Quem dorme menos de 5 horas por dia pode estar mais suscetível à depressão
Segundo a Organização Mundial da Saúde, 3,8% da população mundial sofre de depressão. Aqui no Brasil, a proporção sobe para 5,8% – o equivalente a 11,7 milhões de brasileiros – números muito significativos para serem ignorados.
É justamente por isso que a comunidade científica tem se dedicado a explorar o tema. Foi o caso de um estudo publicado na revista Nature este ano, que buscou entender, à luz da genética, se há conexão entre durações de sono não ideais e o início da depressão em adultos mais velhos.
Para tanto, pesquisadores da University College London usaram o método de escores poligênicos para analisar indivíduos na Inglaterra acima de 50 anos por um período de 8 anos. Eles concluíram que a predisposição genética para sono curto (aquele abaixo de 5 horas de duração por dia) foi associada ao início de depressão na população da amostra.
Portanto, pessoas com genes que as levam a dormir menos horas por dia podem estar mais suscetíveis a desenvolver a condição psíquica.
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Conforme o médico psiquiatra Flávio H. Nascimento, existe uma relação complexa e bidirecional frequente entre transtornos mentais e do ciclo sono-vigília. “Mais de 90% dos pacientes deprimidos apresentam alterações importantes no sono. Além disso, a insônia é fator de risco para o suicídio e um dos principais sintomas residuais da depressão”, explica.
Quantidade diária de sono ideal
O ideal, segundo Flávio, é que um adulto durma de 7 a 8 horas por dia. Os números diferem em outras fases da vida – por exemplo, ao final do primeiro ano, o bebê deve dormir entre 12 e 14 horas por dia. A partir dos 5 anos de idade, o intervalo diminui para de 9 a 12 horas por dia.
O adolescente, por sua vez, deve dormir entre 8 e 9 horas por dia, enquanto os idosos dormem, em média, 6 horas por noite, com cochilos ao longo do dia.
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Contudo, as necessidades particulares variam de acordo com fatores como idade, saúde, estilo de vida e até mesmo genética. “A pessoa deve dormir por tempo o suficiente para acordar descansada e se sentir produtiva e alerta ao longo do dia”, diz Mariane Yui, médica otorrinolaringologista especialista em Medicina do Sono.
Cabe a cada um fazer essa auto-leitura e, se houver dificuldade para identificar a necessidade de horas de sono, deve-se consultar um especialista.
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“É importante destacar que a qualidade do sono também é fundamental. É preferível ter um sono ininterrupto e de boa qualidade do que dormir por um longo período, mas com interrupções frequentes”, completa Nathalia Borio, médica ginecologista e obstetra e especialista em Medicina do Sono.
Importância do sono
O que não tem discussão é quanto a importância de uma noite bem dormida e do descanso adequado. O sono, segundo Flávio, regula diversos sistemas do organismo (reprodutor, digestivo, hormonal, cardiovascular, entre outros), permite a aprendizagem de maneira eficiente, a consolidação da memória e limpeza de substâncias inadequadas do sistema nervoso central.
E não é qualquer cochilo que garantirá esses benefícios: “Há estágios do sono (REM e NREM) que precisam ser executados adequadamente para que os benefícios citados possam ser efetivamente realizados”, explica o médico.
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A privação ou má qualidade do sono, por outro lado, são extremamente negativas. “Elas comprometem as funções do corpo e pode resultar em irritabilidade; dificuldade de concentração; maior dificuldade para controlar as emoções e até mesmo piorar ou precipitar transtornos do humor, como depressão e transtorno afetivo bipolar; e transtornos psiquiátricos, como a esquizofrenia”, afirma Mariane.
Assim, priorizar o sono de qualidade pode ter um impacto significativo na melhoria do humor e no cuidado da saúde mental. É o que defende Nathalia: “É importante obter a quantidade adequada de sono e desenvolver hábitos de higiene do sono saudáveis para preservar e melhorar nosso bem-estar mental, físico e emocional”, diz.
Como descansar melhor
Todos nós devemos praticar a higiene do sono para assegurar um bom descanso, mas essas estratégias são ainda mais válidas para quem sofre com insônia. Algumas delas incluem se deitar e levantar todos os dias no mesmo horário, praticar atividade física e evitar uso de cafeína a partir do período da tarde.
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Outras dicas válidas são moderar a ingestão de líquidos ao final do dia, fazer refeição leve ao jantar e não usar celular na cama.
“Uma estratégia, caso o tempo de sono seja insuficiente, é realizar um cochilo programado no meio do dia, de preferência no início da tarde (após o almoço) e com duração de aproximadamente 20 minutos”, sugere Mariane.
Nathalia inclui ainda outras boas práticas: “Ao dormir, faça-o em um local escuro, confortável e silencioso. Se você tiver dificuldade crônica em dormir ou sentir que sua qualidade de sono é comprometida, é importante procurar orientação de um médico ou profissional de saúde especializado em distúrbios do sono”.
Os especialistas poderão, assim, avaliar sua situação individual e fornecer recomendações personalizadas para ajudá-lo a obter um sono adequado e de qualidade.
expresso.arq com informações de Yara Guerra


