Projeto documenta patrimônio arquitetônico moderno de Curitiba

Casa Frederico Kirchgässner, erguida no centro de Curitiba em 1930 — Foto: André Nacli/Divulgação CAC
Casa Frederico Kirchgässner, erguida no centro de Curitiba em 1930 — Foto: André Nacli/Divulgação CAC

Um projeto colaborativo está documentando o patrimônio arquitetônico moderno da capital paranaense. A Casa da Arquitetura de Curitiba (CAC) reúne fotos e informações sobre construções importantes erguidas a partir de 1930 na cidade, como a casa Frederico Kirchgässner, o Teatro Guaíra, a residência Jaime Lerner e o Museu Oscar Niemeyer.

Em entrevista à Casa Vogue, o incorporador imobiliário e fotógrafo André Nacli, um dos fundadores do CAC, conta como a ideia tomou forma e o que tem sido feito.

Residência do arquiteto Jaime Lerner, erguida em 1964 — Foto: Divulgação/CAC
Residência do arquiteto Jaime Lerner, erguida em 1964 — Foto: Divulgação/CAC

Na plataforma é possível visualizar, entre outros trabalhos, as primeiras obras de Vilanova Artigas na cidade, na década de 1940, as realizações de engenheiros-projetistas da Faculdade de Engenharia do Paraná, nas décadas de 1940 e 1950, e o início da utilização da madeira como matéria-prima estrutural, no final da década de 70.

Museu Oscar Niemeyer tem fotos e informações disponibilizadas no portal — Foto: Eduardo Macarios/Divulgação CAC
Museu Oscar Niemeyer tem fotos e informações disponibilizadas no portal — Foto: Eduardo Macarios/Divulgação CAC

Nacli explica o pontapé inicial do projeto, lançado em junho de 2021. “A conversa sobre documentar e valorizar o patrimônio moderno de Curitiba acontecia há muito tempo de maneira informal em muitos grupos menores, que hoje integram a CAC.

O falecimento de diversos arquitetos importantes de Curitiba, como Jaime LernerManoel Coelho, Alfred Willer e José Maria Gandolfi aumentou a vontade de manter a memória do trabalho de todos eles”, recorda.

Edifício Mirage, projetado pelo arquiteto José Maria Gandolfi em 1976 — Foto: Eduardo Macarios/Divulgação CAC
Edifício Mirage, projetado pelo arquiteto José Maria Gandolfi em 1976 — Foto: Eduardo Macarios/Divulgação CAC

Outros fatores contribuíram, como o concurso de uma revista local para eleger os melhores projetos residências da cidade em cada década, a partir dos anos 1960.

“A mudança do Plano Diretor impactou uma região que possui muitas casas modernistas, que poderiam vir a sumir por conta da nova legislação, além do avanço do mercado imobiliário”, afirma o fotógrafo.

Embora algumas obras modernas de Curitiba sejam tombadas ou listadas como Unidades de Interesse de Preservação na cidade, outras poderiam desaparecer.

“O nosso trabalho tem sido focado em documentar e preservar a memória destas obras que estão em risco de serem alteradas ou demolidas. Já chegamos a fotografar uma casa no dia anterior a demolição. Buscamos registra-las e garantir a manutenção destes importantes projetos na memória e na história”, diz Nacli.

Fachada do teatro Guaíra, construído em 1952 — Foto: André Nacli/Divulgação/CAC
Fachada do teatro Guaíra, construído em 1952 — Foto: André Nacli/Divulgação/CAC

O portal da CAC conta atualmente com o registro de pouco mais de 100 obras, que podem ser pesquisadas por tipologia, data, região ou autor.

“Cada projeto tem sua própria página com fotos recentes, fotos antigas, documentos históricos e desenhos técnicos. O preenchimento de tudo isto é um projeto em constante andamento”. Quem tiver material pode ajudar. “O que mais precisamos de ajuda é de fotos e documentos históricos, além de acesso as obras para fotografá-las”, encerra.

expresso.arq sobre artigo de Jonathan Pereira

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