Tarifa zero em Balneário Camboriú pode fazer “Dubai brasileira” ter o luxo de uma cidade sem trânsito

Balneário Camboriú
Balneário Camboriú Lucas Correia, Arquivo NSC

A partir da segunda-feira (12), Balneário Camboriú é a primeira cidade com mais de 100 mil habitantes em Santa Catarina a adotar o programa tarifa zero no transporte coletivo – e a quinta maior cidade no país a aderir à política. Nada mal para um lugar que costuma ser notícia com superlativos.

A cidade dos arranha-céus, que coleciona os prédios mais altos do país e ostenta o metro quadrado mais valorizado no Brasil, tem problemas de cidade grande quando o assunto é mobilidade.

E o transporte público pode ser uma saída.

Por enquanto a tarifa zero é temporária, como explicou reportagem de Talita Catie no NSC Total.

Vale até que seja concluída a nova licitação do transporte público.

Mas a medida já havia sido recomendada pela Comissão Especial que tratou sobre o transporte público – uma bandeira que é encabeçada pelo vereador Eduardo Zanatta (PT). Ele adiantou que vai pedir a gratuidade permanente do transporte coletivo.

Balneário Camboriú vai bancar contrato milionário para ônibus grátis na cidade

No anúncio oficial do novo sistema, o prefeito Fabricio Oliveira (PL) disse que a frota é a mais recente do Estado, com wi-fi, ar condicionado, espaço para carregar o celular e aplicativo que informa a previsão de chegada dos ônibus.

– Tudo o que precisa, eficiente, tecnológico, e agora em Balneário Camboriú com tarifa zero – ressaltou.

Se conseguir “virar a chave” e estimular o uso do transporte coletivo, Balneário terá feito um golaço.

Com ruas estreitas e um volume de carros que só aumenta, a cidade enfrenta congestionamentos e falta de vagas pra estacionar.

Com terrenos supervalorizados – e ocupados – é improvável aumentar o espaço nas ruas e avenidas, especialmente na região central – uma solução que, convenhamos, já está fora de moda.

Alesc coloca dedo no vespeiro da renúncia fiscal bilionária de SC

O desafio, em Balneário Camboriú e no mundo, é incentivar o uso de transporte alternativo.

E o transporte coletivo pode ajudar nessa equação, especialmente se oferecer qualidade, qualidade e baixo custo. Melhor ainda se for gratuito.

Maricá (RJ), uma das primeiras cidades no país a implantar o modelo, em 2014, conseguiu aumentar em seis vezes o número de usuários do sistema de ônibus.

Por lá, a tarifa gratuita é subsidia pelos royalties do petróleo. Mas há outros modelos de subsídios, como o de Vargem Grande Paulista (SP), onde a tarifa é custeada pelo fundo de transporte, financiado por empresas locais.

Governo coloca fim à aventura de entregar autoridade portuária de Itajaí à iniciativa privada

No mundo, o primeiro país a adotar transporte 100% gratuito foi Luxemburgo, onde desde 2020 todo o sistema público de transporte tem tarifa zero.

O motivo número um para o “experimento” foi reduzir a quantidade de carros nas ruas.

Com mais de seis carros para cada 10 habitantes, o volume era o mais alto da Europa.

A segunda razão, não menos importante, foi reduzir o impacto ambiental.

Com mais pessoas trocando o carro pelo ônibus, trem ou metrô, reduz também a emissão de gás carbônico e seus efeitos.

É uma política de ganha-ganha. Um luxo.

expresso.arq com informações de Dagmara Spautz

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.
Ops! Captcha inválido, por favor verifique se o captcha está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.