Sistemas de Inteligência Artificial como DALL-E ou Midjourney podem realizar tarefas criativas?

Estamos testemunhando uma grande mudança no processo de geração de imagens.

O recente influxo e crescimento do aprendizado automático e da inteligência artificial levanta questões sobre a maneira como os processos criativos evoluem e se desenvolvem por meio da tecnologia.

Sistemas como DALL-E, DALL-E 2 e Midjourney são programas de IA (inteligência artificial) treinados para gerar imagens a partir de descrições de texto usando um conjunto de dados de texto-imagem.

O conjunto diversificado de recursos inclui a criação de versões antropomorfizadas de animais e objetos, combinando conceitos não relacionados de maneiras plausíveis e transformando imagens existentes.

DALL-E e sistemas similares são capazes de criar imagens plausíveis para uma grande variedade de frases que exploram a estrutura composicional da linguagem.

O DALL-E tem alguns recursos semelhantes aos usados no processo de renderização 3D, mas a diferença está na natureza dos comandos iniciais.

Para a renderização 3D, o comando inicial deve ser especificado em detalhes completos, enquanto DALL-E geralmente é capaz de “preencher os espaços em branco”.

Ele também pode controlar independentemente os atributos de um pequeno número de objetos.

Estes são os quatro resultados iniciais gerados pelos bots Midjourney com base no prompt: “/imagine Um restaurante McDonald’s contemporâneo e sustentável feito de vidro com arcos dourados refletindo em um lago”. Imagem © Leilah Stone / Midjourney AI via Metropolis

Um dos recursos mais interessantes é a capacidade de combinar conceitos não relacionados e isso pode ter implicações para os campos da arquitetura e do design.

Os modelos generativos de IA incentivam os arquitetos e designers a explorar um maior número de possibilidades a partir de uma nova perspectiva, pois diminuem o tempo entre a intenção e a execução.

Eles oferecem uma maneira acessível de brincar com dados e gerar variações criativas para as soluções dos problemas.

Alguns pesquisadores estão chamando isso de “serendipidade artificial”, sistemas que maximizam a oportunidade de serendipidade, abrindo o leque das capacidades criativas para além dos métodos clássicos.

Os arquitetos já estão experimentando essas ferramentas para explorar questões complexas como o planejamento urbano e as possibilidades dos espaços existentes.

Outros estão combinando palavras-chave arquitetônicas com clichês de design contemporâneo, referências à cultura pop e vários estilos de arte para projetar edifícios ou simplesmente explorar a natureza das tendências de design e tecnologia.

A Canal Street é convertida de uma rua de automóveis para uma rua pedonal usando IA. Imagem© Google / Better Streets AI

Embora esses modelos tenham limitações, o campo está evoluindo em um ritmo sem precedentes.

Recentemente, a Apple lançou Gaudi, um “arquiteto neural” que leva esse processo um passo adiante, criando cenas 3D a partir de comandos de texto como “suba as escadas” ou “passe pelo corredor”.

É difícil prever onde essas tecnologias nos levarão, mas seu impacto já pode ser sentido.

Nos campos da arquitetura e do design, elas podem ser entendidas como ferramentas poderosas para explorar, otimizar e testar ideias criativas muito rapidamente.

expresso.arq sobre artigo de  Maria-Cristina Florian | Traduzido porCamilla Ghisleni

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