Oásis de Ondas Perfeitas: a Experiência no 1º Hotel com Piscina de Surfe da América Latina
Sob o sol de uma manhã sem nuvens, diante da água cristalina à frente e da leve marola que chega à borda da areia, tudo é silêncio, uma cena de pura tranquilidade litorânea. De repente, uma vibração quebra o sossego. Ela começa discreta, mas, em segundos, uma onda perfeita se forma, rasgando a água como se tivesse emergido do próprio oceano.
Só que não há mar por aqui. Estamos em Porto Feliz, no interior de São Paulo, rodeados por casas de campo, fazendas de luxo e plantações de uvas e hortaliças. Chegar à praia mais próxima levaria pelo menos três horas, mas, desde dezembro de 2024, basta pegar a saída certa da Rodovia Castelo Branco, a 120 quilômetros da capital paulista, para adentrar um oásis praiano inesperado: o Boa Vista Surf Lodge, primeiro hotel da América Latina com uma piscina de surfe.
Operado com serviço Fasano e pertencente à JHSF, ele integra o complexo Boa Vista Village – área de 3 milhões de metros quadrados com residências e um clube de surfe. Quem não tem imóvel na área ou título de membro agora pode viver a experiência como hóspede, com acesso a uma bela estrutura: são 57 quartos confortáveis (de até 128 metros quadrados), design praiano casual chiq de Sig Bergamin e Murilo Lomas, quadras de tênis e beach tennis, um spa de dois andares, restaurante assinado pelo grupo italiano e um campo de golfe.

Entre tantos atrativos, no entanto, nenhum se compara à piscina de surfe. Com 220 metros de extensão, ela é a alma do hotel. Sua intenção é oferecer condições reais de treino e diversão para surfistas de todos os níveis, dos iniciantes aos atletas olímpicos, com a vantagem de não depender do humor do clima e das marés.
No coração da operação está a tecnologia PerfectSwell, desenvolvida pela empresa American Wave Machine e trazida ao Brasil com exclusividade pela JHSF. Um paredão de turbinas e válvulas puxa e empurra a água como um grande sifão, enquanto o fundo simula o relevo de uma praia de tombo – chega a 4 metros de profundidade no extremo do paredão, desce a 70 centímetros no centro e afunda novamente a 1,5 metro.
Adrenalina aquática no Boa Vista Surf Lodge
O Surf Lodge virou ponto de encontro para apaixonados por ondas – uma comunidade que chega a viajar o mundo em busca de piscinas de surfe. Durante minha hospedagem, vi de perto: um adolescente italiano veio ao Brasil só para treinar ali, com 20 horas de prática agendadas em menos de uma semana. Atender a essa demanda significa operar sessões de surfe das 6h às 22h, com aulas divididas em nove níveis, de iniciantes a experts (R$ 600 a R$ 2 mil por hora). Até crianças podem se divertir em sessões especiais.
Um dos habitués é Ítalo Ferreira, que bate ponto a cada duas semanas em Porto Feliz e já testou o novo empreendimento da JHSF em São Paulo, às margens da Ponte Estaiada: o São Paulo Surf Club, clube de membros com previsão de abertura no final de 2025.

Diante de olhos curiosos, o primeiro medalhista olímpico do surfe (ouro em Tóquio-21) passa três horas testando diferentes manobras aéreas intensas, enquanto operadores de câmeras e drones acompanham seus movimentos – filmagens que depois ele analisa em busca de falhas e pontos a melhorar. “Vim surfar só do lado direito hoje, já que nas próximas etapas da WSL terei ondas point break desse tipo”, contou.
Campeão em uma piscina de ondas no Circuito Mundial de Surfe, em Abu Dhabi, ele afirma: “A piscina tem sido a minha dedicação dos últimos três anos e meio. Aqui você performa muito mais em pouco tempo. É o melhor lugar do mundo para começar no surfe”.
Pois pude comprovar. Para quem nunca subiu numa prancha, como esta repórter, o primeiro contato é uma mistura de empolgação, receio e dúvida. Antes de ter qualquer resposta na água, o grupo do nível 1 ao qual sou designada passa por uma aula de preceitos básicos. Em 30 minutos, vestimos nossas blusas UV, nos alongamos e aprendemos a nos posicionar em cima da prancha, sempre subindo agachada e com um pé bem ao final do apoio.
Minha prancha azul, mais larga nas laterais para ajudar no equilíbrio, é a companheira de aventura. Nos posicionamos em fila na água doce e morna e, ao contar dos professores, deitamos na prancha. O barulho anuncia a ondulação e, na hora certa, o grito de “vai!” do instrutor me manda levantar. Mente e corpo tentam lembrar da posição correta enquanto o vento bate na cara e, por alguns instantes, me vejo em cima da prancha antes de cair com gosto na piscina. Uau! Remo rápido para tentar de novo.
Em um ambiente controlado, a chance é de repetir as manobras até à exaustão. Me sinto como uma criança descendo no tobogã e já correndo para subi-lo de novo. Por uma hora de tentativa e erro, equilíbrios e quedas, até tomo coragem para encarar uma onda maior, do nível 2. Tive o gostinho do vício pelo surf.
Relax com estilo
Endorfinada, saio da água pronta para reivindicar uma das dezenas de espreguiçadeiras na areia e pedir uma bela porção de camarão empanado. O serviço de petiscos e drinks é de alto nível e dá para passar horas ali, deitada, ouvindo o som das ondas. Basta fechar os olhos para se sentir na praia.
Outro programa imbatível no pós-surf é uma visita ao spa. No menu, massagens como a Lomi Lomi, de origem havaiana, imitam com os braços o vai e vem das ondas. Depois do tratamento, é só seguir o ritual: sauna (seca ou a vapor), jacuzzi de dimensões generosas e, para fechar o dia, um jantar no restaurante principal, com vista para a piscina.
Sob comando do chef William Lima, antes responsável pela gastronomia do Fasano Boa Vista (ali ao lado), o menu é descontraído, mas cheio de classe. Massas italianas clássicas dividem espaço com parrilla e frutos do mar. Entre os favoritos da casa, um arroz cremoso de camarão ao molho de champagne.
Peça uma taça de Pinot Grigio do Fasano, sinta a brisa da noite e relaxe: a praia chegou ao interior, e com muito, muito estilo.
expresso.arq com informações de Giovana Simonetti


