Quão pequena uma moradia pode ser? Uma visita às menores casas do mundo

O abrigo é uma questão primordial na Arquitetura.

As formas de habitar e se relacionar com o espaço no qual vivemos cotidianamente é uma eterna discussão da disciplina que se propõe a trazer uma melhor qualidade de vida, mas também inovar nas questões do morar.

Ao agregar outras camadas como especulação imobiliária, uma grande densidade habitacional em centros urbanos, a busca pelo nomadismo ou, até mesmo, a mera vontade de seguir uma tendência, o debate em torno das casas de pequena escala estão cada vez mais presentes.

Com isso, nos perguntamos, qual o mínimo de área necessária para viver?

Refúgio No. 3 – “The Clara” / Wyatt Komarin + Addison Godine + Rachel Moranis. Image© The Bearwalk

Discussões sobre uma moradia mínima não são uma novidade. 

No CIAM de 1929, o tema Die Wohnung für das Existenzminimum (habitação para o mínimo nível de vida) já pretendia apresentar resoluções para necessidades biológicas e psicológicas nas construções através de um mínimo.

Quase um século depois, sabemos que lidar com o pensamento de um mínimo é um tema ainda polêmico e que deve ser discutido, principalmente por não ser capaz de, muitas vezes, satisfazer critérios do bem-estar ou do desejo de seus usuários. 

Aqui reunimos algumns exemplos de projetos residenciais de pequena escala que parecem corresponder as expectativas de seus moradores e que configuram as menores casas do planeta, que vão de 15 até 1 m².

Pequenas casas urbanas

No contexto urbano, devido à grande densidade de construções, é mais comum encontrar apartamentos de pequena escala do que casas.

No entanto, situações como arquiteturas parasitas ou experimentos de outras formas de morar também acontecem, como é ilustrado pelos dois exemplos a seguir:  

Casa Parasita / El Sindicato Arquitectura (12m²)

Casa Parasita / El Sindicato Arquitectura. Image© Andrés Villota

Unidade do Estudante: Studentboende / Tengbom (10m²)

Unidade do Estudante: Studentboende / Tengbom. Image© Bertil Hertzberg

Outro fator importante a ser considerado no contexto urbano é o quão estreita pode ser uma casa para ocupar espaços residuais ou simplesmente parar liberar uma área maior ao ar livre.

Abaixo há dois exemplos: primeiro o projeto japonês Lucky Drops que configura em planta um trapézio longo e estreito, com sua largura variando de 3,2 a 0,7 m, seguido pelo projeto considerado como o mais estreito do mundo, a casa projetada por Jakub Szczesny que possui apenas 1,22 m em seu ponto mais largo.

Lucky Drops / Atelier Tekuto

Lucky Drops / Atelier Tekuto. Image© Makoto Yoshida

Casa Keret / Jakub Szczesny

Casa Keret / Jakub Szczesny. Image© Polish Modern Art Foundation / Bartek Warzecha

Pequenas casas rurais

Um exemplo bem-sucedido na questão da qualidade de vida junto de um programa residencial inserido numa escala reduzida é dado pelas cabanas inseridas em contextos fora do urbano.

Isso ocorre devido ao contato com a natureza que acontece de forma mais ampla, um importante fator que colabora com o conforto de seus usuários uma vez que os seres humanos possuem uma tendência inata de buscar proximidade à natureza e, assim, é possível passar mais momentos inseridos nela.

Vale ressaltar, que se expandimos a reflexão sobre o que configura uma casa e quais são os programas que consideramos necessários para isso, ao descartar os espaços destinados para cozinha ou banheiro – que podem ser estruturas separadas e pensadas para um uso coletivo e não privado – as áreas podem se tornar ainda menores.

Como acontece nos dois últimos exemplos abaixo.

Refúgio No. 3 – “The Clara” / Wyatt Komarin + Addison Godine + Rachel Moranis (15m²)

Refúgio No. 3 – “The Clara” / Wyatt Komarin + Addison Godine + Rachel Moranis. Image© The Bearwalk

Cabana Queimada / DRAA (15m²)

Cabana Queimada / DRAA. Image© Felipe Camus

Elsewhere Cabin A / Sean O’Neill (15m²)

Elsewhere Cabin A / Sean O’Neill. Image© Sean O’Neill

Cabana Etno / Ema Butrimaviciute (14m²)

Cabana Etno / Ema Butrimaviciute. Image© Leonas Garbacauskas

Casa de Verão da Costa Viking / FREAKS Architecture (12m²)

Casa de Verão da Costa

Casa de Férias / Hristina Hristova (9m²)

Casa de Férias / Hristina Hristova. Image© Deyan Tomov

Diogene / Renzo Piano (7,5m²)

Diogene / Renzo Piano. ImagePhotography by Julien Lanoo © Vitra

Refúgio para o Espírito / allergutendinge (8m²)

Refúgio para o Espírito / allergutendinge . ImageCortesia de allergutendinge

Kudhva – Cabanas na Mata / New British Design (5m²)

Kudhva – Cabanas na Mata / New British Design. Image© George Fielding

A casa de 1 m²

A que talvez seja a menor casa projetada no mundo, é uma proposta criada pelo arquiteto Van Bo Le-Mentzal.

Esta estrutura de apenas um metro quadrado foi concebida como uma experiência para que as pessoas reflitam sobre a forma como definem o conceito de lar, uma vez que “você pode declarar os parques como seu jardim ou a cidade como sua sala de estar”, como afirma o arquiteto.

 

 © Daniela Kleint

Ela é leve o suficiente para ser levada sobre rodas, e oferece espaço para sentar, trabalhar, deitar e dormir.

O conceito surgiu da própria vivência de Le-Mentzal, já que ele passou parte da vida como refugiado, movendo-se e dependendo de subsídios sociais ou de habitação social. 

Expresso.arq sobre artigo de Victor Delaqua

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