francisco Mora, e lançado em 2010.

Na obra, por meio de dados que traz a ciência, ele procura analisar como o cérebro interage com o meio que o rodeia no momento da aprendizagem. 

Francisco Mora descreve, por exemplo, os motivos que afirmam que ensinar os estudantes em salas de aula amplas, com grandes janelas e luz natural é melhor e produz mais rendimento que o ensino transmitido em salas apertadas e pobremente iluminadas.

3. Neuroarquitetura: ensinar os estudantes em salas de aula amplas e com muita luz  ajuda aprendizado.

Com relação a neuroarquitetura como curso é possível também encontrar diversos espaços acadêmicos que oferecem aulas profissionalizantes que abordam essa temática, incluindo até os cursos pós-graduação.

Como podemos perceber a aplicação da neuroarquitetura pode melhorar a qualidade de vida das pessoas que residem em casas e apartamentos, que frequentam escolas, hospitais, locais de trabalho e demais instalações. 

Contudo, nos últimos anos, é notável que muitas empresas interessadas em melhorar a performance dos seus funcionários passaram a adotar os conceitos da neuroarquitetura em seus escritórios.

Dessa maneira, vamos compartilhar abaixo algumas formas que a neuroarquitetura pode estar presente no seu projeto corporativo.

1. Crie ambientes de descompressão

Nos últimos anos, inúmeros projetos corporativos passaram a aderir ao uso da neuroarquitetura e, por sua vez, passaram a construção de espaços denominados como ambientes de descompressão.

Isso porque, estes espaços exercem influências diretas no comportamento dos colaboradores, já que eles se sentem mais descontraídos e passam a enxergar a empresa com uma perspectiva mais positiva, resultando em um maior engajamento e sensação de pertencimento de um time.

4. A neuroarquitetura aplicada em projetos corporativos favorece a criação de espaços denominados como ambientes de descompressão. Fonte: Pinterest

2. Intensifique os espaços verdes

Além de estimular o relaxamento e o bem-estar, a presença das plantas nos espaços internos do ambiente corporativo, elas aproximam as pessoas da natureza.

Não é por menos que o uso de plantas é um dos pilares da neuroarquitetura

Jardim vertical natural, vasos suspensos e de chão, floreiras e cachepôs personalizados com frases motivacionais são algumas das ideias criativas que podem ser adotadas pela empresa.

5. Neuroarquitetura: a presença das plantas nos espaços internos dos ambientes corporativos estimulam o relaxamento dos colaboradores. Fonte: Pinterest

3. Valorize áreas com iluminação natural

A neuroarquitetura valoriza áreas com entrada de luz natural, pois além dela estar associada a vantagens positivas sobre o ciclo fisiológico e psicológico das pessoas, ela também ajuda na economia de energia elétrica. 

Na prática procure posicionar mesas e demais móveis do escritório próximos a janelas amplas e, caso o projeto de construção ainda esteja em andamento, incentive a criação de claraboias e aberturas horizontais nas salas corporativas.

6. A neuroarquitetura favorece áreas com entrada de luz natural. Projeto por T2 Arquitetura

4. Use a paleta de cores a seu favor

As cores certamente são responsáveis por transformar a atmosfera de um ambiente, uma vez que elas têm a capacidade de intensificar emoções e ações nas pessoas.

No escritório a psicologia das cores quando usada de forma inteligente também pode ajudar na produtividade dos funcionários, ou seja, o ambiente corporativo não precisa ter uma cor única nas paredes.

Na prática, procure aliar a neuroarquitetura e o círculo cromático para delimitar áreas específicas do ambiente corporativo.

Abaixo separamos algumas cores e os efeitos e sensações que despertam nas pessoas:

  • Branco: traz paz e remete a sabedoria, porém seu uso em excesso pode gerar sensação de vazio e tensão, já que é um tom muito usado em hospitais e salas de saúde;
  • Amarelo: remete a alegria e criatividade, porém seu uso em excesso pode aumentar a ansiedade;
  • Azul: traz calma, harmonia, estabilidade e remete ao tom da tecnologia, não é por menos que é uma cor muito usada em empresas digitais;
  • Vermelho: está associado ao batimento cardíaco, por isso traz sensação de agilidade e pulsação. Contudo, seu uso em excesso pode gerar impaciência e irritação.
7. Neuroarquitetura: o ambiente corporativo não precisa ter uma cor única nas paredes. Projeto por Liliana Zenaro

5. Melhore a acústica do escritório

A neuroarquitetura também se preocupa com a acústica do ambiente a ser projetado.

Isso porque, o nível de ruído tem a capacidade de influenciar diretamente na concentração e humor das pessoas.

Vale comentar que no Brasil não existe uma norma específica de acústica para escritórios.

Dessa forma, utiliza-se base a Norma Brasileira 10152 sobre conforto acústico interno em edificações conforme o uso.

Neste contexto, escritórios coletivos, recepções e salas de espera, os níveis podem variar entre 45 dB e 50 dB, pois quantidades acima desses níveis podem resultar em alterações de humor e irritabilidade.

8. A neuroarquitetura também se preocupa com a acústica do ambiente a ser projetado. Projeto por T2 Arquitetura

Expresso.arq com informações de VivaDecoraPRO

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