Metaverso pode gerar experiências imersivas na construção civil

Conceito em ascensão apontado como grande tendência tecnológica para os próximos anos, o metaverso viralizou após Mark Zuckeberg anunciar, em 2021, a mudança de nome do Facebook para Meta.

Mais do que uma questão semântica, a iniciativa indica o interesse de converter a empresa de mídia social em uma companhia do metaverso em um prazo de cinco anos.

Bastante discutido há algum tempo no campo da ficção científica, o metaverso pode ser definido, de forma bem simplista, como uma evolução da realidade virtual.

Ele remete à possibilidade de acessar uma espécie de realidade paralela, digital, onde uma pessoa tem uma experiência de imersão. Com isso, a distinção entre virtual e físico tende a ser cada vez menor.

Assim como ocorreu com muitas tecnologias, o potencial de aplicação do metaverso em diferentes setores da economia é desconhecido.

Mas a expectativa é a de que até mesmo a construção civil usufrua essa inovação, embora ela ainda esteja muito distante da realidade dos canteiros.

“Em pouco tempo visualizo o uso do metaverso para treinamentos de segurança. Os colaboradores farão a imersão em um ambiente simulado e passarão por situações de risco para entenderem a importância do uso de equipamentos de segurança e saberem como reagir em situações de risco”, exemplifica André Medina, gerente de inovação da Andrade Gutierrez e responsável pelo programa de inovação aberta da construtora, o Vetor AG.

Segundo ele, o metaverso é mais um passo de inovação em busca de um setor mais tecnológico, ao eliminar as barreiras entre o físico e o digital e gerar experiências imersivas.

“A construção de edificações será a mais beneficiada nesse quesito, porque envolve a experiência do cliente. Entretanto, a construção de infraestrutura não ficará para trás e poderá explorar a tecnologia de outras formas”, aposta ele.

BARREIRAS DE IMPLANTAÇÃO

Tradicionalmente, a indústria da construção global está entre as menos industrializadas e inovadoras, o que explica a pouca produtividade do setor.

No Brasil, isso ainda é mais grave, graças a duas barreiras em especial: o baixo custo da mão de obra, que desestimula as empresas a buscarem estratégias para serem mais produtivas, e a qualidade das redes de Internet, especialmente em regiões remotas onde são executadas muitas obras.

“Mas mudança de mindset das construtoras deve acontecer nos próximos anos, à medida que o 5G avance, possibilitando a expansão de tecnologias como a Internet das Coisas, Inteligência Artificial e o uso mais avançado do BIM (Building Information Modeling). Tudo isso pode potencializar soluções como o metaverso”, analisa Medina.

Em especial a modelagem da informação da construção tende a se tornar condição para acessar diversas tecnologias associadas à Construção 4.0 e um veículo capaz de maximizar as oportunidades de industrialização, gerando um setor mais automatizado, digital e seguro.

“O BIM é uma metodologia que tem a informação como grande diferencial. Quando relacionamos todas essas informações com o modelo digital 3D, que é a virtualização da obra, temos uma ferramenta poderosa para irmos além de um modelo tridimensional. Temos a oportunidade de checar interferências, extrair quantidades e fazer toda a gestão do ciclo de vida de um empreendimento”, diz Medina.

BIM COMO ALAVANCA PARA O METAVERSO

A extensão do BIM, inclusive, começa a chegar na etapa de operação dos edifícios, incorporando recursos como os gêmeos digitais (digital twins), que consistem na representação virtual de entidades e processos do mundo real, sincronizadas em frequência de entrada de dados e fidelidade específicos.

A ideia é incorporar aos modelos 3D, documentos e informações de manutenção e operação, criando um inventário digital. Além disso, uma vez vinculado a camadas de sensoreamento (Internet das Coisas), o gêmeo digital permite a análise e o acompanhamento do desempenho dessas edificações.

Segundo André Medina, como a informação e os dados são o coração do BIM, é importante que eles tenham consistência e é aí que outras tecnologias digitais precisam ser integradas.

“Temos adotado uma grande quantidade de tecnologias digitais como o CDE (ambiente comum de dados) para compatibilização e colaboração das informações na concepção de projetos”, revelou o gerente da AG.

“Também utilizamos, entre outras soluções, o Sistema de Gestão de Escopo e Cronograma de Projetos, para simulação de cenários em 4D, programações visuais e visualização de progresso, assim como a captura da realidade através de escaneamento a laser para verificação de interferências e validação de progresso das obras e posterior uso de realidade aumentada”, continua.

“A integração entre todas as plataformas digitais é o novo diferencial de empresas que estão se baseando em dados para gestão e tomadas de decisão. A combinação do BIM, com ferramentas de BI (Business Intelligence), nos possibilita enxergar esses dados de forma estruturada”, conclui André Medina.

expresso.arq sobre artigo de Juliana Nakamura

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