Casas inteligentes podem melhorar a ansiedade e o humor dos pets; entenda

Os pets já somam cerca de 168 milhões no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Cães e gatos, por exemplo, estão em mais da metade dos lares brasileiros, o que coloca o Brasil na terceira posição no ranking global de faturamento no setor, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Não é à toa que o segmento está em constante evolução para atender a demanda dos tutores que visam dar qualidade de vida aos bichinhos.

Com a ausência dos humanos, os animais podem sofrer com ansiedade de separação, especialmente se nunca passaram muito tempo longe deles.

“Ficar por muitas horas sozinho pode levar a problemas comportamentais, como latidos excessivos, destruição de objetos e até depressão. Alguns pets podem desenvolver problemas de saúde como hipoglicemia ou desidratação”, afirma a veterinária Monique Rodrigues, CEO e fundadora da Clinicão.

Como uma boa parte dos pets – cerca de 30% – foram adotados durante a pandemia, uma preocupação surgiu entre os tutores que tiveram de voltar ao trabalho presencial: alguns bichanos não foram acostumados a ficar sozinhos dentro de casa.

Deixe brinquedos interativos na casa para tentar manter o animal ocupado e estimulado — Foto: Freepik / Creative Commons
Deixe brinquedos interativos na casa para tentar manter o animal ocupado e estimulado — Foto: Freepik / Creative Commons

A automação residencial, que vem crescendo muito nos últimos anos, entra nesse cenário para contribuir muito além de acender as luzes sem precisar se levantar.

“A conectividade de uma casa inteligente é algo que vai se tornar tão comum e necessário quanto o Wi-Fi em um futuro muito próximo”, prevê Alessandro Campos, diretor de marketing da TP-Link Brasil, empresa que possui um ecossistema residencial de aparelhos gerenciados à distância.

Monitoramento por câmeras

O uso de câmeras de monitoramento ajuda a acompanhar o que o animal está fazendo. “Para o tutor que fica preocupado com o pet, uma saída é checar as câmeras para verificar se ele dormiu, brincou e relaxou”, comenta Fernanda Gutierrez, médica-veterinária e visitadora técnica da DrogaVET, rede de farmácias de manipulação veterinária.

Câmeras de monitoramento ajudam o tutor a acompanhar o que seu animal está fazendo e até interagir com ele — Foto: Unsplash / Ifer Endahl / Creative Commons
Câmeras de monitoramento ajudam o tutor a acompanhar o que seu animal está fazendo e até interagir com ele — Foto: Unsplash / Ifer Endahl / Creative Commons

Além do acompanhamento, alguns modelos permitem interagir com os animais, oferecendo tranquilidade e reduzindo a ansiedade proveniente da separação.

Se os filhotes necessitem ficar em áreas concentradas, as câmeras também são capazes de disparar alertas ou alarmes – ideal para dar mais segurança em áreas com piscina, por exemplo. E, como as imagens podem ser gravadas, podem gerar muita diversão e curiosidades da rotina dos bichinhos ao longo do dia.

Lâmpadas inteligentes

Naqueles dias em que é preciso ficar até mais tarde no trabalho ou o trânsito é motivo para atrasar a chegada em casa, a lâmpada inteligente pode ser uma ferramenta valiosa.

Para aqueles bichanos que ficam ansiosos ou desconfortáveis no escuro, a iluminação pode ser ajustada automaticamente para acender e apagar em horários específicos à distância.

Lâmpadas inteligentes, que acendem e apagam em horários específicos à distância, podem dar conforto ao pet que se sente desconfortável no escuro — Foto: Freepik / Creative Commons
Lâmpadas inteligentes, que acendem e apagam em horários específicos à distância, podem dar conforto ao pet que se sente desconfortável no escuro — Foto: Freepik / Creative Commons

Para pets que necessitam de mais exposição à luz durante o dia, especialmente aqueles que passam muito tempo em ambientes internos, as lâmpadas inteligentes podem ser programadas para replicar a luz natural, ajudando a manter o ritmo circadiano saudável.

Esse controle preciso sobre a iluminação não só pode melhorar o humor do pet, mas também auxiliar na prevenção de problemas de comportamento associados ao estresse e à ansiedade.

Tomadas smart

As tomadas inteligentes também são opção para melhorar o bem-estar do bicho e economizar energia. Por exemplo, para tomar água fresca, com momentos programados para o dispenser de água; e para controlar o clima do ambiente ao acionar o ar-condicionado.

Para os animais que se sentem solitários em períodos mais longos, ligar a TV ou um rádio à distância por tomadas smart pode proporcionar conforto — Foto: Unsplash / Brina Blum / Creative Commons
Para os animais que se sentem solitários em períodos mais longos, ligar a TV ou um rádio à distância por tomadas smart pode proporcionar conforto — Foto: Unsplash / Brina Blum / Creative Commons

Além disso, para os bichinhos que se sentem solitários em períodos mais longos, ligar a TV ou um rádio à distância poderá auxiliar nesse momento de separação, principalmente para os pets que vivem em apartamento.

“Deixar a televisão ligada ou uma música tocando com volume baixo, pode servir de distração para o animal. Hoje existem canais de televisão com programação para os pets, porém é preciso avaliar previamente se ele se sente confortável com o som ou não. Alguns podem ficar mais ansiosos”, explica Fernanda.

Alimentador Wi-Fi

A alimentação é um fator primordial e gera preocupações para os tutores que trabalham fora e deixam o pets sozinhos durante o dia. Essa tarefa pode ser automatizada com alimentadores que funcionam por Wi-Fi. Com eles, é possível agendar os horários das refeições, saber o nível de estoque de ração e até interagir com mensagens por voz.

Com os alimentadores automáticos controlados por Wi-Fi é possível agendar os horários de comida do animal e saber o nível de estoque de ração — Foto: Freepik / Creative Commons
Com os alimentadores automáticos controlados por Wi-Fi é possível agendar os horários de comida do animal e saber o nível de estoque de ração — Foto: Freepik / Creative Commons

“Alimentadores automáticos vão garantir que o pet receba a quantidade certa de alimento no horário em que está acostumado, lembrando que a rotina é muito importante para eles”, orienta Fernanda.

Temperatura ideal

Temperaturas extremas, tanto baixas quanto altas, podem representar riscos significativos para a saúde e bem-estar dos pets convencionais e exóticos, como tartarugas, lagartos, serpentes, aves, coelhos, hamsters, porquinho-da-índia, furões e peixes, entre outros.

Para evitar problemas de saúde para os animais, existem monitores que detectam temperatura e umidade em tempo real com precisão.

Monitores que detectam temperatura e umidade em tempo real são boas ferramentas para controlar o ambiente e dar conforto térmico aos pets — Foto: Freepik / Creative Commons
Monitores que detectam temperatura e umidade em tempo real são boas ferramentas para controlar o ambiente e dar conforto térmico aos pets — Foto: Freepik / Creative Commons

Isso é importante porque em condições de frio intenso os animais podem sofrer de hipotermia, especialmente aqueles com pelos curtos, idosos ou com condições de saúde pré-existentes, pois têm menos capacidade de manter o calor corporal. Por outro lado, o calor excessivo pode levar aumento da temperatura corporal e desidratação, dando sinais de estresse térmico.

Mais dicas

Além dos aparelhos tecnológicos, algumas atitudes podem amenizar a ansiedade causada pela ausência dos tutores em casa. Confira as dicas de Fernanda:

  • Em primeiro lugar, essa separação deve, se possível, ser feita aos poucos. Comece com períodos curtos e depois vá aumentando gradativamente o tempo longe de casa. Isso vai ajudar o animal a ir se acostumando com a situação.
  • Crie uma rotina de alimentação, passeios e interações com o pet. Deixe brinquedos interativos na casa para tentar manter o animal ocupado e estimulado.
  • Tente passear antes de ir ao trabalho e quando chegar em casa e tire um tempo para brincadeiras.
  • Uma boa opção são os cuidadores ou dog walkers, que fazem visitas durante o dia ou passeiam com seu pet em horários combinados.
  • Deixe um ambiente confortável em casa e evite despedidas dramáticas, pois isso pode aumentar a ansiedade do pet.

Tempo de ausência

Em relação ao tempo de ausência, Monique afirma que não é todo cão que vai ficar bem depois de oito horas sem companhia. Deve-se sempre avaliar a saúde, o temperamento e a idade para determinar quanto tempo ele poderá ficar sozinho.

Segundo ela, filhotes não devem ficar mais de duas horas, enquanto cães adultos podem suportar até seis horas. Pets com idade mais avançada não devem passar muito tempo sozinhos.

Para o pet que passa o dia sozinho, a adoção de outro animal para fazer companhia deve ser considerada — Foto: Freepik / Creative Commons
Para o pet que passa o dia sozinho, a adoção de outro animal para fazer companhia deve ser considerada — Foto: Freepik / Creative Commons

“Por isso, antes de adotar ou comprar um cão, deve-se analisar vários fatores, como seu estilo de vida, tempo disponível, além de condições financeiras, ambiente e espaço a ser proporcionado. O amor e atenção devem ter um forte impacto na adoção responsável”, diz ela.

Para Fernanda, vale considerar adotar outro pet para fazer companhia, desde que o animal seja sociável e aprecie estar com outros bichos. “Essa convivência colabora com a saúde emocional, sem contar que a adoção de um pet vai fazer a diferença na vida dele”, afirma.

expresso.arq com informações Rosana Ferreira

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