Matéria-prima, mão de obra, design: você o que compõe o valor dos móveis?

Quem está querendo mudar a “cara” da casa, seja passando por uma obra completa, ou só mudando os móveis, sabe que não é um custo baixo.

Para investir nisso, é preciso planejamento e organização.

E conhecer o que está por trás daqueles valores pode ajudar a trazer mais sentido ao investimento.

Quando pensamos no valor de um móvel, o custo de fabricação e a margem de ganho são os primeiros itens que os compradores entendem como influenciadores do preço alto.

No entanto, o valor dessas peças é composto por outros fatores.

O designer de móveis Aristeu Pires, além de desenhar as peças, também possui uma fábrica em Canela (RS), no qual as produz.

Por isso, conhece o valor dos móveis que desenha desde o início.

“O primeiro custo que a gente considera é a matéria-prima e os outros materiais que entram na composição do móvel. […] E tem o custo fixo da fábrica, aluguel, energia, manutenção dos equipamentos”, elenca o designer.

Segundo Aristeu, o maior custo fixo que ele tem é com a mão de obra, ou seja, os salários e os encargos que envolvem os pagamentos dos funcionários.

“O valor da mão de obra, no nosso caso, representa 60% do custo final de uma peça”, explica. 

Outro ponto destacado pelo designer são os impostos pagos ao governo.

“De R$ 100, eu preciso acrescentar mais uns R$ 40 para dar ao governo”, exemplifica.

Confira outros pontos que compõe o valor das peças:

O custo da matéria-prima.

Sobre a matéria-prima, Aristeu explica que a madeira maciça, em algumas peças, torna o custo de produção maior.

“Por exemplo, uma cama, a cama Tulipa, que é toda maciça, que aquele encosto todo é maciço, vai muita madeira. A cama toda em madeira. E é uma peça grande. Ou uma mesa também, com o tampo todo de madeira, então nesses casos o valor aumenta”, explana.

Mas ainda há outros materiais que podem entrar no processo de produção, como cola, espuma, revestimento, tinta, verniz. Tudo isso traz um custo a mais.

A ideia por trás do produto

Uma peça desenhada por um designer também tem o trabalho intelectual de quem pensou, colocou no papel e tornou aquele móvel uma ideia real.

Esse valor é difícil de mensurar – a exclusividade da peça e a fama do designer, por exemplo, aumentam o custo, como destaca Guilherme Miranda, gerente geral comercial da Baú+.

“O trabalho do designer tem um valor intangível”.

No caso de Aristeu, como dono da fábrica, ele não coloca em cima do preço das peças o valor do seu trabalho.

“No meu caso, como a fábrica é minha, eu não cobro royalties, porque meu rendimento é pelo resultado da fábrica. Então esse é um custo que a gente não tem”, explicou.

No entanto, o mais comum é que os designers cobrem esses royalties, ou seja, um valor pelo processo de produção, das fábricas que produzem suas peças.

Logo, um custo a mais.

Estudos

As ideias criadas pelos designers ainda passam por estudos para a obtenção da melhor ergonomia e do perfeito funcionamento daquele produto. 

Foto: Divulgação

A cadeira Panton, por exemplo, um ícone do designer de móveis, foi pensada em 1960 por Verner Panton, mas só em 1999 foi possível fabricá-la de acordo com o conceito original, com o material pensado no projeto original: o plástico.

Até lá, foram anos de pesquisa, testes e projetos descartados.

E, claro que todo esse processo traz um valor ao móvel. 

Protótipos

“Os custos para a produção dos protótipos podem ser altíssimos e essa fase pode durar muitos anos até que o produto final seja produzido”, pontua Guilherme – como foi o caso da cadeira Panton, citada acima. 

Qualidade, garantia, durabilidade

Existem peças que mantêm sua relevância ao longo de anos, e isso passa muito pela qualidade e durabilidade do produto.

Ao comprar peças de designers renomados, você está investindo em algo que vai durar uma vida toda e passar de geração em geração. 

“Nos melhores casos, o produto até aumenta o valor pela sua importância, assim como acontece com uma obra de arte”, destaca Guilherme. 

expresso.arq com informações do IBahia

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