Por que os bueiros são redondos? Qual a importância deles para as cidades?
Ao andar pelas ruas de qualquer cidade, talvez você já tenha se perguntado: por que bueiros são redondos? Na verdade, as tampas metálicas redondas que vemos nas vias públicas são poços de visita. Ou seja, acessos para manutenções à rede subterrânea de drenagem, gás e telefonia, sem que haja a necessidade de se escavar o solo.
A principal razão para serem redondas, em todo o mundo, é simplesmente geométrica. Como a tampa é um pouco maior que o buraco, ela não cairá, independente da direção que você a apoie. Já tampas quadradas ou retangulares, quando rotacionadas, podem desabar no buraco diagonalmente.
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O formato circular também torna as tampas mais fáceis de manusear, já que elas podem ser empurradas como rodas. Além disso, o círculo é um formato mais eficiente.
Um quadrado ocupa uma superfície maior para o mesmo diâmetro (é a mesma lógica das mesas redondas ou ovais no design de interiores). O último motivo, não menos relevante, é que, normalmente, os buracos são feitos por ferramentas rotacionais, como furadeiras gigantes, que geram formas circulares.
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Outra característica interessante das tampas dos poços de visita é o material, tradicionalmente ferro fundido, o que permite criar desenhos com o relevo. É um clássico de São Paulo a tampa da Telesp, com o logo de três telefones no centro.
Em Seattle, nos Estados Unidos, por exemplo, as tampas contam com o mapa da cidade. Já no Japão, são encaradas como telas em branco para a arte urbana e cada cidade traz desenhos de artistas locais.
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Em São Paulo, no entanto, aos poucos, as tampas redondas de ferro fundido estão começando a desaparecer. Desde 2021, a prefeitura vem fazendo a substituição por tampas de concreto, que acompanham os movimentos do asfalto, evitando desnível entre a via pública e os poços de visita.
Qual a diferença entre bueiro, boca de lobo e poço de visita?
Apesar de chamarmos popularmente tudo de bueiro, esse termo só é válido para as aberturas retangulares entre a rua e a calçada, destinadas à captação das águas da chuva, como explica a urbanista Regina Faria, conselheira federal do CAU/BR – Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Ou seja, bueiros, na verdade, não são redondos! Redondos são apenas os poços de visita.
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Já a boca de lobo, sim, é um sinônimo de bueiro. O termo é popularmente usado em algumas regiões do Brasil e está correto, designando também as aberturas para captação das águas pluviais. “A função básica dos bueiros, também chamado bocas de lobo, é impedir que as vias alaguem durante as chuvas”, explica Regina.
A água captada ali cai em um sistema subterrâneo de galerias pluviais que atravessa a cidade até desaguar em um riacho ou rio. Vale ressaltar que o bueiro não dá acesso ao esgoto.
A importância dos bueiros para as cidades
Claudia destaca a importância dos bueiros no Brasil, em um contexto de cidades cada vez mais impermeáveis e chuvas cada vez mais imprevisíveis, devido às mudanças climáticas.
“Os bueiros são fundamentais porque as cidades brasileiras são muito cimentadas, inclusive em áreas onde antes havia rios. Além do asfalto das ruas, as casas não contém mais quintais, as calçadas não têm permeabilidade, há poucos parques e praças”, diz a urbanista. Então, a única solução para a água da chuva é encontrar as galerias pluviais subterrâneas.
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Esse cenário é resultado de políticas públicas equivocadas, principalmente nas décadas de 1970 e 1980, quando o Brasil passou por um intenso processo de urbanização, com incentivo para canalização dos rios.
Quando os bueiros estão entupidos por resíduos e a água não encontra essa saída, o terrível resultado são alagamentos. As prefeituras são responsáveis pela limpeza e manutenção desses escoadouros.
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São Paulo, a maior cidade do Brasil, tem, segundo a prefeitura, 400 mil bueiros, 57 mil poços de visita e 2.850 quilômetros de galerias subterrâneas.
A cidade é pioneira nos bueiros inteligentes, solução já aplicada em outros locais do Brasil. Trata-se de um cesto acoplado ao bueiro que filtra os resíduos. “Assim, a água segue mais limpa. No futuro, esperamos que todos os bueiros sejam inteligentes”, deseja Regina.
expresso.arq com informações de Maria Silvia Ferraz


