Calçadão de Copacabana: desde a origem portuguesa, ao paisagismo de Burle Marx

Um dos maiores símbolos cariocas, a calçada de Copacabana é um marco na deslumbrante paisagem do Rio de Janeiro.

O que nem todos sabem é que sua história (e desenho) precede a intervenção de Roberta Burle Marx, na década de 1970.

A origem do desenho é, assim como suas pedras, portuguesa.

Praça Dom Pedro IV, ou Rossio, em Lisboa. Koshelyev, CC BY-SA 3.0 , via Wikimedia Commons

O traçado tão característico da praia mais famosa do mundo é baseado no desenho criado pelo engenheiro Pinheiro Furtado, no início do século XIX, para o largo do Rossio de Lisboa (a Praça Dom Pedro IV, o Dom Pedro I no Brasil).

As ondas representam o encontro das águas do rio Tejo com o oceano Atlântico que acontecem na capital portuguesa e seu desenho foi batizado de “Mar Largo”.

Augusto Malta. Ressaca na praia do Leme, Rio de Janeiro. 1921 (Coleção Pedro Corrêa do Lago/Acervo IMS)
Augusto Malta. Ressaca na praia do Leme, Rio de Janeiro. 1921 (Coleção Pedro Corrêa do Lago/Acervo IMS)

No início do século passado, a fim de modernizar a capital da república e homenagear a herança cultural dos colonizadores, o então prefeito Pereira Passos inaugurou o calçamento na Avenida Atlântica em 1905.

As pedras foram importadas de Portugal – pois ainda não haviam sido descobertas jazidas de calcário para a extração do material em território nacional.

Motivo pelo qual as chamamos de “pedra portuguesa” – para formar o calçamento, que permite a composição em distintas cores, preta, branca e vermelha.

Para a sua instalação na orla carioca, foram necessários 36 calceteiros enviados pela Câmara Municipal de Lisboa ao Brasil.

Até hoje a prefeitura do Rio forma seus funcionários em curso ministrado por profissionais lisboetas para a manutenção dos calçadões da orla que se estende do Leme ao Pontal. 

Calçadas de Copacabana. Foto: MauMach75, CC BY-SA 4.0 , via Wikimedia Commons

Voltando para Copacabana, com o alargamento da Avenida Atlântica na década de 1970, foi executada uma reforma completa.

O paisagista Roberto Burle Marxfoi o responsável pela nova paginação do calçadão, o qual se tornou o “maior exemplo de obra de arte aplicada existente no mundo”, segundo seu tombamento no Instituto Estadual de Patrimônio Cultural.

Foi nesta intervenção que as ondas ganharam o sentido atual e deixaram de ser perpendiculares ao comprimento da calçada, se tornando paralelas ao mar.

Burle Marx também modificou o desenho original, ao alongar suas curvas e integrá-lo a um conjunto gráfico mais amplo – marcado pelo abstracionismo formal do autor –, que dialoga com o projeto paisagístico composto por árvores de grandes copas e palmeiras. Conformando, assim, um dos cenários turísticos mais emblemáticos do mundo.

expresso.arq com informações de INEPAC / O Globo

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