Apartamento de luxo decorado: o que define um imóvel de alto padrão
Revestimentos nobres e naturais, acabamentos impecáveis, design autoral e obras de arte: esses são alguns dos elementos que costumam estar presentes na decoração de apartamentos de luxo – ou imóveis de alto padrão. Essa denominação, atribuída por incorporadoras e imobiliárias, se refere a empreendimentos normalmente localizados em bairros nobres das cidades, com infraestrutura de segurança e lazer, serviços agregados e, claro, um projeto arquitetônico feito sob medida.
“A arquitetura autoral, o cuidado com os detalhes e a coerência entre forma e função são diferenciais que atingem uma dimensão que vai além do morar – são espaços de experiência”, comenta o engenheiro Marcus Grigoletto, à frente da Dupllex, que compra, repagina e vende coberturas em São Paulo.
Para esse mercado, o investimento em um bom projeto é fundamental – afinal, é ele que assegura o sucesso da incorporação. “O mais importante é que a arquitetura traga identificação ao morador, algo que o torne único e inconfundível de maneira positiva”, afirma Paulo Henrique Rodrigues, diretor executivo da Stemmer Rodrigues – empresa que atua tanto na incorporação imobiliária quanto na criação de projetos de arquitetura e interiores.
Paulo reforça que a exclusividade também faz parte deste categoria de empreendimento. “A discrição é necessária para comunicar uma percepção de exclusividade. A elegância silenciosa, muitas vezes só percebida por alguns, deve ser a marca registrada do projeto”, completa.
Quem trabalha nesse segmento identifica, na prática, o valor de uma boa arquitetura. Os profissionais do Bloco Arquitetos, com sede em Brasília (DF), defendem, por exemplo, que o cuidado ao conceber os interiores de um apartamento ou até uma reforma garante diferencial do imóvel – mais do que os materiais utilizados. “A qualidade do projeto tem a ver com a forma como delimitamos seu espaço ou utilizamos a luz e a ventilação naturais, por exemplo. Para nós, a escolha dos acabamentos ou materiais deve ser consequência disso”, afirma o arquiteto Matheus Secco.
Para a arquiteta Fernanda Marques, autora de projetos de arquitetura e interiores de alto padrão no Brasil e no exterior, o mais importante na hora de desenvolver um novo trabalho é a capacidade de entender e endereçar a rotina dos proprietários. “Eu acho que o luxo é o cliente se reconhecer dentro de um projeto. Não adianta investir em materiais caríssimos e não criar um projeto que abrace essa dinâmica familiar”, declara.
Essa visão é compartilhada pela arquiteta Ingrid Stemmer, diretora de projetos na Stemmer Rodrigues. “Para nós, o luxo está mais associado à autenticidade, ao conforto real e à escolha consciente de materiais e soluções de qualidade do que à ideia de ostentação. Um apartamento de alto padrão pode conter elementos luxuosos, mas o verdadeiro valor está na coerência entre o espaço e quem o habita”, opina.
Não ficam de fora, porém, o apreço pelo design autoral e pela curadoria de arte – duas etapas fundamentais na criação de ambientes que ajudam a garantir a identidade dessas moradas.
A seguir, você confere cinco exemplos de apartamentos de luxo decorados, todos marcados pelo conforto, pela atenção aos detalhes e por uma seleção afinada de móveis e acessórios.
Curadoria de arte e acabamentos primorosos
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Quase todas as paredes deste apartamento de 230 m², em São Paulo, são revestidas de lâminas de madeira, capazes de proporcionar um clima intimista e caloroso, apesar da amplitude dos ambientes. Sob o olhar de Fernanda Marques, autora do projeto, a decoração descortina uma primorosa seleção de design, além de uma curadoria de arte com nomes emblemáticos da cena contemporânea. Em uma abordagem minimalista, Fernanda privilegia materiais tradicionais, como vidro, madeira e pedras, em estado próximo ao natural, presentes em móveis e acessórios. Quando os painéis deslizantes se fecham, o living se torna um espaço privado para a família, mas ao se abrirem, permitem que o estar funcione em conjunto com os demais ambientes.
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A bela reforma de um apartamento modernista
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Embora desenhado segundo os preceitos do movimento moderno brasileiro, este apartamento histórico em Brasília não apresentava a típica planta livre, mas uma profusão de ambientes compartimentados, dispostos em um layout antigo, com excesso de corredores e quartos de serviço. A proposta de mudança – conduzida pelo Bloco Arquitetos – começou, inevitavelmente, por otimizar a circulação, atualizando os espaços e usos, e foi além: para os moradores, anfitriões natos, a primeira sugestão foi aumentar a área social e integrar a cozinha (além de manter outra menor, junto à lavanderia, para apoiar o serviço). “Brasília é uma cidade do mundo, tem muita gente indo e vindo, carregando influências diversas. Não cabia pensar em soluções convencionais, sobretudo porque a cozinha é a alma da casa brasileira”, opina o arquiteto Daniel Mangabeira. As amplas esquadrias da fachada frontal e o cobogó nos fundos foram maximizados com a derrubada de paredes para configurar a ala social de 120 m². Assim, a claridade e a ventilação naturais poderiam atravessar a moradia de um lado ao outro, como pregavam os modernistas. Outro fator determinante na reforma foi o primoroso acervo de móveis, objetos, obras de arte e livros dos moradores – ele, um estudioso da cultura helênica. Estes foram acomodados na nova biblioteca, para a qual foi desenhada uma estante sob medida. Peças diversas em estilo e origem – apesar da presença notável de exemplares do séc. 18 e de outros com referência clássica – encontraram lugar previamente marcado, definido em reuniões e conversas sobre o design dos interiores.
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Arquitetura e design feito sob medida
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“Este apartamento tem geometria pouco convencional. Tiramos partido disso e conseguimos espaços harmônicos”, afirma Domingos Pascali, sócio de Sarkis Semerdjian no escritório Pascali Semerdjian – autor desta reforma. A planta de 376 m² foi reorganizada para acolher o estilo de vida da jovem família moradora, com área íntima generosa, sala de TV, sala de almoço e quarto de brinquedos. Na ala social, enormes panos de vidro exibem paisagismo repleto de folhagens e, ao fundo, o skyline da metrópole. “Aproveitamos as varandas para ter um jardim denso, mas que deixa a cidade aparecer, além de fazer o papel de cortinas”, comenta Pascali. Iluminação, aliás, foi tema de primeira importância. No living e no quarto do casal, por exemplo, eliminaram-se os pontos elétricos do teto. Quando a noite cai, luminárias de piso e parede entram em cena e propõem uma atmosfera de tranquilidade. “Os forros são limpos. Quase não temos luz direta. É nosso lugar de recarregar as baterias”, aponta Renato. Uma das exceções está na sala de jantar, onde pendentes de Bertjan Pot A causam forte impacto visual. Trazidos da Europa, os lustres viajaram ao lado de outros itens escolhidos pelo casal com a ajuda e curadoria dos arquitetos. A composição se completa com mobiliário de design autoral brasileiro e arte contemporânea. Tudo disposto em ambientes que tiveram a arquitetura pensada nos detalhes. “Esse projeto é um exemplo de como um resultado feliz é 50% mérito dos proprietários. Eles sempre estimularam nossa imaginação e a busca por soluções”, pondera Semerdjian.
Coleção de arte e escada escultural
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Este dúplex de 960 m² ganhou uma reforma conduzida pelas arquitetas Marina Cardoso de Almeida e Sarah Bonanno, do Tria Arquitetura, que incentivaram os proprietários – grandes apreciadores do estilo clássico – a adotar uma decoração contemporânea, de linhas limpas e aberta às cores e texturas. Na primeira visita, elas perceberam que seria necessário modificar o layout. “A suíte máster, no pavimento de baixo, ficava voltada para os prédios do bairro, enquanto do outro lado a vista é linda, dá para a marginal do Rio Pinheiros. Pareceu óbvio que precisávamos aproveitar esse visual.” Os aposentos dos moradores migraram para a cobertura, onde têm a companhia da área de lazer. A estratégia para aumentar o conforto ao receber familiares e amigos foi ampliar o terraço coberto em frente à piscina, de modo que ele comportasse espaço de refeições e um estar. E nem esse ambiente, meio externo, meio interno, foi deixado de lado na hora de pensar a disposição da vasta coleção de arte dos proprietários. “Propusemos reunir ali as obras de José Guimarães, que antes ficavam espalhadas”, lembra Marina. No andar de baixo, as curvas da nova escada suavizam a escalada dos degraus – afinal, há 5,20 m de diferença entre um piso e outro. O elemento sinuoso, que esconde sua alma metálica sob o acabamento, se junta a esculturas clássicas de mármore na ala social, contrapondo seu design surpreendente. No living, peças de Arthur Casas e Metro Arquitetos se tornaram vizinhas de itens com a grife da espanhola Patricia Urquiola em locais como a sala de jantar e o lounge de entrada.
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Confortável e sem excessos
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Desenvolvido pelo escritório Stemmer Rodrigues, este apartamento foi concebido como um refúgio para abrigar a trajetória dos moradores — seus objetos, suas referências e suas memórias. Como eles desejavam viver em ambientes confortáveis e bem resolvidos, os arquitetos apostaram em uma planta bem integrada que ainda assim permitiu a criação cantinhos mais intimistas. Na decoração, optaram por soluções sob medida, para evitar excessos e dialogar com a rotina dos moradores.
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expresso.arq com informações de Vanessa D’Amaro


