Cortinas: quais são as tendências e apostas para 2024

Solução para o equilíbrio entre estética e bem-estar, as cortinas estão se destacando novamente como uma forte tendência na decoração de interiores. Segundo a WGSN, líder global em previsões de consumo, essas peças estão recuperando seu protagonismo por propiciar conforto térmico ao mesmo tempo que tornam os ambientes mais atrativos e belos.

“Observamos uma revolução na forma como percebemos as tradicionais cortinas. Elas não se limitam apenas a controlar a luminosidade, delimitar espaços e oferecer uma estética atraente, mas assumem um papel crucial na busca por eficiência energética e conforto térmico”, diz Clarissa Araujo, da Rollox Home Decor.

A decoração de interiores na pandemia

Para a arquiteta Isabella Nalon, o período pandêmico foi decisivo para a área da decoração de interiores. Se antes da quarentena as questões que determinavam a compra de certo item eram a estética, a função e o valor de investimento, outros fatores passaram a pesar na escolha dos consumidores. Em relação ao uso de cortinas, a profissional mencionou que houve uma redução significativa, principalmente devido à complexidade envolvida em sua manutenção.

“Todo mundo arrancou o que dava trabalho e podia juntar pó, pois fazer manutenção em cortinas é complicado. No caso de um modelo de seda, linho ou tecidos naturais, você precisa de uma lavanderia especializada. Mesmo que você tenha uma cortina de tecido sintético, a lavagem na máquina é trabalhosa. A preferência era por trabalhar com itens de fácil manutenção, como as telas solares e os rolôs”, afirma Isabella.

Já ao final da pandemia, a demanda dos consumidores era por uma sensação de amparo, que foi encontrada na implementação das cortinas. Assim, essas peças ressurgiram não apenas como um objeto de status, mas também de aconchego, voltando a protagonizar a decoração de interiores.

Cortinas transparentes deixam o ambiente leve e relexante. Projeto do arquiteto Rafael Ramos — Foto: Juliano Colodeti / Divulgação
Cortinas transparentes deixam o ambiente leve e relexante. Projeto do arquiteto Rafael Ramos — Foto: Juliano Colodeti / Divulgação

Funcionalidade

Atualmente, o consumidor tem uma visão múltipla das cortinas e busca por praticidade e funcionalidade. Uma boa opção é o tecido sintético, por exemplo, que pode ser lavado na máquina e têm um custo de investimento mais baixo.

Tatiana Hoffmann, gerente de produtos da Bella Janela, explicou que os clientes têm muito mais conhecimento acerca das diferentes serventias das cortinas em comparação a períodos anteriores. “Anos atrás, a pessoa comprava o que achava bonito, mas nem sempre a cortina escolhida atendia à necessidade dela. Hoje, os consumidores já estão mais preparados”, afirmou a profissional.

Sustentabilidade

Outro tema que tem crescido no mercado de cortinas é a sustentabilidade. “Ao mesmo tempo que a gente usa sintéticos, pela praticidade de limpeza e baixo investimento, quem quer um material natural, está procurando por tecidos sustentáveis, pesquisando sobre suas origens e história”, conta Isabella.

Entretanto, esses tecidos têm um custo maior em relação aos materiais tradicionais, o que impede sua popularização. “Existe interesse por parte dos clientes, mas, infelizmente, o valor desse tipo de cortina ainda é muito alto”, declara Tatiana.

As persianas permitem o controle da intensidade de luz. Projeto dos arquitetos Diego Raposo e Manuela Simas, do escritório Diego Raposo + Arquitetos. Persiana de madeira freijó da Voitena Cortinas — Foto: Bia Nauiack / Divulgação
As persianas permitem o controle da intensidade de luz. Projeto dos arquitetos Diego Raposo e Manuela Simas, do escritório Diego Raposo + Arquitetos. Persiana de madeira freijó da Voitena Cortinas — Foto: Bia Nauiack / Divulgação

Cores e texturas

Já em relação às cores das cortinas, Isabella conta que tons neutros seguem sendo a primeira opção da maioria das pessoas, pela sua fácil adaptação a qualquer tipo de decoração, proporcionando uma maior liberdade na escolha dos outros itens do ambiente. No que se refere às texturas e aos desenhos, entretanto, a arquiteta nota uma tendência de diferentes misturas, deixando a neutralidade em segundo plano.

Além disso, as cortinas podem mudar completamente a leitura visual do ambiente. Uma cortina leve, transparente e esvoaçante, confere um ar bucólico, relaxante e romântico. Já uma de veludo, mais pesada, traz seriedade e elegância, com um toque mais clássico.

Por outro lado, uma cortina estampada e colorida, transmite movimento e textura. “Aquilo que você escolhe impacta o psicológico. É importante ter uma noção bem clara de qual história aquele ambiente contará, para que as cortinas estejam consoantes ao tema e conceito do projeto”, diz Isabella.

Conforme a arquiteta Danyela Correa, as cortinas são um grande fator enriquecedor do ambiente. Além de agregarem estética ao cômodo, essas peças permitem uma maior privacidade e conforto, principalmente para os moradores de cidades grandes.

“As cortinas são como uma continuação das paredes. Elas enriquecem e deixam o ambiente mais atrativo, além de ajudar a emoldurar as janelas”, explica Danyela. “A intimidade, o conforto acústico e o controle da intensidade da luz são grandes atrativos dessas peças. Quem mora em grandes cidades, principalmente, não tem mais privacidade, e essas peças permitem que a pessoa regule o quanto ver e o quanto mostrar”, complementa.

Conforto térmico e acústico

Os benefícios proporcionados pelo uso de cortinas não param por aí. Esses itens contribuem, também, com o conforto térmico em dias frios e com a proteção do mobiliário em dias de sol.

“No inverno elas reduzem o frio, e no verão, ajudam a proteger os móveis, tecidos e pisos. Por isso, é importante trabalhar com tecidos resistentes ao sol, como os sintéticos. No caso dos naturais, um forro sintético ou elementos de arquitetura como películas no vidro, que filtrem os raios solares, fazem a diferença”, esclarece Isabella.

“A cortina também tem uma função de proteção acústica, então, quanto mais grosso o tecido, maior a minimização dos ruídos externos”, explica.

As cortinas ajudam a proteger o mobiliário contra os raios solares e a manter uma temperatura agradável no ambiente. Projeto do arquiteto Rafael Ramos — Foto: Anita Soares / Divulgação | Produção: Studio Jefferson Stunner
As cortinas ajudam a proteger o mobiliário contra os raios solares e a manter uma temperatura agradável no ambiente. Projeto do arquiteto Rafael Ramos — Foto: Anita Soares / Divulgação | Produção: Studio Jefferson Stunner

Como escolher uma cortina?

A instalação de cortinas deve ser feita com muita atenção. Caso pessoas com crises alérgicas, como rinite e asma, frequentem o ambiente, não é recomendado o uso de cortinas de tecido. Para não ocasionar uma piora do quadro de saúde, a melhor opção são os rolôs e outros materiais de fácil manutenção.

Além disso, antes de comprar uma cortina, é necessário analisar o espaço disponível para a fixação da peça, explica Isabella. Em seguida, é preciso decidir qual será a função da cortina para poder escolher o tecido – natural, sintético ou sustentável – que melhor atenda a sua necessidade. Ao efetuar a compra, também é essencial se atentar ao nível de manutenção da peça.

A arquiteta afirma que cortinas longas, ou seja, que encostam no chão, dão um caimento melhor ao cômodo. “Indo até o chão, as cortinas passam a sensação de um pé-direito mais alto. Já uma peça de tecido curto confere a impressão de que o ambiente é mais achatado e baixo”, informa Isabella.

“Assim, se você for encomendar cortinas de tecido, é importante fazê-las até o chão e evitar as curtas. Se você não tem a opção de usar uma longa, opte por persianas, rolô ou silhouette”, finaliza.

expresso.arq com informações de Por Lorena Corona, com Alex Alcantara

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