A evolução das piscinas como um símbolo de status moderno

Poucas tipologias arquitetônicas têm o poder de invocar uma sensação de dupla natureza, como a piscina modernista.

O próprio design das piscinas implica em momentos de atividade acima e abaixo da água.

Superficialmente, e no sentido mais óbvio e visível, as piscinas atuam como um espaço para lazer e treinamento atlético.

Mas, analisando-as mais a fundo, as piscinas têm uma longa história de atuação como símbolos de vigilância, morte e condições sociais associadas a uma classe econômica.

O odor evocativo e a persistência pegajosa do cloro combinados com o movimento contínuo da água, que reflete e fornece transparência, são características específicas das piscinas.

Quando combinada com a experiência social da semi-nudez, é revelada a capacidade de encontrar a liberdade individual em um espaço público.

As piscinas aumentaram em popularidade nos Estados Unidos, à medida que a classe média se expandia e a comercialização e as referências à cultura pop as transformavam em locais de lazer em massa.

Quando a segregação diminuiu, na década de 1960, pessoas de todas as raças foram autorizadas a entrar em piscinas públicas, criando uma nova condição social onde as atividades coletivas ocorriam.

Com o tempo, o individualismo prevaleceu, os proprietários começaram a querer o seu próprio local de escapismo aquático usando-o como quisessem, e o conceito da piscina privada no quintal foi popularizado.

A Europa também viu um aumento no desejo de piscinas como um equilíbrio entre espaços públicos e privados.

Um dos exemplos mais conhecidos de piscinas modernas, embora não construído, foi o projeto de Adolf Loos para a Josephine Baker House.

No que pode ser especulado, como a obsessão de Loos com a celebridade e a iconicidade de Baker como uma mulher negra moderna na Europa, a casa foi projetada para se tornar o objeto principal e os convidados os observadores.

Contida dentro das famosas paredes listradas de preto e branco da casa, a piscina representava ideias sobre performance, observação discreta e a objetificação do olhar masculino.

As grandes janelas de vidro que permitiam aos visitantes assistirem a Baker nadar, como afirmou Kurt Under, um colega de Loos, criaram o cenário perfeito para uma “cena subaquática” voyeurística.

As piscinas também aparecem como um grande assunto de arte, particularmente na conhecida pintura de David HockneyA Bigger Splash (1967).

A pintura transmite o movimento da água que quebra a placidez azul como um traço de interação humana depois de pular do trampolim tendo como pano de fundo uma casa tradicional e moderna do sul da Califórnia representada com planos simples e coloridos.

Agora, muitas vezes reivindicado como um símbolo renomado para a vida desejada de um morador de Los Angeles, A Bigger Splash fomentou ainda mais a aspiração de possuir um quintal com uma piscina privativa – tornando essa região quase sinônimo de piscinas.

Uma piscina, especialmente uma bem projetada, agora é um símbolo de status suburbano carregando os mesmos ideais das piscinas da elite que proporcionam uma sensação de liberdade.

Embora uma piscina pública tenha poucas restrições e limitações sobre quem pode entrar, uma privada requer um senso de exclusividade e deve ser usada apenas por convite.

 Elas têm o poder de transformar uma casa em um resort e servem como um lugar onde as pessoas podem escapar da rotina diária e recriar seus alter egos.

É difícil entender como uma ideia tão comum e simples como uma piscina é considerada tão altamente comoditizada e relacionada ao sucesso econômico.

Piscinas, públicas ou privadas, grandes ou pequenas, acima ou abaixo do solo, estão cheias de significado – basta uma olhadinha para baixo da superfície.

Expresso.arq sobre matéria de Kaley Overstreet | Traduzido por Camilla Sbeghen / Imagem © Favaro Jr / Imagem © Jeff Green

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