Usando diferentes tipos de piso no mesmo ambiente

O piso é uma das maiores áreas de cobertura de um ambiente, e, portanto, sua escolha passa por diversos critérios relacionados tanto a questões estéticas e de identidade visual, quanto questões técnicas de resistência e manutenção.

Apartamento Faria Lima / Pietro Terlizzi Arquitetura. Image © Guilherme Pucci

É comum usar pisos diferentes para áreas com usos distintos e muitas vezes essa transição não é demarcada por paredes nem portas.

A seguir, traremos dicas de como fazer essa transição de maneira harmônica quando não há um limite físico entre os pisos.

Estamos normalmente acostumados a usar pisos diferentes para demarcar áreas com usos distintos: cozinha e sala de jantar, sala de estar e varanda, ou ainda sala de estar e corredor, por exemplo.

Essa demarcação quase sempre vem acompanhada de paredes e portas que definem o limite de cada atividade e também de cada piso – portanto, em cada ambiente é dado o tratamento adequado para cada tipo de piso instalado.  

Na arquitetura contemporânea, porém, com a popularização das plantas abertas e dos espaços integrados, é cada vez mais comum setorizar os espaços e organizar os fluxos a partir de transições mais suaves como mobiliário, pequenos desníveis, forros rebaixados, ou ainda, mudança de piso.

Essa mudança pode ser uma alteração simples de material e paginação, mas também pode ser a inserção de um elemento decorativo, chamado de “tapete”, em uma porção do chão.

Para ambas as situações é preciso pensar sobre como combinar materiais, texturas e formatos diferentes 

O mais comum é marcar a transição entre uma área molhada e uma área seca, como é o caso das cozinhas integradas com as salas de jantar.

Nessa divisão vemos frequentemente a combinação de um piso quente, que pode ser madeira, vinílico ou laminado, com um piso frio na cozinha, que pode ser porcelanato, cerâmico ou ainda o ladrilho hidráulico ou granilite.

Apartamento Três / TAU Arquitetos. Image © Manuel Sá

Apartamento Acará / Estúdio BRA Arquitetura – 21. Image © Maura Mello

Essa transição entre pisos pode ser feita ainda para destacar outros ambientes, como hall de entrada ou circulações que sejam importantes para o projeto. 

Reforma Residência JM55 / BURR Studio. Image © Maru Serrano

Apartamento do Gabriel e da Juliana / INÁ Arquitetura . Image © Maura Mello

Apartamento Mixtape / AZAB – 9. Image © Luis Diaz Diaz

Uma alternativa é usar o piso frio para marcar um espaço ou uma atividade.

Os “tapetes”, como são chamados esses recortes de piso no meio de um ambiente, normalmente são feitos a partir do contraste de dois tipos de pisos diferentes.

Casa Casernes / CAVAA Arquitectes. Image © Adrià Goula

Casa dos Eucaliptos / Ultravioleta – Arquitetura sem Filtro . Image © Favaro Jr.

A combinação de pisos não está restrita à ambientes internos; é possível fazer isso nos espaços externos e principalmente nos terraços, espaços cobertos, mas que estão totalmente abertos para o exterior.

Nesses casos é sempre bom prever o fluxo das águas e garantir que haja um desnível adequado para o escoamento da chuva, evitando, assim, inundações internas.

Casa Sobreira Pires / Daniel Pires Arquitecto. Image © Filipa Bernardo

Apartamento LK / Oficina Conceito Arquitetura. Image © Marcelo Donadussi

A setorização é bastante utilizada também em ambientes comerciais, combinando pisos quentes como carpetes, madeiras, vinílicos e laminados para ter um resultado dinâmico e integrado. 

EDP Business Park / IT’S Informov . Image © Ana Mello

Collab CdD Bradesco – Bioma / IT’S Informov . Image © Rafaela Netto

Por vezes a inserção de outro tipo de piso é uma solução para recuperações e reformas.

Quando o piso original está degradado, é possível fazer um recorte e substituir as peças degradadas por um outro tipo de piso, contrastando com o original e trazendo identidade para o projeto.

Da mesma forma, é possível registrar nos acabamentos as alterações feitas, deixando vestígios de uma parede que foi removida, por exemplo, com outro tipo de piso. 

Apartamento Maga / Angá Arquitetura |. Image © Carolina Lacaz

Apartamento RC / Studio Kyze . Image © Manuel Sá

Por fim, alguns pontos são importantes e devem ser observados ao combinar dois tipos de pisos.

Primeiramente, é necessário escolher se haverá ou não algum tipo de elemento de transição entre eles.

Nas transições de piso em portas é comum instalar soleiras ou baguetes como acabamento e correção dos desníveis.

Quando a mudança de piso ocorre sem a presença de uma porta, é possível também instalar soleiras, baguetes ou ainda filetes.

Essas peças são importantes quando há desnível e servem para dar acabamento ao pequeno degrau gerado pela diferença de altura. Podem ser de pedra ou metálicos.

Apartamento Faria Lima / Pietro Terlizzi Arquitetura. Image © Guilherme Pucci

Em segundo lugar, é importante se ater às diferenças de espessura dos materiais combinados.

Os ladrilhos hidráulicos, por exemplo, tendem a ser mais espessos que os vinílicos, laminados e porcelanatos, por exemplo, e exigem algum tipo de acabamento.

Por fim, para que a combinação seja bem-sucedida, é importante haver um estudo prévio da paginação.

O projeto de piso feito a partir das medidas reais existentes é fundamental para considerar o tamanho das peças e as formas de encaixe mais adequadas, evitando o desperdício e garantindo a melhor combinação.  

expresso.arq sobre artigo de Giovana Martino

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