Como são formados os granitos e os mármores? Por que são sustentáveis?
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Muito valorizadas em projetos de arquitetura, as pedras naturais são consideradas recursos naturais não-renováveis, pois levam milhares de anos para se formar. Por muito tempo, essa classificação levou à má fama de que esse material não seria uma opção sustentável de revestimento para o design de interiores.
No entanto, segundo o engenheiro Paulo Giafarov, consultor de pedras ornamentais brasileiras, estudos realizados na Alemanha demonstram que as pedras naturais são os revestimentos que causam o menor nível de poluição. “Na produção de cada 1 m² de pedra é gerado apenas de 20% a 30% do CO² emitido na fabricação da mesma quantidade de cerâmica”, ele afirma.
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Existem mais de 800 jazidas em operação no Brasil. Vale reforçar que, para abrir uma jazida de pedra, existe uma legislação ambiental rigorosa, que deve ser seguida pela empresa, incluindo o reflorestamento de áreas. Antes de abordar sua extração, é necessário dar alguns passos atrás e compreender o processo de formação dessas rochas.
Formação de granitos e mármores
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O ciclo de formação das rochas é um fenômeno intrigantes da natureza, que envolve desde os movimentos das placas tectônicas aos processos erosivos. Hoje, as rochas naturais são divididas em três tipos principais.
- Rochas ígneas: formadas a partir do resfriamento do magma pastoso no interior da Terra. Um exemplo conhecido é o granito, cuja beleza e resistência são altamente valorizados no segmento de decoração e arquitetura.
- Rochas sedimentares: resultantes do desgaste e fragmentação de outras rochas, são carregadas pela erosão e depositadas em camadas. O ônix é um exemplo de rocha sedimentar conhecida por sua aparência única e elegante.
- Rochas metamórficas: originadas da transformação de outras rochas sob altas temperaturas e pressões. O mármore é uma rocha metamórfica apreciada por sua sofisticação.
“Tudo começa no interior da Terra, onde o magma é expelido por meio da atividade vulcânica. Ao chegar à superfície, sofre resfriamento e solidificação. Com o resfriamento do magma, a massa mineral presente nele cristaliza e dá origem às rochas ígneas”, conta Filipe Ravera, diretor da Gramarcal.
“Após o processo de erosão, que pode ser causado pela ação da água e do vento, os sedimentos são depositados em camadas nas bacias sedimentares, iniciando a formação das rochas sedimentares. Com o tempo, elas são enterradas e submetidas a processos químicos e físicos, como aumento de temperatura e pressão, que levam à transformação e formação de rochas metamórficas”, ele completa.
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Mesmo após a transformação, a temperatura continua atuando na superfície das rochas metamórficas, podendo resultar em fusão do magma e, consequentemente, na formação de novas rochas ígneas. Milhões de anos depois, o ciclo se reinicia.
Extração dos granitos e mármores
O processo de extração e tratamento das rochas é considerado limpo, porque segue normas ambientais rigorosas no Brasil. “Deve usar 98% da água de chuva e de reúso e energia solar na máquina de corte; compensar a taxa de carbono com o plantio de árvores e aproveitar totalmente o material, inclusive os resíduos, usados pela indústria de cerâmica. A pedra não é uma solução provisória. Pode ser restaurada em vez de trocada. Não gera entulho”, explica a arquiteta Vivian Coser.
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Somente no Espírito Santo, há 1.600 empresas de beneficiamento que trabalham com o reaproveitamento da água em circuito fechado e unidade de tratamento.
“Os resíduos [pó de pedra que sai da serra usada no corte e da máquina de polimento] são desidratados, prensados e guardados em depósito coletivo licenciado pelo estado para serem utilizados em indústrias de outros segmentos, como a de porcelanato”, diz Tales Machado, presidente do CentroRochas.
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As pedras nacionais preferidas dos arquitetos são os quartzitos, por serem mais resistentes do que os granitos e tão bonitos como os mármores. “Devido às características morfológicas, são mais duros, mas têm o aspecto decorativo do mármore, com desenhos de veios e diversas cores. Dá para usá-los em bancadas e pisos, diferentemente dos mármores, que são moles e porosos”, afirma o arquiteto Diego Revollo.
Os granitos existem em maior quantidade e têm preços mais competitivos. Muito valorizados, os mármores são mais explorados no sul do país, e divididos em dois grupos: os carbonáticos e os dolomíticos, que são mais resistentes porque têm mais magnésio na composição.

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