Piso para calçada: importância, características e melhores materiais
A calçada representa mais do que simplesmente um espaço de passagem. É o cartão de visita do lar para o mundo exterior. Portanto, ao selecionar o piso adequado para este espaço, além de pensar na estética, é preciso considerar uma série de características a fim de garantir durabilidade, segurança e harmonia com o ambiente urbano.
Além disso, apesar de ser um espaço público, a calçada é de responsabilidade do proprietário do imóvel. Isso significa que caso não esteja dentro das normas municipais ou estaduais de construção, o dono da casa pode receber multas e outras penalidades.
“A questão do piso não ser escorregadio e irregular é uma exigência, pois, caso contrário, pode causar acidentes. Assim, o morador é responsável pela sua calçada caso alguém se acidente por um destes fatores”, explica o arquiteto Bruno Moraes, do BMA Studio.
Características ideais do piso
Em vista disso, algumas características devem ser pensadas antes de escolher o melhor piso para as calçadas:
- Durabilidade para resistir às intempéries e ao desgaste causado pelo tráfego.
- Aderência e grau de atrito adequados para prevenir acidentes, especialmente em condições adversas.
- Capacidade de absorção de água a fim de evitar acúmulos e contribuir para o escoamento adequado.
- Resistência à dilatação e intempéries para suportar variações climáticas e condições ambientais.
- Acessibilidade, com superfície uniforme e nivelada para facilitar a circulação de pessoas com mobilidade reduzida.
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Materiais mais usados em calçadas
- Concreto: oferece diversas opções de padrões e cores, agregando valor estético à calçada.
- Pedra Miracema: resistente, durável e com boa aderência. Além disso, possui diversidade de cores e é um material de bom custo benefício.
- Porcelanatos: existem modelos para áreas externas que são antiderrapantes e com bastante resistência. Os modelos lisos devem ser evitados, pois são escorregadios.
- Pedra granito: bastante resistente, é um revestimento barato, porém, seu visual pode valorizar a fachada. A desvantagem é que absorve a temperatura – muito frio em dias gelados e muito quente no calor.
- Ladrilho hidráulico: o material com desenho geometrizado do mapa de São Paulo, criado por Mirthes Bernardes em 1966, que venceu o concurso aberto pela Prefeitura da cidade, ganhou as ruas e é usado até hoje. O material é antiderrapante e tem alta resistência à abrasão, ideal para áreas de tráfego intenso.
- Arenito: trata-se de um material usado em estado bruto, encontrado em diversos formatos e tipos de corte, além de cores. Geralmente é usado junto ao basalto e ao mármore para a construção do chamado mosaico português.
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Pisos drenantes
Os pisos drenantes são ótimas alternativas para revestir calçadas, já que, como ressalta Bruno, com os problemas causados por enchentes, crescimento urbano desorganizado e falta de escoamento das águas das chuvas, podem ajudar na absorção de água para evitar seu acúmulo.
Isso porque sua composição é porosa, formada por concreto e pedras granuladas, que permite a água escoar pelo piso até o solo. “Optar por revestimento permeável não é uma exigência, mas uma atitude que ajuda muito, principalmente nas grandes cidades, a fim de evitar enchentes”, acredita ele.
Conheça alguns tipos usados em calçadas:
- Intertravado
O arquiteto indica piso intertravado, também conhecido como paver, já que esse modelo possui permeabilidade. As peças de concreto modulares com diversas formas, cores e texturas não requerem argamassa ou outro material colante para ligar os blocos entre si, já que são travados como um quebra-cabeça. Além de serem antiderrapantes, são ideais para locais com grande fluxo de pessoas. - Concregrama
O arquiteto André Braz concorda e sugere o piso concregrama, que além de oferecer permeabilidade do solo e resistência a alto tráfego, seu material formado por concreto vazado permite plantio de diversos tipos de grama. - Fulget
A composição principal do piso fulget inclui cimento, cal, pedrinhas de granito, quartzo, arenito e mármore, e sua aplicação lembra asfalto. Durável, resistente, antiderrapante, atérmico e ecológico, o revestimento é muito usado tanto em calçadas como áreas de piscinas, rampas de acesso e escadas.
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Mais estilo na calçada
A adição de certos elementos pode proporcionar uma calçada única, funcional e que se encaixe no contexto urbano. Confira as dicas dos arquitetos:
- André acredita que usar cada vez mais canteiros para que o pedestre tenha conforto ao caminhar nas calçadas, com árvores que proporcionam sombras e boa iluminação, valoriza os caminhos e a vegetação.
- Para Bruno, mosaicos de pedra criam padrões por meio de diferentes cores e formas.
- Inserir iluminação embutida no piso, segundo Bruno, cria efeitos visuais noturnos.
- Outra dica de Bruno é aposta em jardins suspensos. “Integre áreas verdes no alto combinando vegetação com o piso”, sugere.
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Árvores na calçada
Quanto à presença de árvores, Bruno afirma ser necessário planejar um espaço adequado, que garanta área suficiente para o crescimento saudável das raízes, a fim de evitar danos à calçada, assim como o levantamento do piso devido ao seu crescimento.
Dessa forma, ao plantar uma espécie vegetal na calçada, seja uma planta rasteira, um arbusto, seja uma futura árvore de grande porte, é preciso, além de analisar como serão suas raízes para não quebrar as calçadas e os muros, verificar a insolação e se a espécie realmente aguenta ficar no local onde ela está sendo plantada, conforme a insolação solar.
Outro fator importante, segundo Bruno, é que a prefeitura de cada município regula como funciona a área destinada para ter um jardim na calçada, a fim de não atrapalhar a faixa de passeio, onde os pedestres circularão. “Por isso existem métricas e normas para se seguir quando for criar um jardim na sua calçada”, avisa ele.
Para André, esses cuidados são essenciais, já que levar a sustentabilidade para a calçada é importante. “Quem mora em São Paulo, por exemplo, sabe a diferença em caminhar em Higienópolis, um bairro projetado com calçadas largas e arborizadas, e pelo Itaim, que possui poucas árvores e calçadas estreitas”, compara.
O que diz a legislação
De forma geral, as normas ABNT 9050 (de acessibilidade) e a 16537 (sobre sinalização tátil de piso), que são nacionais, devem se consideradas na hora de pensar a calçada. Além disso, Bruno recomenda seguir as normas ditadas pela prefeitura, segundo cada cidade.
“Dependendo da reforma, será preciso aprovar na prefeitura, recolher RRT (Registro de Responsabilidade Técnica) ou ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), mas tudo dependerá do tipo de intervenção”, explica ele.
expresso.arq sobre artigo de Rosana Ferreira


