Como iluminar cozinhas americanas: dicas e truques de especialistas
Muito requisitada entre aqueles que procuram imóveis, a cozinha americana é ideal para receber amigos e familiares, já que sua característica principal é ser integrada à área social. Porém, para que exista uma unidade entre os ambientes que se comunicam sem perder a funcionalidade da cozinha, atentar-se à iluminação é essencial. Antes de tudo, é preciso entender a disposição do espaço e como o morador pretende utilizar o espaço.
Para entender mais sobre iluminação de cozinhas americanas e como fazer uma composição ideal, a Casa Vogue conversou com a arquiteta e urbanista Laura Pessoa, especialista em Lighting Design e diretora do Entropia Arquitetura. Confira:
Quais os pontos de atenção ao iluminar uma cozinha americana?
Segundo Laura Pessoa, “a iluminação reage ao ambiente que está projetada e é íntima aos desejos dos usuários”. Portanto, não há uma receita para ser seguida no momento de construir a iluminação de um ambiente. Porém, a arquiteta lembra sobre a importância de ter uma interligação visual e unidade estética em projetos com cozinha americanas, já que eles são marcados por ambientes que se conectam. “A principal característica desse tipo de cozinha é a “planta aberta”, com o espaço dividido por balcões em meia parede, com ou sem ilhas ao centro, sendo possível divisórias móveis, ou seja, um ambiente sem divisórias de alvenaria e sem uma porta intermediando o acesso – e é aqui um dos maiores pontos de atenção quanto à iluminação desses ambientes”.
Além disso, é preciso conhecer as necessidades e características de quem utilizará o espaço, já que cada morador tem uma necessidade de quantidade de luz diferente. “Um jovem adulto que pouco utiliza a cozinha, pois almoça na rua e à noite normalmente esquenta uma marmita pré-pronta, tem uma necessidade luminosa diferente de uma pessoa com mais de 60 anos que cozinha diariamente pratos elaborados”, afirma a especialista. Dessa forma, o grande desafio quanto à iluminação de uma cozinha americana é “a harmonia entre função e atmosfera”, ou seja, eficiência para o desenvolvimento de tarefas e acolhimento em funções sociais. “Cozinhas americanas não são somente um ambiente de preparo de alimentos, mas também um local para receber, para conforto e de conexão entre outros ambientes da casa”, completa.
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Como estabelecer uma unidade entre a iluminação da cozinha e área social?
Como dito anteriormente, em um projeto com cozinha americana, a conexão entre este ambiente e a área social (seja a sala de estar ou jantar) é essencial para estabelecer uma coerência. Para isso, Laura Pessoa aconselha apostar na fluidez visual para um diálogo sem ruídos entre os ambientes. “O tipo de iluminação que uma cozinha precisa – bem como ‘a quantidade de luz’ (mensurada em Lux) – é diferente do que um estar carece. Como há o manejo de ferramentas cortantes, cores e manipulação de alimentos, o Lux desse espaço deverá ser maior do que dos ambientes anexados. Por isso, é interessante parear o modelo das luminárias utilizadas em todo o projeto, bem como a temperatura de cor, compreendendo que alinhamentos, ritmos e detalhes poderão ser uma continuidade da sala”, revela.
Como escolher a temperatura da luz?
O assunto é polêmico: alguns arquitetos defendem que a cozinha precisa ter uma iluminação fria (temperatura de cor acima de 5.500K) ou, no máximo, neutra (média de 4.000k) – popularmente chamadas de luz branca. Isso porque essas temperaturas geralmente são mais indicadas para ambientes que precisam de foco, como escritórios, cozinhas, home offices e áreas de estudo. Por outro lado, as luzes amarelas ou quentes (média de 2.700k/3.000k) proporcionam mais conforto e aconchego, e há quem defenda que em ambientes domésticos elas são suficientes para qualquer cômodo.
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De acordo com Laura Pessoa, o papel do arquiteto é “conduzir os moradores na adequada solução, mas sem esquecer que a iluminação está diretamente conectada à cultura de cada um”. Portanto, é necessário entender qual alternativa é a melhor para você – e isso não significa excluir uma ou outra. “Costumo misturar as temperaturas para abrir às possibilidades do uso e à individualização. Se o cliente não nos traz qualquer objeção sobre temperatura de cor, utilizaremos 3.000k na casa inteira e 2.700k em decorativos como o abajur”, explica a especialista.
Como equilibrar a iluminação funcional e decorativa?
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Laura Pessoa reforça: “Falar de iluminação na arquitetura é falar de conforto”. A máxima é ainda mais verdadeira quando falamos sobre cozinhas, normalmente consideradas o coração da casa. Por isso, é essencial que a estética e a funcionalidade sigam o mesmo compasso. Diante das diversas ofertas do mercado e inovações tecnológicas, a arquiteta aconselha “uniformizar os modelos de luminárias, assim como pareá-las à linguagem do projeto e deixá-las que cumpram suas funções sem excesso”.
A iluminação embutida no teto é suficiente para a cozinha americana?
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“Um ponto de luz centrado em uma cozinha dificilmente será o bastante para atender às tantas funções que esse ambiente abraça – e quando digo atender é quanto à incorporação de questões funcionais, estéticas e de segurança”, ressalta. Ao pensar em iluminação, a arquiteta reforça a necessidade de uma iluminação direcionada à bancada de tarefas, que permita a execução das atividades de forma eficiente. Porém, há diversos tipos de iluminação que podem ser incorporados no seu projeto, veja alguns citados por Laura Pessoa:
- Iluminação geral: é o tipo de iluminação que “lavará” o ambiente inteiro de forma uniforme e difusa, sendo de extrema importância para o desempenho das tarefas.
- Iluminação focal: consiste naquelas de ângulos específicos ou vinda de spots, por exemplo, que são ideais para detalhes, como quadros, nichos ou bancadas de refeição rápida. “Com a absorção desse tipo de layout à cultura brasileira, a cozinha americana se tornou um espaço mais social, do que de serviço. Por isso, personalizar a iluminação é dar possibilidades aos nossos clientes mudarem perante a necessidade vigente”, explica.
- Iluminação de tarefa: como o nome já sugere, esta iluminação é adotada para o desempenho de uma tarefa específica. Nas cozinhas, costuma ser utilizada no manuseio de tábuas e facas, ao higienizar alimentos ou no cozer. “No primeiro e segundo caso, luz de perfil de LED instalados na marcenaria superior ou no teto, direcionados ao meio da bancada, atendem e trazem segurança à atividade e, no terceiro caso, no uso do fogão, a luz da coifa ou do depurador cumprem com a função”.
- Iluminação decorativa: consiste em luminárias decorativas como arandelas, pendentes ou abajures. “Importante estar atento à distância da água e ao tipo de material, evitando tecido próximo de áreas que produzirão gordura”, alerta.
- Iluminação sinalizadora: dependendo do perfil do morador, é possível utilizar balizadores nas paredes ou iluminação no sóculo do móvel para ajudar na localização no ambiente. “Sabe o desejo por um chá antes de dormir e a última coisa que você deseja é ligar toda aquela luz intensa da cozinha? Essa iluminação serve para esses momentos”.
Além de garantir a funcionalidade do ambiente e a segurança no momento de executar tarefas, a iluminação é essencial para criar uma cozinha confortável e aconchegante. “É por meia dela que podemos criar o cenário ideal em que boas memórias são reveladas”, completa Laura Pessoa.
expresso.arq sobre artigo de Laura Raffs


