Como são formados os granitos e os mármores? Por que são sustentáveis?

O granito e o mármore são rochas naturais amplamente utilizados como revestimentos em projetos de arquitetura e decoração, e considerados mais sustentáveis
O granito e o mármore são rochas naturais amplamente utilizados como revestimentos em projetos de arquitetura e decoração, e considerados mais sustentáveis — Foto: Pexels / Edward Jenner / Creative Commons

Muito valorizadas em projetos de arquitetura, as pedras naturais são consideradas recursos naturais não-renováveis, pois levam milhares de anos para se formar. Por muito tempo, essa classificação levou à má fama de que esse material não seria uma opção sustentável de revestimento para o design de interiores.

No entanto, segundo o engenheiro Paulo Giafarov, consultor de pedras ornamentais brasileiras, estudos realizados na Alemanha demonstram que as pedras naturais são os revestimentos que causam o menor nível de poluição. “Na produção de cada 1 m² de pedra é gerado apenas de 20% a 30% do CO² emitido na fabricação da mesma quantidade de cerâmica”, ele afirma.

No projeto do Studio LIM e da designer de interiores Raquel Triboni, mármore Michelangelo Nuvolato, com gabinete e bancadas de resina da Vallvé, metais da Deca e banheira da Interbagno — Foto: Ruy Teixeira / Divulgação
No projeto do Studio LIM e da designer de interiores Raquel Triboni, mármore Michelangelo Nuvolato, com gabinete e bancadas de resina da Vallvé, metais da Deca e banheira da Interbagno — Foto: Ruy Teixeira / Divulgação

Existem mais de 800 jazidas em operação no Brasil. Vale reforçar que, para abrir uma jazida de pedra, existe uma legislação ambiental rigorosa, que deve ser seguida pela empresa, incluindo o reflorestamento de áreas. Antes de abordar sua extração, é necessário dar alguns passos atrás e compreender o processo de formação dessas rochas.

Formação de granitos e mármores

Na pedreira de mármore da Gramarcal, é possível ver os veios tão valorizados na pedra natural — Foto: Gramarcal / Divulgação
Na pedreira de mármore da Gramarcal, é possível ver os veios tão valorizados na pedra natural — Foto: Gramarcal / Divulgação

O ciclo de formação das rochas é um fenômeno intrigantes da natureza, que envolve desde os movimentos das placas tectônicas aos processos erosivos. Hoje, as rochas naturais são divididas em três tipos principais.

  • Rochas ígneas: formadas a partir do resfriamento do magma pastoso no interior da Terra. Um exemplo conhecido é o granito, cuja beleza e resistência são altamente valorizados no segmento de decoração e arquitetura.
  • Rochas sedimentares: resultantes do desgaste e fragmentação de outras rochas, são carregadas pela erosão e depositadas em camadas. O ônix é um exemplo de rocha sedimentar conhecida por sua aparência única e elegante.
  • Rochas metamórficas: originadas da transformação de outras rochas sob altas temperaturas e pressões. O mármore é uma rocha metamórfica apreciada por sua sofisticação.

“Tudo começa no interior da Terra, onde o magma é expelido por meio da atividade vulcânica. Ao chegar à superfície, sofre resfriamento e solidificação. Com o resfriamento do magma, a massa mineral presente nele cristaliza e dá origem às rochas ígneas”, conta Filipe Ravera, diretor da Gramarcal.

Ciclo de formação das rochas ígneas, sedimentares e metamórficas — Foto: Gramarcal / Divulgação
Ciclo de formação das rochas ígneas, sedimentares e metamórficas — Foto: Gramarcal / Divulgação

“Após o processo de erosão, que pode ser causado pela ação da água e do vento, os sedimentos são depositados em camadas nas bacias sedimentares, iniciando a formação das rochas sedimentares. Com o tempo, elas são enterradas e submetidas a processos químicos e físicos, como aumento de temperatura e pressão, que levam à transformação e formação de rochas metamórficas”, ele completa.

A extração de mármore deve seguir uma forte legislação ambiental no Brasil — Foto: Gramarcal / Divulgação
A extração de mármore deve seguir uma forte legislação ambiental no Brasil — Foto: Gramarcal / Divulgação

Mesmo após a transformação, a temperatura continua atuando na superfície das rochas metamórficas, podendo resultar em fusão do magma e, consequentemente, na formação de novas rochas ígneas. Milhões de anos depois, o ciclo se reinicia.

Extração dos granitos e mármores

O processo de extração e tratamento das rochas é considerado limpo, porque segue normas ambientais rigorosas no Brasil. “Deve usar 98% da água de chuva e de reúso e energia solar na máquina de corte; compensar a taxa de carbono com o plantio de árvores e aproveitar totalmente o material, inclusive os resíduos, usados pela indústria de cerâmica. A pedra não é uma solução provisória. Pode ser restaurada em vez de trocada. Não gera entulho”, explica a arquiteta Vivian Coser.

No projeto do escritório Rauen Garbers, a bancada tem um tampo de madeira ebanizada engastado no bloco de mármore, como se estivesse flutuando — Foto: Eduardo Macarios / Divulgação
No projeto do escritório Rauen Garbers, a bancada tem um tampo de madeira ebanizada engastado no bloco de mármore, como se estivesse flutuando — Foto: Eduardo Macarios / Divulgação

Somente no Espírito Santo, há 1.600 empresas de beneficiamento que trabalham com o reaproveitamento da água em circuito fechado e unidade de tratamento.

“Os resíduos [pó de pedra que sai da serra usada no corte e da máquina de polimento] são desidratados, prensados e guardados em depósito coletivo licenciado pelo estado para serem utilizados em indústrias de outros segmentos, como a de porcelanato”, diz Tales Machado, presidente do CentroRochas.

No projeto do escritório Play Arquitetura, a bancada de quartzito verde-bambu foi executada pela Marmoraria Savassi — Foto: Jomar Bragança / Editora Globo
No projeto do escritório Play Arquitetura, a bancada de quartzito verde-bambu foi executada pela Marmoraria Savassi — Foto: Jomar Bragança / Editora Globo

As pedras nacionais preferidas dos arquitetos são os quartzitos, por serem mais resistentes do que os granitos e tão bonitos como os mármores. “Devido às características morfológicas, são mais duros, mas têm o aspecto decorativo do mármore, com desenhos de veios e diversas cores. Dá para usá-los em bancadas e pisos, diferentemente dos mármores, que são moles e porosos”, afirma o arquiteto Diego Revollo.

Os granitos existem em maior quantidade e têm preços mais competitivos. Muito valorizados, os mármores são mais explorados no sul do país, e divididos em dois grupos: os carbonáticos e os dolomíticos, que são mais resistentes porque têm mais magnésio na composição.

expresso.arq com informações de Aline Melo

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