Bolsa sobe, dólar cai: o grande gatilho para o mercado brasileiro foi finalmente foi anunciado?
Os ministros da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), apresentaram, no último dia 30/03, os detalhes do novo arcabouço fiscal − regra que será encaminhada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso Nacional para substituir o teto de gastos.
O novo marco fiscal estabelece meta de trajetória de resultado primário para o governo federal até 2026, com banda de variação tolerável, aumento de despesas sempre abaixo das receitas em momentos de crescimento e mecanismos anticíclicos que garantem elevação de gastos em situações de crise.
Nos mercados, as primeiras reações estão mais para “boas” do que para “ruins”.
Por volta das 14h, o Ibovespa subia 1,46% aos 103.304 pontos, o dólar comercial caía 0,55%, para R$ 5,10, assim como os juros futuros.
Para analistas de mercado, o novo marco fiscal é uma carta de intenções positiva e ajuda a dar um norte para o mercado, ainda que algumas projeções que guiam o governo em busca da sustentabilidade da dívida sejam muito otimistas.
Por isso, esperam ainda mais detalhes, que podem determinar novos ganhos ou levar a um novo movimento de pressão.
“Em linhas gerais, a composição do arcabouço fiscal mostrou o interesse do governo em conciliar a responsabilidade fiscal com sua preocupação social, que deve ser entendida não só como gastos com programas sociais, mas também com a retomada dos investimentos públicos como motor de crescimento econômico”, aponta Matheus Pizzani, economista da CM Capital.
No entanto, as projeções de superávit mostradas pelo ministro da Fazenda foram consideradas otimistas – até exageradas – porque não levam em consideração a difícil conjuntura interna e externa.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, se diz cético com relação ao cumprimento das metas para o resultado primário (de 0% em 2024, superávit de 0,5% em 2025 e de 1% em 2026).
Embora Haddad tenha destacado o plano para melhorar a arrecadação do governo nos próximos anos, o problema do País, segundo Sung, é outro.
“O grande problema está do lado da qualidade das despesas, algo que não foi muito tratado na entrevista”, alertou.
expresso.arq sobre artigo de Mariana Segala


