Está na hora de retirar um equipamento de operação? Saiba como avaliar

Máquinas e equipamentos utilizados pela construção civil têm vida longa. 

Alguns permanecem em operação após 100 anos de uso, de acordo com o engenheiro Paulo Oscar Auler Neto, vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema).

“De uma forma hipotética, um equipamento mecânico tem vida infinita se considerarmos que foi operado dentro das suas especificações, não atuou em ambientes corrosivos e teve a sua manutenção realizada rigorosamente dentro dos padrões preconizados pelos fabricantes”, enfatiza.

Não existe um momento exato e claramente definido para a retirada de um equipamento de operação.

Mas há critérios muito bem estabelecidos, a começar por sua produtividade, fadiga de materiais, custo operacional e fatores ligados à segurança do operador e do seu entorno.

“Dependendo da idade e do estado de um equipamento, não é economicamente viável mantê-lo operando, devido à dificuldade de obtenção de peças e ao alto custo para reparos”, expõe.

Outros fatores que pesam na decisão são as altas exigências de produtividade, os novos padrões de segurança e sustentabilidade.

O descarte é feito, também, quando há ocorrência de acidentes, operações acima da capacidade, falhas mecânicas crônicas e o encerramento da produção por parte do fabricante.

“Em resumo, o descarte não é definido pelo tempo ou pelas horas trabalhadas, e sim pelo estado geral do equipamento e a forma como foi operado e mantido ao longo do tempo”, destaca Auler Neto, lembrando que não existe uma fiscalização por parte dos órgãos públicos.

No entanto, equipamentos de içamento de cargas e de pessoas exigem certificação periódica de operação.

“Estando o equipamento enquadrado nos padrões estabelecidos, a operação está autorizada. Somente para veículos e caminhões existe controle de origem dos componentes usados por parte das autoridades”, complementa.

DESTINAÇÃO DE COMPONENTES

Quando o equipamento é colocado fora de operação, os principais componentes são desmontados e oferecidos ao mercado secundário como peças usadas.

As peças daqueles mais antigos e sem movimentação, ou as que se deterioram após longo tempo nos pátios e galpões dos desmanches, vão para as fundições.

“Alguns poucos fabricantes/dealers criaram um setor de peças usadas certificadas, em que componentes específicos são desmontados, avaliados e certificados como ‘peças usadas garantidas’. Esses itens também alimentam o mercado secundário com peças usadas de melhor qualidade e minimamente garantidas”, explica o vice-presidente da Sobratema.

Os motores também são reaproveitados e oferecidos nesse mercado secundário.

Servem tanto para reposição da frota ainda em operação para quem busca uma peça mais barata, como para o acionamento de equipamentos artesanais, como dragas e bombas d’água.

Pelo fato de as peças e componentes usados não terem um histórico definido e uma garantia de qualidade, os fabricantes em sua maioria evitam a comercialização de peças usadas, salvo as certificadas.

“Os motivos são os eventuais problemas de garantia e as exigências da lei de proteção ao consumidor, ficando este mercado nas mãos dos tradicionais desmanches ou ferros-velhos”, afirma.

Para os equipamentos mais antigos e fora de linha, esses ambientes são a principal fonte de suprimentos de peças para quem ainda quer ou precisa manter um equipamento antigo em operação.

Máquinas e equipamentos, componentes e motores sem condições de aproveitamento ou que não teriam serventia como itens usados são destinados à reciclagem.

“É o caso, principalmente, dos componentes metálicos, importante insumo para as siderúrgicas de todo o mundo”, finaliza.

expresso.arq com informações de Redação e-Construmarket

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