De que forma o aumento nos insumos impacta o consumidor final do Projeto Casa Verde e Amarela?

O programa Casa Verde e Amarela é uma das formas principais de financiamento de imóveis populares no Brasil.

Mas, até que ponto a alta de insumos da construção civil pode comprometer isso?

O índice do aumento de preços tem batido recordes negativos, e isso deve pesar no bolso do cliente final.

Mas, como o mercado da construção civil tem reagido?

E o que pode ser feito nas empresas parceiras do projeto?

Qual a causa da disparada no aumento dos preços de insumos

O INCC (Índice Nacional de Custo de Construção) é o índice que avalia a variação dos preços de materiais e mão de obra da construção civil no Brasil.

E no último ano, ele tem mostrado um cenário nada agradável para o setor.

No período de 12 meses encerrado em junho de 2021, o aumento já estava acumulado em 32,92%, um recorde negativo.

Mas o que levou a esse aumento tão grande?

Se for para destacar um grande motivo, seria a pandemia de Covid-19, pois ela está por trás de vários dos elementos que causaram o aumento dos preços.

Mas, isolando os motivos de forma mais específica, podemos citar fatores como:

  • aumento dos preços de commodities minerais e metálicas que são usadas em matérias primas comuns da construção civil;
  • grande aumento da cotação do dólar com relação ao real;
  • demanda maior por imóveis residenciais, que gera uma procura maior por materiais usados na construção civil;
  • alta no preço dos fretes;
  • e falta de materiais e itens importantes de construção nos países que exportam para o Brasil.

De fato, os efeitos da pandemia geraram uma crise de desabastecimento que ainda vai levar um tempo para corrigir, e isso afeta o mundo todo.

Como o Brasil tem uma moeda fraca, o real, e os mercados internacionais negociam em dólares, tudo fica mais caro.

Para o Brasil, isso gera um problema extra:

A maior parte dos imóveis vendidos no país é por meio de programas de financiamento populares, como o programa Casa Verde e Amarela.

Mas, diante da crise dos preços, não tem como fugir da pergunta:

Quanto isso afeta o bolso do cliente final e, por sua vez, a capacidade de as construtoras e incorporadoras continuarem vendendo?

Como o aumento dos preços de insumos afeta o bolso do cliente final do programa Casa Verde e Amarela

Não tem como negar que qualquer alta, ainda mais uma tão grande e prolongada quanto essa do INCC, vai afetar o bolso do cliente final, mais cedo ou mais tarde.

E, em muitos casos, principalmente para quem está construindo por conta própria, o problema já é bem evidente.

Em alguns casos, os materiais apresentaram alta de mais de até 91% no preço.

Mas, ao menos até o momento, o programa Casa Verde e Amarela ainda continua ativo e funcionando com os mesmos critérios de antes.

Assim, apesar de algumas empresas terem decidido reduzir os planos para o programa e focar em imóveis mais rentáveis, o programa ainda é bem relevante para o cenário nacional.

Além disso, a oferta de imóveis financiados pela iniciativa do governo federal continua grande.

Isso se deve, em parte, ao modo criativo com que muitas construtoras e incorporadoras têm reagido ao momento.

Como o mercado da construção civil está encarando o programa Casa Verde e Amarela diante da alta de insumos

O que as construtoras e incorporadoras estão fazendo para manter as vendas mesmo com os problemas causados pela alta dos insumos da construção?

Uma das táticas foi reduzir a margem e continuar as vendas, com a confiança de que os preços vão se estabilizar com a retomada da vida pós-pandemia.

Assim, muitas empresas não repassaram os aumentos de custos ao cliente final, na confiança de que os investimentos pelo programa ainda serão rentáveis no longo prazo.

Prova disso é que, segundo matéria da Jovem Pan, o programa Casa Verde e Amarela representou 85,3% dos lançamentos imobiliários e 83,6% das vendas residenciais nos últimos 12 meses.

Já outras empresas adotaram uma estratégia mais direta e deixaram o programa um pouco de lado.

Para estas empresas, faz mais sentido focar em empreendimentos que no momento são mais rentáveis.

Em outras palavras, elas passaram a focar nos imóveis de padrão mais alto, cujo impacto do INCC é menor para diminuir o ímpeto do comprador.

Mas uma coisa é certa:

O mercado da construção civil não parou por causa da alta dos insumos.

E nem o programa Casa Verde e Amarela.

Pelo contrário, o otimismo é tanto que a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) retomou a confiança no crescimento do setor e projeta uma alta de 4% em 2021, a maior em 8 anos.

Recentemente, essa projeção tinha caído para 2,5%, justamente por conta dos aumentos de insumos e incertezas relacionadas com a pandemia.

Mas agora já há evidências de que o setor pode crescer mais.

3 dicas para a sua construtora ou incorporadora continuar vendendo pelo programa Casa Verde e Amarela

Diante do cenário, e depois de ver os diferentes caminhos que muitas construtoras e incorporadoras estão tomando para manter as vendas, é hora de você decidir: vale a pena continuar no programa Casa Verde e Amarela ou é melhor investir apenas em outros projetos?

É claro que a resposta certa vai depender de vários fatores, que só você pode avaliar.

Por um lado, para algumas empresas faz muito mais sentido trabalhar com o programa do que para outras.

Por outro lado, as moradias populares ainda são, de longe, a maior fatia do mercado da construção residencial no Brasil.

Então, se você está pensando em como continuar trabalhando com o programa Casa Verde e Amarela, mas ainda não sabe como, estas 3 dicas podem ajudar:

1. Empreendimento para as faixas 2 e 3 do programa

A primeira coisa que você pode fazer para se adaptar sem precisar sair do programa é fazer lançamentos para as faixas 2 e 3 do programa, as que miram uma renda mais alta.

A faixa 3, por exemplo, é para famílias com renda de até R$7 mil mensais.

Logo, os imóveis têm um padrão mais alto e podem ser mais rentáveis para justificar o empreendimento.

Empresas como a Direcional adotaram essa abordagem, ao deixar de lado alguns projetos voltados para a faixa 1 e focar mais em lançamentos de imóveis para as faixas 1 e 2 do programa.

2. Reduzir os custos de gestão para ser mais agressivo nas vendas

Outro ponto importante que pode ajudar a sua construtora ou incorporadora a se manter no programa sem repassar tanto os custos para o cliente final é reduzir os custos de gestão.

Com uma plataforma integrada é possível reduzir muitos processos que não funcionam, ganhar agilidade nas obras e reduzir custos.

A partir daí, reduzir as margens não se torna um custo que pode levar a empresa à ruína.

Antes, vira uma oportunidade de ser mais agressivo nas vendas para recuperar o lucro no volume de unidades vendidas.

3. Aproveitar tendências de mercado para inovar e se destacar

A ideia de que toda crise traz grandes oportunidades é bem conhecida, e é verdade.

Uma das oportunidades que a alta dos preços de insumos traz é a de usar novos insumos ainda pouco conhecidos e inovadores.

O mercado de materiais construtivos está aumentando.

Entre as novidades, muitos materiais sustentáveis podem servir de alternativa e até ser mais baratos neste momento.

Além do custo, a demanda por construções verdes cresce a cada dia e servir a essa fatia de mercado é um bom modo de inovar e se destacar.

Assim, o programa Casa Verde e Amarela foi afetado pela alta dos insumos usados na construção civil, mas não há motivo para pânico entre as empresas do setor.

Há vários caminhos a seguir, e com as informações que você viu aqui hoje, será mais fácil decidir como manter os lucros.

Expresso.arq  sobre artigo de Gustavo Prata

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