Mansões compartilhadas: como funciona esse mercado de luxo no Brasil
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O mercado de casas de luxo compartilhadas, em que cada comprador paga uma cota do valor total e pode usufruir do imóvel durante uma determinada quantidade de dias por ano, vem se expandindo. De acordo com o estudo
“Cenário do Desenvolvimento de Multipropriedades no Brasil”, publicado pela Caio Calfat Real Estate Consulting, existem 180 empreendimentos do tipo em todas as regiões do país – número superior aos 156 registrados em 2022.
O levantamento aponta que o número de casas e apartamentos em multipropriedade à venda teve um aumento de 14,6% – de 22.398 em 2022 para 25.672 este ano, acompanhando também o valor da fração imobiliária, que cresceu 23,2%, chegando a R$ 66,7 mil em média em 2023.
Mas por que as mansões de luxo compartilhadas vêm atraindo cada vez mais interessados?
Como funciona
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A Lei nº 13.777/2018 define o conceito de multipropriedade como “o regime de condomínio em que cada um dos proprietários de um mesmo imóvel é titular de uma fração de tempo, à qual corresponde a faculdade de uso e gozo, com exclusividade, da totalidade do imóvel, a ser exercida pelos proprietários de forma alternada”, entre outras regras.
Roberto Pinheiro, CEO da MyDoor – que oferece cotas em propriedades de luxo nos estados de São Paulo, Bahia, Alagoas e Rio Grande do Norte desde maio de 2022 – explica como funciona o conceito de “segunda casa compartilhada”.
“A gente compra a casa de uma empresa e divide em no máximo 8 proprietários, que pagam 1/8 do valor total. Isso dá direito a utilizá-la 44 dias por ano”. As cotas oferecidas variam de R$ 230 mil (com 88 m² em Campos do Jordão, no interior de SP) a R$ 1,96 milhão por uma mansão de 783 m² na Riviera de São Lourenço, no litoral norte de São Paulo.
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Ele aponta as vantagens desse tipo de negócio. “São destinos desejados, lugares que os proprietários querem ter uma casa, mas eventualmente não a usariam tanto, além de um custo mensal muito alto de manutenção. A gente cuida de toda a gestão, decoração, manutenção e o serviço desta casa, e os proprietários racham a conta mensal, sem dor de cabeça. É uma solução inteligente”, afirma.
O uso passa por um rodízio entre os donos, para que todos tenham direito em diferentes períodos. “Há algumas regras de reserva: pode-se usar de 2 a 14 dias numa data normal (sem ser feriado nem férias).
Nas férias de janeiro e julho ou nos feriados, o período de uso é de no mínimo 3 e no máximo 7 dias. Os feriados são definidos por sorteio entre os 8 donos, alternando de ano para ano: quem foi o número 1, no ano seguinte vira o 8, quem foi o 2 vira o 7 e assim por diante, para ser o mais equitativo possível. Então todo ano você vai ter pelo menos duas semanas especiais: uma de férias e uma de feriado”, detalha.
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Pinheiro diz como as casas oferecidas nesse modelo são selecionadas. “A gente tem uma equipe de curadoria, com engenharia e arquitetura para escolher a dedo as melhores casas nos melhores destinos. Tem que ter uma arquitetura legal, detalhes de decoração e, quando não tem, a gente já coloca no nosso projeto para fazer depois”.
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Todos precisam seguir regras de utilização, e é possível personalizar o décor. “A gente monta a decoração da forma mais clean possível, sem nada muito eclético que possa desagradar algum dos proprietários. Mas em todas as nossas casas há 8 depósitos: cada proprietário tem o seu e pode guardar suas coisas pessoais, eventualmente itens de personalização também. Se tiver porta-retrato ou quiser usar o seu edredom, por exemplo, pode deixar guardado lá e a gente monta a casa de acordo com o gosto de cada um”.
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É possível comprar mais de uma cota do mesmo imóvel, para utiliza-lo por mais tempo, ou adquirir cotas em outras cidades disponíveis. Caso não for utilizar a estadia, é possível alugar para terceiros.
“Todos os donos dividem os custos mensais de IPTU, condomínio, conta de água, luz, jardineiro, piscineiro, custos de manutenção da central e serviços, como concierge e hostess dedicadas. Ele paga 1/8 desses custos, como se fosse um condomínio”, diz o CEO da MyDoor.
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A origem dos proprietários muda de acordo com a região em que a casa fica. “No litoral de São Paulo, a grande maioria vem do interior do estado.
Na Bahia, a maioria dos clientes da Praia do forte a maioria vem de Salvador; Já Trancoso, os clientes vêm de Brasília, Goiânia, Campo Grande e Belo Horizonte”.
Ilha compartilhada
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Em Salvador, é possível ter uma ilha privativa de 5632 m² à disposição no sistema compartilhado, com mansão de alto padrão, píer, heliponto, praia particular e áreas de lazer, ao custo de R$ 19,69 milhões a cota.
O negócio é feito pela empresa Prime You, especializada em compartilhamento de bens como aviões, helicópteros, embarcações, imóveis e carros esportivos, é responsável pelas vendas.
A mansão conta com mobiliário de design assinado, setes suítes, salas de jantar e de estar, mirante, duas cozinhas completas com eletrodomésticos de última geração e adega individual climatizada para cada cotista, além de salão de convivência, fire pit, bar, hidromassagem com borda infinita, piscina, spa, academia e uma embarcação de 62 pés, já inclusa na cota, para navegar pela costa de Salvador.
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No empreendimento, quatro cotistas podem adquirir por R$ 19,69 milhões – 25% do valor total da fração do empreendimento – e terão direito a aproveitar a ilha durante uma semana por mês – totalizando o equivalente a três meses ao ano.
Há também uma taxa fixa mensal de R$ 39 mil para cobrir custos fixos de manutenção, além de uma “taxa variável para assegurar que a propriedade esteja sempre em ótimas condições toda vez que for utilizada”.
Experiência
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O empresário baiano Marcel Urpia é um dos que tem aproveitado o estilo de vida. Depois de se desfazer de uma casa e praia que só conseguia utilizar uma vez por mês, ele decidiu apostar no modelo de cota compartilhada.
“O custo de oportunidade foi o que me chamou a atenção em primeiro lugar. Vi que poderia ter uma experiência de alto padrão com custos bem mais em conta. É como ter um serviço VIP, mas sem o preço VIP”, avalia.
Ele conta que adquiriu uma cota da MyDoor há 6 meses, e que já conseguiu usufruir do imóvel quatro vezes. “Foi simplesmente sensacional. A família ficou encantada, e meus filhos não paravam de brincar. É como se tivéssemos encontrado o nosso pequeno paraíso particular, com todo o conforto e sem a dor de cabeça de manutenção”, elogia.
expresso.arq com informações de Jonathan Pereira


