Comprar ou alugar um imóvel? O que vale mais a pena? Entenda!
O sonho da casa própria é uma realidade no Brasil. Segundo pesquisa do Datafolha divulgada em janeiro deste ano, 93% dos brasileiros que vivem de aluguel ou em residência cedida sonham em adquirir um imóvel próprio. Mas nem sempre a aquisição de uma casa ou apartamento pode ser a melhor opção.
Diversos fatores devem ser levados em conta na hora de optar pela compra em detrimento da locação. “A escolha depende do perfil financeiro, objetivos pessoais e do cenário econômico”, aponta o advogado imobiliário Thiago Hora.
A compra pode ser a melhor alternativa para aqueles que buscam estabilidade, têm reserva para entrada e custos extras, e pretendem permanecer no imóvel por vários anos. “Porém, exige comprometimento financeiro de longo prazo e menor flexibilidade”, comenta Thiago.
A valorização do imóvel no longo prazo, o impacto da decisão no patrimônio e a qualidade de vida que o bem proporcionará também devem ser levados em conta. “Uma análise racional e alinhada ao seu momento de vida é o que garantirá a melhor escolha”, diz o especialista.
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Hulisses Dias, especialista em finanças e investimentos, indica, ao optar pela compra, sempre avaliar a localização, a oferta e demanda na área, a qualidade dos empregos na região, o estado de conservação do imóvel e a sua liquidez.
Já o aluguel é ideal para quem prioriza mobilidade, não quer se endividar ou ainda não tem capital para financiar, embora não gere patrimônio e possa sofrer reajustes. “Para decidir, avalie a sua renda, a estabilidade profissional, os planos futuros e taxa de juros vigente, a chamada Taxa Selic”, ensina Thiago.
Quando vale a pena comprar um imóvel?
A compra pode ser vantajosa diante de oportunidades únicas. Para Hulisses, esta opção se torna atrativa quando uma casa ou apartamento está pelo menos 35% abaixo do preço médio da região.
“A diferença de valor representa uma margem de segurança importante, indicando uma possível distorção de mercado que pode ser explorada por compradores atentos, aumentando as chances de valorização futura”, ele avalia.
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Para Thiago, a possibilidade de valorização do bem está entre as principais vantagens de comprar um imóvel. “O preço costuma acompanhar e até superar a inflação ao longo do tempo. Além disso, ao final do financiamento, o imóvel é totalmente seu, o que elimina despesas mensais com moradia”, afirma.
A aquisição também garante a construção de um patrimônio mais sólido, a estabilidade de moradia e a liberdade para personalizar e decorar o espaço como desejar.
Por outro lado, os contras incluem o alto custo inicial com entrada, impostos, escritura e demais taxas que envolvem a compra, o comprometimento financeiro de longo prazo com parcelas, os juros do financiamento e a menor flexibilidade para mudanças, além dos riscos de desvalorização ou dificuldades de revenda em momentos de instabilidade do mercado.
“A falta de liquidez, a depreciação e o aumento nos custos de ocupação, incluindo segurança, são outras desvantagens”, pontua Hulisses.
Quando vale a pena alugar um imóvel?
O aluguel pode ser uma boa para pessoas que precisam de flexibilidade para se mudar com facilidade ou para aqueles que estão construindo sua reserva financeira. Essa alternativa deve ser considerada, ainda, se o custo da locação representar uma fatia menor da renda em comparação às parcelas de um financiamento.
“Também é uma boa opção em períodos de juros altos, que encarecem o crédito imobiliário, ou quando o valor do aluguel está significativamente abaixo do custo de compra na mesma região. Alugar permite mobilidade e menor comprometimento financeiro inicial, sendo ideal para quem ainda busca estabilidade ou deseja investir em outras frentes antes de adquirir um imóvel”, aponta Thiago.
Hulisses também vê uma possibilidade de ganhos financeiros na opção pelo aluguel. “A locação vale a pena quando a pessoa tem o dinheiro para compra total do bem e sabe investir. Neste cenário, o aluguel deixa de ser um custo e passa a ser uma estratégia de alavancagem do capital, permitindo manter liquidez, diversificar a carteira e potencializar ganhos”, detalha.
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Alugar um imóvel oferece um menor custo inicial, pois não há a necessidade de entrada ou financiamento, agilidade na ocupação e ausência de gastos com reformas estruturais e despesas com manutenção maior. “Além disso, é possível morar em regiões valorizadas com menor investimento mensal”, considera Thiago.
Entre as desvantagens do aluguel estão a ausência de construção de patrimônio, a possibilidade de reajustes anuais e o risco de rescisão contratual pelo proprietário, gerando insegurança quanto à permanência de longo prazo. “Há limitações na personalização do imóvel e impossibilidade de surfar tendências imobiliárias que somente o proprietário terá”, argumenta Hulisses.
Renda necessária para comprar ou alugar
Outro ponto bastante importante é a renda necessária para comprar ou alugar um imóvel. “Ela varia conforme o padrão do bem e a região, mas há critérios importantes que ajudam a definir esse limite”, fala Thiago.
Segundo Hulisses, em ambos os casos, o ideal é que o valor das parcelas do financiamento ou do aluguel não ultrapasse 20% da renda mensal líquida do indivíduo, ou da família, para evitar o endividamento excessivo.
“Comprometer uma fatia maior da renda com moradia pode gerar vulnerabilidade financeira e reduzir a capacidade de resposta a imprevistos, além de limitar o progresso patrimonial no longo prazo”, argumenta o especialista em finanças.
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Para compra, além desse percentual, é necessário considerar a capacidade de arcar com a entrada – geralmente 20% do valor do imóvel –, custos de escritura, registro e tributos.
Já no aluguel, embora o custo inicial seja mais baixo, é comum exigir caução, fiador ou seguro-fiança, o que também demanda preparo financeiro. “Planejamento e simulações realistas são essenciais para adequar o imóvel ao seu orçamento”, alerta Thiago.
Ferramentas úteis
Para ajudar na decisão, Thiago indica algumas ferramentas úteis disponíveis na internet. Com elas, é possível comparar custos, avaliar cenários e se planejar financeiramente.
“Simuladores de financiamento, como os oferecidos por bancos ou por plataformas, permitem estimar parcelas, prazos e taxas de juros. Calculadoras de custo-benefício, como a do FipeZap, ajudam a comparar o preço do aluguel versus o valor de compra”, ele aponta.
Outra boa ajuda são as ferramentas de planejamento financeiro, que auxiliam na organização do orçamento pessoal. “Alguns portais permitem comparar preços de imóveis na mesma região, visualizando tendências de valorização ou ofertas mais vantajosas. Avaliar esses dados em conjunto torna sua decisão mais segura e alinhada à sua realidade”, destaca o advogado.
Hulisses recomenda, ainda, contar com o auxílio de um bom corretor, criar uma planilha de projeção de fluxos de caixa e buscar conhecer o plano diretor da região que se pretende morar. “Essas são ferramentas essenciais na hora de alugar ou comprar um imóvel, mas sempre com atenção e cuidado”, finaliza.
expresso.arq com informações de Ana Sachs


