A versatilidade das estruturas de madeira em projetos contemporâneos brasileiros
Das construções ancestrais ao “concreto do futuro”, termos não faltam para descrever a madeira.
Presente na história e no horizonte da arquitetura mundial, o material demonstra uma possibilidade sustentável e está associado ao aconchego e calor que brinda na atmosfera espacial.
No Brasil, não é diferente. Diversas obras contemporâneas exploram as qualidades e benefícios de seu uso, inclusive no viés estrutural.
Roliça, laminada colada (MLC), pré-fabricada, ão muitas as formas de conceber a estrutura.
Nos exemplos selecionados destacam-se a preocupação de relação com o contexto, a busca por madeiras de origens sustentáveis, o contraste que sua textura natural oferece quando composta com outros materiais e as diferentes formas de montagem em cada obra.
Veja todos, a seguir, acompanhados de parte de seus memoriais descritivos.
Convento FFB / Mixtura

“Estes edifícios, embora autónomos e reconhecíveis, estão ideal e formalmente unidos por uma grande cobertura de madeira que lhes confere unidade arquitetónica. Em frente à capela, em continuidade com a grande cobertura, há uma praça coberta, ponto de encontro que oferece abrigo do sol durante o dia e permite que a igreja acomode mais de 500 pessoas sentadas. Entre a sacristia e os prédios administrativos, a nordeste, ergue-se a biblioteca, um volume de policarbonato translúcido suspenso em quatro pilares de madeira de cumaru que à noite se torna uma lanterna luminosa que permite a percepção de seu conteúdo. (…) A sudeste encontra-se o edifício habitacional, único edifício de 3 pavimentos constituído por uma estrutura portante em concreto armado pré-moldado, tecnologia difundida e confiável em Salvador. É cercado por um exoesqueleto de madeira que abriga a galeria de distribuição e sistemas de brise-soleil de madeira necessários para evitar o superaquecimento das paredes e garantir a proteção da água da chuva”.

Sede Administrativa Fundação Florestal – Juréia-Itatins / 23 SUL

“A opção pela estrutura com madeira laminada colada (MLC) – pré-fabricado leve de origem renovável – reduz o peso sobre as fundações e a geração de resíduos de difícil reciclagem, além de garantir controle e agilidade ao processo construtivo. Seguindo o mesmo raciocínio, optou-se por divisórias moduladas em sistema autoportante com MDF tratado, caixilhos padronizados em madeira, fechamentos internos e externos com MDF, policarbonato alveolar, telhas termoacústicas e assoalhos em painel wall. Os grandes beirais da cobertura, a ventilação natural cruzada e as circulações avarandadas melhoram sensivelmente o conforto ambiental do prédio”.

Residência RC / Miguel Pinto Guimarães Arquitetos Associados

“Os materiais orgânicos se misturam ao entorno em tons de verde que se integram à madeira, principal material utilizado, desde a estrutura até o telhado composto por telhas de taubilha de eucalipto. A piscina de borda infinita se mistura ao azul do céu e do mar, destacando a imponência da natureza”.

Café Jeri Hotel / Tadu Arquitetura

“A abordagem do trabalho se debruça sobre a madeira como principal elemento construtivo, complementado pelos tons claros das paredes e as variações entre tons de areia e terrosos presentes nos revestimentos, no cimento queimado, no piso em pedra Cariri, nas luminárias e na decoração”.

Casa Agüé / Atelier Marko Brajovic

“A estrutura da casa, de módulo triangular, são de eucalipto roliço tratado e pintado. Os pisos e fechamentos são da mesma madeira, os fechamentos leves são feitos de bambu trançado e o acabamento das paredes foram produzidos com terra local. Exceto pelos vidros e a telha termoacústica, os materiais da construção e toda mão de obra estão dentro de um raio de 50 km da construção, configurando maior controle sobre as origens e emissão de carbono da construção”.

Pavilhão Praia / Aberta Arquitetura

“Elevada do solo, através de um sistema simples de estacas de madeira, a construção visa transmitir uma sensação de leveza e fluidez que, reforçada pela envoltória de panos, possibilita uma montagem rápida e limpa, além da multiplicação longitudinal do bloco e configurações diversas. Uma escolha ética e estética que prioriza materiais em estado mais natural. A flexibilidade na lógica construtiva de montagem, somada à racionalidade do esqueleto estrutural, permite a transposição do pavilhão, podendo existir em qualquer lugar e em qualquer momento. Após sua exposição na mostra, as peças serão levadas para o sul da Bahia, onde servirão como hospedagem particular. Assim, com uma característica de prototipagem, mais que uma área constituída, a proposta é uma ordenação, podendo ser ampliada, reproduzida e implantada em diferentes contextos, para o uso de diferentes vivências”.

Pavilhão Folhas Sagradas / Atelier Daniel Florez

“A proposta é um umbráculo formado por três folhas de madeira laminada e bambu, um pavilhão que tenta criar seu próprio ecossistema através do diálogo e do respeito com o ecossistema existente. (…) A estrutura, de Madeira Laminada e Bambu, gera um espaço sombreado e ventilado abaixo de uma cobertura de policarbonato e projeta com sua sombra o desenho de uma folha, que aparece, se move e desaparece em uma espécie de magia criada pelo movimento das nuvens, o vento e o sol. (…) As colunas de madeira do perímetro das folhas constroem um pórtico clássico voltado para o mar e são esculpidas em forma antropomórfica com 2.3m de altura, exatamente a mesma altura da maravilhosa Tribuna das Cariátides do templo Erechtheion, construído como um santuário para Poseidon, O Deus dos oceanos, em Atenas, Grécia em 420 AC. (…) Os materiais usados são madeira laminada de árvores de rápido crescimento de áreas de reflorestamento”.

expresso.arq sobre artigo de Victor Delaqua


