Agro se Torna o Novo Porto Seguro para os Bilionários Family Offices
Enquanto os mercados se concentram nos últimos sinais do Federal Reserve e nos lucros das empresas de inteligência artificial, a legislação mais impactante em décadas para famílias com patrimônio ultra elevado no EUA se tornou realidade discretamente.
A “Grande e Bela Lei”, formalmente chamada de One Big Beautiful Bill Act, representa nada menos que uma mudança sísmica na forma como as famílias mais ricas do país irão construir, preservar e transferir fortunas entre gerações. A nova lei é mais do que uma política tributária: é um forte sinal de que a abordagem dos EUA à riqueza familiar mudou de forma substancial. Ao elevar permanentemente as isenções e reforçar os incentivos ao investimento empresarial, a legislação oferece aos family offices ferramentas para construir e transferir riqueza como nunca antes.
Os números falam por si. A partir de 1º de janeiro de 2026, as isenções de impostos sobre herança, doações e transferências entre gerações passam permanentemente para US$ 15 milhões por pessoa (R$ 82,2 milhões na cotação atual) — o dobro do limite anterior — e uma reversão completa das cláusulas de caducidade que ameaçavam reduzir esse valor para cerca de US$ 6 milhões (R$ 32,9 milhões). Para os family offices que gerenciam riqueza multigeracional, isso não é apenas alívio fiscal, é uma reestruturação fundamental do cenário de transferência de patrimônio.
Sob o modelo anterior, as famílias enfrentavam uma contagem regressiva com a proximidade do fim das disposições da Tax Cuts and Jobs Act. Agora, com as isenções permanentes asseguradas, o planejamento estratégico pode se estender por décadas sem a incerteza legislativa. A mudança aproxima a política americana de imposto sobre herança dos modelos europeus, nos quais muitos países eliminaram ou reduziram drasticamente esse tipo de tributação.
Mais criticamente, ela elimina a pressão por liquidações forçadas que historicamente levaram à fragmentação de empresas familiares e propriedades agrícolas.
Ganhos de Capital: Estabilidade Predomina
Surpreendentemente, a legislação mantém inalteradas as alíquotas de imposto sobre ganhos de capital. Não há modificações no tratamento de carried interest, nas alíquotas de imposto corporativo ou nos impostos sobre recompra de ações. Essa estabilidade permite que os family offices mantenham suas estratégias de investimento atuais sem receio de aumentos inesperados nos impostos sobre ganhos de capital.
No entanto, um aprimoramento se destaca: investimentos em Qualified Opportunity Funds passam a receber tratamento isento de impostos sobre os ganhos mantidos por um período entre 10 e 30 anos. Essa janela estendida melhora significativamente os retornos ajustados ao risco para investimentos de impacto em zonas designadas — uma opção particularmente atraente para family offices que buscam equilibrar retornos financeiros com mandatos de impacto social.
Ativos Agrícolas são a “Bola da Vez”
Para os family offices com grandes ativos agrícolas, como fazendas de grãos, de gado e operações florestais, a legislação cria vantagens sem precedentes.
A Dedução de Renda de Negócio Qualificado da Seção 199A se expande de 20% para 23% e se torna permanente. Considere o impacto: mais de 850 mil fazendas e propriedades rurais atualmente reivindicam essa dedução, com uso chegando a 70% entre as operações nas quais o operador principal atua predominantemente na agricultura ou pecuária.
A dedução ampliada permite que os operadores agrícolas isentem de tributação quase um quarto da renda de seus negócios, enquanto os limites expandidos de ativação oferecem mais flexibilidade. Contribuintes solteiros agora recebem os benefícios completos até US$ 75 mil (ante US$ 50 mil), enquanto os casais têm cobertura até US$ 175 mil (ante US$ 100 mil).
A Estratégia de Preservação da Terra
A isenção de US$ 15 milhões no imposto sobre herança transforma o planejamento sucessório agrícola. Terras agrícolas e propriedades rurais, normalmente ativos grandes e ilíquidos, historicamente forçaram famílias a vendê-los para cobrir obrigações fiscais de herança. Os novos níveis de isenção permitem que essas operações sejam transferidas intactas, preservando os legados multigeracionais.
Adicionalmente, a legislação injeta US$ 56,6 bilhões em programas de proteção agrícola até 2031, fortalecendo seguros de safra e programas de conservação. Para family offices, isso reduz o risco operacional e cria novas oportunidades de diversificação de renda por meio de iniciativas de conservação.
Investimento Empresarial Acelerado
A depreciação acelerada ilimitada permanece em vigor, permitindo a dedução imediata de equipamentos e melhorias qualificadas. Combinada com deduções ampliadas de juros empresariais e ajustes nos limites para perdas excessivas de negócios, os family offices podem reinvestir de forma mais agressiva sem penalidades fiscais.
Essas disposições beneficiam especialmente operações agrícolas, onde aquisições de equipamentos e melhorias fundiárias representam grandes investimentos de capital. A possibilidade de deduzir imediatamente esses aportes melhora o fluxo de caixa e viabiliza estratégias de crescimento mais ousadas.
Implicações Estratégicas
A legislação elimina a incerteza que assombrava o planejamento dos family offices desde 2017. As disposições temporárias da Tax Cuts and Jobs Act deixaram muitas famílias em compasso de espera, relutantes em fazer compromissos de longo prazo diante da instabilidade regulatória. Agora, as regras permanentes permitem um planejamento multigeracional com confiança.
Os family offices podem otimizar estruturas patrimoniais, acelerar investimentos de impacto por meio das zonas de oportunidade ampliadas e promover diversificação agrícola com vantagens fiscais inéditas.
expresso.arq com informações de Robert Daugherty


