Estúdio de 53 m² concebido em garagem incorpora concreto original

Localizado em Balneário Camboriú, Santa Catarina, este estúdio de 53 m² reflete mais do que uma residência: é a concretização de uma abordagem que privilegia a essência sobre a aparência. O projeto foi liderado pelo arquiteto Jeferson Branco (@jefersonbranco).
“Concebido como uma crítica à superficialidade no design de interiores da cidade, o espaço incorpora materiais brutos e formas honestas em resposta ao brilho enganoso da ostentação”, define Jeferson.
Após, aproximadamente, quatro meses de obra, o estúdio emergiu como uma transformação radical de uma garagem preexistente na casa dos avós do morador, mantendo sua estrutura original enquanto renovava completamente o espaço.
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Sem intervenções estruturais significativas, exceto o descascamento dos pilares e das vigas para propósitos estéticos e inspeção estrutural, o projeto manteve a integridade da construção.
O morador, apaixonado por autenticidade e estética descompromissada, desejava um ambiente que refletisse sua personalidade e seu estilo de vida com espaços para receber os amigos e a possibilidade de integração total ou isolamento do quarto, quando necessário.
“Assim nasceu um diálogo entre o industrial e o cool, uma tapeçaria de texturas naturais, tons contrastantes e mobiliário que falam de forma e função”, explica o arquiteto.
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O living, que incorpora a sala de TV, o jantar e a cozinha, é um testemunho da estética emo-punk, onde a personalidade do morador se reflete em cada detalhe. A parede de OSB pintada em preto fosco, aqui é protagonista e traz, segundo Jeferson, uma estética raw (crua, em tradução livre) e, ao mesmo tempo, acolhedora.
Em contraste, o concreto rústico e sem tratamento aparente dos pilares celebra suas imperfeições, ecoando a resistência do material. Já a transparência dos fechamentos de policarbonato brinca com a luz natural, criando um jogo de sombras e transparências que dinamiza o espaço.
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O home office, construído com blocos de concreto, recria a simplicidade como uma declaração de estilo. “Geralmente vistos em construções brutas, aqui, foram repensados como uma escrivaninha funcional e cheia de caráter”, avalia o arquiteto.
A cozinha é coroada por uma ilha central, onde uma árvore seca emerge de um tubo de concreto. “Esta escolha subversiva desafia a percepção de beleza e função”, pensa Jeferson.
O bar, que é uma extensão da cozinha e do living, ponto de conexão entre ambos, esconde uma máquina de lavar embutida. “Um truque inteligente que preserva a estética minimalista sem sacrificar a funcionalidade”, explica o arquiteto.
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No quarto, a subcultura emo-punk encontra expressão em detalhes como a arte têxtil na parede – símbolo de uma das bandas preferidas do morador – até a escolha dos tecidos e materiais.
O uso estratégico do policarbonato com fechamento mantém a privacidade sem sacrificar a luz natural, além de manter uma conexão visual sutil com o restante do estúdio.
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No banheiro, o padrão de xadrez com azulejos e rejunte bem marcado, remete à estética punk dos icônicos pisos dos clubes de rock dos anos 1970 e 1980, enquanto as diferentes texturas do concreto aparente e dos azulejos de cerâmica criam um contraste tátil.
A vegetação foi cuidadosamente escolhida para sobreviver nesse clima de iluminação controlada e muito úmido, adicionando um contraponto vivo ao rigor do preto e branco.
expresso.arq com informações de Rosana Ferreira


