Estudantes de SC são premiados em concurso arquitetônico na Tanzânia

Premiada com o segundo lugar no concurso “Earth Architecture Competition”, promovido pela ONG C-re-aid, a escola primária de Moshi, na Tanzânia, desenvolvida por uma equipe de estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina, visa impulsionar a educação e a sustentabilidade como uma forma de integração, espacial e social à realidade local.

As diferenças de nível e comprimento dos canteiros horizontais permitem maior segurança no ambiente escolar, mas ainda mantém sua conexão com a rua.

A escola desenvolve-se a partir de um corredor central que revela muitos ambientes distintos, permitindo às crianças desenvolverem-se de forma criativa e se identificarem com o ambiente, comentam Ana Luísa Schoenell, João Victor Ortiz, Julia Stopasolla Copat e Mariana Bruggmann Spricigo Pfleger, autores do projeto. O programa está dividido em blocos, com salas de aula e serviços que se conectam a este corredor central, de forma a promover a integração física e visual entre todos os ambientes. 

A materialidade da construção surge como um forte partido, em que a lógica modular e a utilização dos blocos de terra comprimida (BTC) como principal elemento estrutural, facilita a construção, desenvolvendo uma proposta de projeto mais sustentável e coerente para o orçamento limitado.

O desenho da escola consiste em três módulos completos, que constituem as salas de aula, e dois meios módulos, que constituem os blocos de serviços.

A proposta de distribuição intercalada dos blocos contribui para a independência da comunidade, devido à possibilidade de realizar a construção em etapas.

A modularidade do projeto permite maior liberdade para replicação em vários arranjos.

A estrutura principal está apoiada em uma laje de concreto e é composta por pilares de BTC em formato de “C”, travados por uma viga de concreto.

A cobertura é sustentada pelas paredes estruturais de terra e por pilares de madeira, que delimitam o corredor central do projeto.

As madeiras mais finas foram combinadas em uma estrutura composta mais resistente, proporcionando uma economia de material.

Isométrica

Os fechamentos compõem uma linguagem mais leve: um brise de bambu cobre a estrutura do telhado evitando a incidência solar direta, um forro de palha reveste as salas, melhorando o aspecto acústico e visual, e as janelas de madeira em forma de veneziana, quando fechadas, protegem da radiação solar direta e, quando abertas, atuam como um brise horizontal.

Além disso, a projeção dos pilares de BTC na fachada faz com que a parede da escola funcione como um brise horizontal.

Os telhados foram projetados para proteger a escola do sol do meio-dia, e ao mesmo tempo permitir a entrada do sol da manhã pelas aberturas zenitais no lado leste do conjunto. Além disso, direcionam a água das chuvas que incidem sobre os blocos de salas de aula para os jardins laterais e a água dos blocos de serviços para as calhas, permitindo a captação de água para reutilização em atividades como irrigação do jardim e limpeza da escola.

Estratégias climáticas

Por fim, as aberturas generosas com proteção solar em forma de venezianas e cobogós, juntamente das aberturas laterais da cobertura, revestidas com ripas de bambu, permitem ampla ventilação e um ótimo controle lumínico.

FICHA TÉCNICA
Nome: 
Escola Primária de Terra na Tanzânia
Autores: Ana Luísa Schoenell, João Victor Ortiz, Julia Stopasolla Copat e Mariana Bruggmann Spricigo Pfleger
Colaboradores: Ricardo Socas Wiese e Carlos Eduardo Verzola Vaz
Ano: 2020
Área: 400m² 
Localização: Moshi, Tanzânia

Expresso.arq com informações ArchDaily Brasil / Fotos: Cortesia

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