Bok Tower Gardens: jardim e arquitetura se unem no destino turístico na Flórida
O Bok Tower Gardens, localizado em Lake Wales, na região central da Flórida, é um dos principais exemplos de integração entre paisagismo e arquitetura nos Estados Unidos. Fundado em 1929 pelo editor de livros e filantropo holandês-americano Edward Bok (1863–1930), o espaço reúne vastos jardins ecológicos e uma torre neogótica que abriga um carrilhão (instrumento musical) de 60 sinos.
O terreno onde o complexo foi construído é uma formação geológica conhecida como sandhill — antiga barra de areia formada há milhões de anos, quando a Flórida estava submersa. A região, chamada Iron Mountain, possui solo seco e arenoso, com depósitos de minério de ferro.
“É basicamente o que você veria no fundo do mar. Esse solo cria uma zona ecológica única, onde certas plantas evoluíram para crescer apenas aqui”, explica Erica Smith, diretora de desenvolvimento de negócios e relações públicas do Bok Tower.
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Frederick Law Olmsted Jr. (1870–1957), um dos arquitetos-paisagistas mais influentes dos EUA, e filho do criador do Central Park, em Nova York, respeitou essas condições naturais para projetar os jardins.
“Ele criou um jardim que dialoga com a vegetação nativa, como palmeiras sabal, girassóis-da-praia, coontie e liatris spicata, mas também incorporou plantas tropicais ornamentais, como filodendros e gengibres”, conta a diretora.
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O complexo possui 250 acres de área total, onde são preservadas espécies endêmicas da Flórida Central. A instituição mantém um programa ativo de conservação de plantas raras e ameaçadas, como a Lupinus diffusus, o ziziphus da Flórida e a clasping warea (Warea amplexifolia) — esta última com apenas três colônias conhecidas no mundo, todas na região de Lake Wales.
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Além da natureza, um grande atrativo do Bok Tower Gardens é a Singing Tower, torre com 62 metros de altura, desenhada pelo arquiteto Milton Bennett Medary (1864–1929), exemplo marcante da arquitetura neogótica e art déco nos EUA.
Ela abriga um carrilhão com 60 sinos fixos; o instrumento é tocado por músicos especializados — carrilhonistas — por meio de um console semelhante a um órgão, que exige o uso das mãos e dos pés.
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O topo da torre abriga esculturas de garças e águias esculpidas por Lee Lawrie, artista responsável pela ornamentação da estrutura. As figuras representam espécies nativas da Flórida — Foto: Visit Central Florida/Divulgação
A estrutura foi construída em mármore rosa da Geórgia e pedra coquina, o mesmo material usado no forte de St. Augustine, cidade no litoral da Flórida. A ornamentação inclui esculturas de aves nativas, anéis de garças e águias, além de interpretações de fábulas de Esopo, todas assinadas pelo escultor Lee Lawrie (1877–1963).
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Há, ainda, vitrais desenhados pelo artesão J.H. Dulles Allen, com temas que representam a harmonia entre natureza, música e espiritualidade. Na parte posterior, há um relógio de sol funcional.
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Ela foi posicionada no ponto mais alto da Iron Mountain, no centro do Bok Tower, criando uma vista panorâmica da região. “A torre não é uma igreja, nem um castelo. É um instrumento musical monumental, criado para ser apreciado ao ar livre”, diz Erica.
Um fato interessante é que ela só foi incorporada ao projeto nos estágios finais da construção do complexo, entre 1927 e 1929 — a ideia dos jardins surgiu anos antes, em 1921. “Bok chegou para Olmsted Jr. e disse: ‘Pare! Tive uma ideia.’ Como todo bom chefe, ele mudou os planos”, revela a diretora. A inclusão exigiu ajustes no paisagismo, como a criação de elementos aquáticos ao redor da estrutura.
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O Bok Tower Gardens está aberto ao público 363 dias por ano, com exceção do Natal e do Dia de Ação de Graças. A primavera é o período de maior visitação, devido à floração de azaleias e camélias. No outono, destacam-se as flores silvestres nativas, como liatris e roselle. “Cada estação tem uma paleta diferente, e o jardim muda todos os dias”, orgulha-se Erica.
expresso.arq com informações de Nathalia Fabro


