Como este projeto está despoluindo a Baía de Guanabara

Barreira sendo colocada na Prainha, na Ilha do Fundão, para conter o lixo flutuante — Foto: Ana Vitória Villar/Divulgação
Barreira sendo colocada na Prainha, na Ilha do Fundão, para conter o lixo flutuante — Foto: Ana Vitória Villar/Divulgação

poluição na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro – que recebe cerca de 80 toneladas de lixo por dia – vindas de rios que desaguam lá – vem sendo combatida com iniciativas socioambientais como o projeto Orla Sem Lixo. A iniciativa – vinculada à Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – recolhe detritos que se acumulam na Prainha e na Orla da Enseada da Ilha do Fundão.

Em entrevista exclusiva, a coordenadora do projeto e professora do Departamento de Recursos Hídricos e Meio Ambiente da Politécnica-UFRJ., Susana Beatriz Vinzon, conta o que vem sendo realizado, o envolvimento da comunidade e os próximos passos na luta pela despoluição do local.

Integrantes do Orla sem Lixo levando a barreira para a água — Foto: Ana Vitória Villar/Divulgação
Integrantes do Orla sem Lixo levando a barreira para a água — Foto: Ana Vitória Villar/Divulgação

Susana explica que o objetivo é a recuperação ambiental em duas áreas piloto. “A Enseada do Fundão, que é um ambiente de praia e restinga, e a Enseada de Bom Jesus, um manguezal. Estamos trabalhando no desenvolvimento de barreiras, como meio efetivo de recolher o lixo que já está na Baia de Guanabara e também proteger áreas de Orla do impacto do lixo flutuante. O projeto prevê a interceptação, coleta, transporte, desembarque e destinação desse lixo, incluindo reciclagem“.

Uma barreira de aproximadamente 250 metros – produzida com material doado pela empresa Huesker, que fabrica geossintéticos para aplicações de engenharia – foi colocada no início de junho em um trecho da Prainha, para impedir a passagem de lixo e garantir a subsistência de pescadores da região. Os flutuadores são feitos de ráfia e recheados de isopor reciclado de empresas fabricantes de pranchas de surf.

Área de manguezal também sofre com acúmulo de lixo — Foto: Reprodução/Instagram @orlasemlixo
Área de manguezal também sofre com acúmulo de lixo — Foto: Reprodução/Instagram @orlasemlixo

“Estamos focados na tecnologia das barreiras e são feitas coletas para pesquisa, pois ainda não há recolhimento de quantidades expressivas do lixo. Uma unidade experimental de reciclagem está testando esse material e avaliando o potencial da pirólise, uma reciclagem química (que transforma materiais plásticos em óleo combustível bruto)”, diz a coordenadora.

Área da orla sendo limpa — Foto: Reprodução/Instagram @orlasemlixo
Área da orla sendo limpa — Foto: Reprodução/Instagram @orlasemlixo

Ela relembra que o Orla sem Lixo começou a ser idealizado em 2019 e teve início em setembro de 2021, com recursos da UFRJ e, com o passar dos anos, desenvolveu parcerias com as comunidades de pesca da Ilha, recebendo apoio do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), entre outros.

A expectativa é de que a situação por lá melhore em quatro anos — Foto: Reprodução/Instagram @orlasemlixo
A expectativa é de que a situação por lá melhore em quatro anos — Foto: Reprodução/Instagram @orlasemlixo

A equipe é variada. “É um projeto acadêmico, orgânico, que vai se organizando em diferentes frentes de trabalho. Ao todo o projeto tem em torno de 100 integrantes. É composta por professores e alunos nos diversos níveis, da graduação à pós, e integrantes de duas comunidades de pesca da Ilha do Fundão. Contamos também com a participação de professores de outros Institutos de Nível Superior como a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade Estadual do Rio (UERJ) e o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ)”.

Parte do lixo que chega à Ilha do Fundão pela Baía de Guanabara — Foto: Reprodução/Instagram @orlasemlixo
Parte do lixo que chega à Ilha do Fundão pela Baía de Guanabara — Foto: Reprodução/Instagram @orlasemlixo

A despoluição do local é considerada fundamental para abrir caminho para a recuperação ambiental da região e a implantação do Parque da Orla, previsto no Plano Diretor 2030 da UFRJ. Susana afirma que os moradores aprovam o projeto. “Os frequentadores da Orla da Enseada do Fundão ficam muito felizes com a iniciativa”.

expresso.arq com informações de Jonathan Pereira

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.
Ops! Captcha inválido, por favor verifique se o captcha está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.