Arquitetura de edifício público convida população a participar da vida política
Com 733 m², o edifício da Câmara Municipal de Rio Pomba (MG), projetado pela arquiteta Lígia Agostini (@ligiaagostini) e pelo arquiteto e paisagista Rafael Vidal (@rafavidalt), do escritório Casa Noar (@acasanoar), é uma construção que se destaca na paisagem, mas, ao mesmo tempo, encontra-se completamente integrada ao entorno.
“O design simples, mas arrojado, usa-se de materiais naturais a fim de marcar a aparência do prédio de forma emblemática, ofertando novas técnicas e referências formais e de design que vêm sendo exploradas no imaginário construtivo de Rio Pomba”, comenta Lígia.
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O projeto público teve como premissa convidar a população a participar mais ativamente da vida política da cidade. Para tanto, uma entrada acessível e universal foi criada a partir de uma rampa que acompanha a declividade da rua lateral e direciona o usuário para o coração da Câmara: a plenária.
“A proposta se configurou em um edifício pautado na permeabilidade, aberto em sua arquitetura a fim de fazer, também, esse convite à participação pública. Desta forma, a acessibilidade se tornou uma ferramenta essencial à proposta, pois garante que esse chamado se estenda de forma universal”, destaca a arquiteta.
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Uma praça pública sem grades e alinhada ao nível da rua dá acesso aos serviços prestados pela Câmara. “O pavimento térreo configura um espaço aberto, de passagem e apropriação livres, como um convite para uso e ocupação da comunidade, por isso, pode ser empregado para diferentes fins, efetivando seu caráter público”, comenta a arquiteta.
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Outra decisão de arquitetura, visando a integração com o entorno, foi a fachada permeável e o uso de materiais vernaculares, ajudando a criar um edifício que é continuação da cidade. Mesmo com um orçamento restrito e um lote pequeno de 300 m², o escritório conseguiu viabilizar um edifício marcante para a pequena cidade no interior mineiro.
“Todas as escolhas de projeto envolveram aquilo que é acessível, vernacular e familiar, visando devolver à comunidade local, por meio da arquitetura, o senso de pertencimento e, assim, o poder de participação”, fala Lígia.
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As fachadas trazem brises feitos de eucalipto, madeira abundante na região, ajudando na ventilação e iluminação naturais no interior do prédio. Amplas aberturas com vedação de vidro e cobogós permitem a entrada de luz solar, promovendo um ambiente claro e agradável.
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“O conforto visual também se estabelece a partir de uma relação de familiaridade da população local com a peça de eucalipto tratado e as de cobogó, ambos muito comuns em construções do universo rural e da cidade de Rio Pomba”, explica a arquiteta.
Já o conforto acústico é proporcionado pela própria setorização do edifício, reservando os ambientes que necessitam de um maior isolamento aos fundos do prédio e nos pavimentos superiores, longe do movimento da rua, como os gabinetes e a plenária.
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Esses materiais, assim como o concreto armado que compõe a estrutura principal da edificação, foram adquiridos de fornecedores locais. “Assim, o projeto é um resultado da integração de recursos e trabalho local em sua construção, e devolve para essa mesma força regional o poder de participação”, finaliza Lígia.
expresso.arq com informações de Ana Sachs


