Decoração afetiva: deixe o lar aconchegante com jeitinho de casa da vovó
Cadeira de balanço, plantas, filtro de barro, fotos na parede e aroma de café.
Lembrar de elementos presentes na casa de nossos avós pode ser a porta de entrada para inspirações cotidianas, inclusive no que diz respeito à decoração.
E incorporar referências do passado no lar tem o potencial de despertar prazer e emoção, então, por que não considerar essa possibilidade?
Afinal, o objetivo deste estilo é prezar pelo conforto e pelo sentir-se bem.
Engana-se quem pensa que em todo planejamento de decoração esses fatores são prioridade. Isso porque, muitas vezes, a funcionalidade vem em primeiro lugar — cenário que mudou com a pandemia.
O isolamento promoveu uma maior reflexão sobre o espaço casa e a sua influência na história de cada morador que a habita.
Buscou-se maior acolhimento e identificação, além da sensação de segurança que tempos aparentemente mais previsíveis promoviam.
O estilo “casa de vó” — tão “colo de vó” — emerge, assim, para suprir essas carências.

Para a designer de interiores Paula Leite, esse movimento é um contraponto à tendência que visa a constituição de ambientes mais sóbrios, predominantemente brancos e cinzas, com poucos ornamentos, materiais mais frios e aparelhos de última geração.
Em concordância, Marina Fontes, arquiteta e idealizadora da Hibisco Arquitetura, lembra que decoração só faz sentido com afeto, daí a importância de se conectar com um local que abarque a sua personalidade.
“Não consigo me conectar com tendências do tipo ‘estilo escandinavo’, ‘casa minimalista’. Acho que isso funciona para estética de revista, projetos de cenografia e comerciais, mas para dentro de casa? Que casa é essa que não tem uma planta, uma cor, um desenho de criança, uma foto sequer na parede?”, questiona Marina.
Uma das premissas da decoração afetiva, muito relacionada à ideia da “casa de vó”, é pensar a rotina e a forma das pessoas que ocupam e se relacionam com o espaço, por isso, regras de decoração funcionam diferentemente para cada lar.


Simplicidade, aconchego e segurança
Mas, para quem não quer abrir mão de compor um ambiente rico em memórias afetivas, valem algumas dicas.
Optar por móveis com materiais mais naturais, como madeira, tecidos, palha; garimpar peças em brechós e lojas de móveis antigos, como cristaleiras; e utilizar objetos que tragam sensação de aconchego, como tapetes e mantas, são as orientações de Paula Leite.
Além disso, destacar objetos com significados emocionais, como fotos e lembranças de viagem, é interessante. Azulejos coloridos e itens feitos à mão completam o time.
As plantas são sempre bem-vindas e servem, inclusive, para trazer a sensação de vida — literalmente — a locais corporativos e institucionais.
Ademais, valorize um cantinho da casa em que você goste de estar, seja uma poltrona, uma rede ou um pequeno banco.
“Não se preocupe com modismos”, sugere Marina Fontes.
A arquiteta Ângela Cambraia, idealizadora do Casacam, ambiente exposto na CasaCor 2021, por exemplo, conta que gosta de pensar em seus projetos a partir da memória dos donos da residência e de suas histórias.
Para ela, não há nada melhor que ouvir um “a casa ficou a minha cara”.

Outro ponto a destacar é que a decoração afetiva vai além do uso de móveis e objetos antigos, vale também para a composição dos cômodos e disposição dos elementos visuais.
“Recentemente, projetei uma casa na qual os donos pediram um espaço que lembrasse o pátio da antiga casa da fazenda da família, onde à noite faziam uma grande roda com cadeiras de balanço para conversarem e contemplarem o céu estrelado. No projeto, tivemos esse cuidado em criar esse ambiente”, revela Ângela.
E para quem deseja incorporar, também, itens modernos, vale o equilíbrio, visto que o contraste do novo com o antigo pode ser bastante surpreendente.
É possível ter um ambiente limpo e contemporâneo e fazer uso do antigo de forma pontual, como se fosse um objeto de arte que por si só se justifica.
A proposta exige cuidado, mas pode resultar em lares com muita personalidade.
expresso.arq sobre artigo de Letícia Mouhamad


