Esportes e cultura urbana nas Olimpíadas de Tóquio 2021

Depois do atraso de um ano devido à pandemia de Covid-19, as Olimpíadas de Tóquio foram iniciadas na penúltima semana do mês de Julho.

Nesta edição três novas modalidades estreiam na maior competição do mundo: o basquete 3×3, o surfe e o skate.

Trazendo medalhas para países como Japão, Estados Unidos, Brasil, Austrália, Rússia, Sérvia, China e Letônia, e envolvendo mais um grande número de atletas e nações, esses esportes carregam a cultura urbana em seus movimentos e histórias e são parte importante das relações na cidade.

Se por um lado o surfe tem suas origens na região do Havaí e da Polinésia, onde o esporte era praticado por diversas classes sociais e por homens e mulheres, por outro, seu espalhamento pelo mundo durante o século XX, após a colonização e um período de proibição, foram fundamentais para a cultura popular e baby boomer dos anos 1960. 

Clube de Salva-vidas na praia de Bondi / Durbach Block Jaggers + Peter Colquhoun. Image Cortesia de Durbach Block Jaggers

Essa cultura do surfe se equipou com elementos estéticos que dialogam com essa identidade, como é possível ver nos projetos selecionados neste artigo.

Além disso, o surfe também influenciou o surgimento de outro esporte estreante do meio olímpico, o skate.

Partindo de uma adaptação dos crate scooters, uma espécie de patinete de madeira com caixas, o skate aproveitou a popularização do surfe nos Estados Unidos durante os anos 1960 para potencializar o esporte como um “surfe urbano”, praticando-o nas movimentadas ruas da orla da praia.

Allan Mesquita Skatepark / SPOT. Image © Felipe Araújo

O esporte foi se desenvolvendo e se separando em duas linhas principais: o vert, que é o skate praticado dentro dos half pipes com manobras aéreas e que tem sua origem nas práticas dentro de piscinas vazias pela Califórnia; e o street, a prática que combina manobras performadas em um ambiente urbano, com escadas, corrimões, bordas e outros obstáculos.

Com o passar dos tempos e a popularização do esporte, enquanto o vert se tornou um esporte monetizado em jogos oficiais, a prática do skate street encontrou desafios no convívio urbano, sendo muitas vezes tratado como sinônimo de vandalismo.

Allan Mesquita Skatepark / SPOT. Image © Vinícius Perrone

Um exemplo disso é a experiência da cidade de São Paulo, onde o skate foi proibido pela prefeitura em 1988 por conflitos entre os skatistas e a elite paulistana, e só foi retomado como prática liberada em 1990 com a troca da gestão municipal.

Assim como em outros lugares pelo mundo, o skate foi marginalizado, se tornando um movimento de resistência urbana na disputa pelo uso dos espaços, na qual de um lado temos uma elite conservadora e do outro, grupos que lutam por cidades mais acessíveis e democráticas.

Desde então, os skateparks se tornaram uma importante infraestrutura urbana, apesar da prática do esporte não se restringir a eles. 

Skate Plaza Carballo / Óscar Pedrós. Image © Óscar Pedrós

Nessa mesma perspectiva de marginalização de esportes e de disputa pela cidade, o basquete 3×3 aparece como um importante esporte urbano de resistência.

 Conhecido como o esporte urbano mais praticado do mundo, o basquete 3×3 deriva do basquete convencional jogado em quadra, mas com adaptações para ser jogado nas quadras ao ar livre, muito comuns nos bairros periféricos dos Estados Unidos.

Pavilhão Spark / ATMOperation. Image © ACF

As experiências desses esportes mostram a importância das cidades envolverem as infraestruturas esportivas em seu tecido urbano, não somente pelos benefícios da prática esportiva para a saúde, mas também como espaços que permitem encontros, trocas e o desenvolvimento de culturas e diálogos necessários dentro da sociedade.

Expresso.arq sobre artigo de Giovana Martino

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