Empreendedores criam couro inovador e sustentável à base de cacto
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Soluções inovadoras em setores, como o design e a moda, são uma crescente.
Um exemplo disso é o couro feito à base de cacto pelos mexicanos Adrián López Velarde e Marte Cázarez, que desenvolveram uma alternativa unindo a sustentabilidade com uma estética contemporânea.
Os produtos com esse novo tipo de material variam desde sofás e cadeiras até bolsas e sapatos.
Mas além da beleza das peças com tons vibrantes, o protagonista é a sua matéria-prima, o cacto nopal.
Foram 2 anos de pesquisas feitas pelos empreendedores que visavam a criação de uma peça com baixo impacto ambiental.
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Por que a escolha do cacto?
O interesse na planta cientificamente chamada Opuntia ficus-indica é baseado em diversas particularidades do vegetal.
O primeiro ponto é a capacidade do nopal de crescer em regiões secas e com solo precário.
Com isso, essa espécie pode ser usada até mesmo para restaurar ambientes já degradados.
Conforme um estudo realizado pela Universidade de Nevada, a Opuntia ficus-indica é mais resiliente às mudanças climáticas do que a Agave, por exemplo.
Outra característica marcante da planta é a sua resistência a temperaturas altas – embora necessite de rega após longos períodos sem chuva.
“Escolhemos o cacto como matéria-prima porque ele precisa de apenas 200 L de água para o crescimento de 1 kg de biomassa. Enquanto isso, outros vegetais precisam de uma média de 1000 L para se desenvolverem na mesma unidade”, explica Adrián.
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A consequência disso é a redução do uso de água. “Ainda, a planta absorve o líquido pela umidade presente na atmosfera, então não há a necessidade de irrigações”, comenta.
Além do nopal ser muito simbólico para a população mexicana, o vegetal cresce naturalmente na região, sem a necessidade de produtos químicos tóxicos.
Criação dos produtos com o couro de nopal
Além de móveis e acessórios de moda, o couro feito do cacto nopal também é usado no interior de automóveis.
Durante a pesquisa para saber se a espécie era uma boa alternativa para a criação da matéria-prima, Adrián explica que ele e Marte descobriram como usar as proteínas, as fibras, hemiceluloses e as celuloses da planta para fazer um material que substituísse o plástico.
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“Com isso, decidimos aplicar essa tecnologia na produção de couro à base de plantas, porque é algo que também pode salvar as vidas animais”, ele destaca.
Todo esse processo se transformou na formação do projeto Desserto, no qual alguns dos objetivos é oferecer opções sustentáveis e cruelty-free (livre de crueldade animal).
“No processo de nossa patente, as folhas maduras são colhidas, higienizadas, entrelaçadas e secas de forma natural.
Em seguida, extraímos as proteínas e as fibras que se transformam em um líquido e, depois, torna-se um material semelhante ao couro”, descreve Adrián.
A ação conta com análises sobre seu impacto ambiental, a partir do método chamado Avaliação do Ciclo de Vida (LCA , na sigla em inglês).
Um dos dados mostra que em apenas 14 hectares de plantações orgânicas de cactos são absorvidos pouco mais de 8 mil toneladas de CO₂, enquanto o cultivo da planta na fazenda para a produção do couro sustentável gera 15,30 toneladas do dióxido de carbono.
“Estamos ajudando a reduzir o uso de plásticos em várias indústrias, além de estimular
expresso.arq com informações de Jennifer de Carvalho


