Como Paris pode se tornar uma cidade-esponja até 2050
Uma cidade-esponja — é isso que Paris poderá se tornar até 2050. Uma metrópole capaz de absorver o excesso de água e liberá-la como frescor quando o verão chegar. Mas por que essas mudanças?
A cidade de Paris é atualmente até 75% impermeável, o que significa que, em caso de chuvas fortes, que a França deverá experimentar com mais frequência, a água residual que sobrecarrega o sistema de drenagem parisiense se junta ao sistema de esgoto da capital e é despejada no Sena. Isso não é nada tranquilizador, especialmente considerando que algumas áreas do rio foram recentemente reabertas para banho, e seus frequentadores certamente gostariam que isso continuasse. Então, você provavelmente está se perguntando: “Mas o que isso tem a ver com uma esponja?”
E a resposta é bem simples. O concreto não absorve água, isso é óbvio. No entanto, o solo e a vegetação absorvem. É aí que entra a tal esponja, porque tornar o solo da capital mais permeável poderia, a longo prazo, resolver parte do problema. Esse é o objetivo do plano “Parispluie” (Chuva de Paris).
Adaptando-se para responder melhor
Este plano de ação foi implementado pela primeira vez em 2018 pela cidade de Paris. “Queremos reverter a situação, tornando a cidade uma esponja em pelo menos 55% do seu território até 2050”, explicou Antoine Guillou, vice-prefeito de Paris, Anne Hidalgo, e responsável pela limpeza e saneamento dos espaços públicos.
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De acordo com a Coordenação EAU Île-de-France, os objetivos iniciais do plano incluíam “tornar a água da chuva um recurso valioso o mais próximo possível de onde cai”, “restaurar o ciclo natural da água”, “promover o desenvolvimento de ilhas de calor urbanas através de solos mais permeáveis e aumento da vegetação”, bem como “limitar os despejos no sistema de esgoto” e prevenir “o risco de transbordamentos e poluição do Sena”. Um programa bastante ambicioso.
Para começar, a cidade de Paris concentrou-se em duas áreas principais: “a modernização da rede de esgoto, iniciada em 1990, que reduziu em dez vezes o escoamento de águas pluviais” e “a redução do volume de água enviado para a rede de esgoto, promovendo a infiltração, a evapotranspiração e a captação de água da chuva no local”, segundo a Coordenação EAU Île-de-France.
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Levou tempo, mas atualmente 26% do território parisiense foi despavimentado, com a substituição de concreto e outros pavimentos por terra nua, e a meta foi elevada para 40% do território até 2050 — uma boa notícia em tempos difíceis.
Tudo isso começou com a reintrodução de espaços verdes, telhados verdes, jardins e outras “zonas de amortecimento” que promovem a absorção e a evaporação da água, além de áreas inundáveis destinadas a acomodar o excesso de água e sistemas de recuperação de água para que ela possa ser usada para diversos fins — limpeza, irrigação, etc.
Um conceito comprovado
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Este princípio de absorção de água em espaços urbanos, conhecido como cidades-esponja, já existe em diversas grandes cidades ao redor do mundo como Singapura, onde quase 50% da superfície é coberta por vegetação. Foi teorizado e implementado na década de 2000 pelo arquiteto chinês Kongjian Yu (1963-2025), que faleceu tragicamente em um acidente de avião no Brasil, como uma estratégia para a resiliência urbana em sociedades fragilizadas pelas mudanças climáticas.
Em Paris, a prefeitura experimentou o conceito no bairro de Butte-aux-Cailles, no sudeste da cidade, utilizando áreas com jardineiras abertas conectadas a calhas para permitir que a água da chuva escorra na base da vegetação e “se reintegre naturalmente ao ciclo da água”, segundo Cyril Doizelet, engenheiro de gestão de águas pluviais da Prefeitura de Paris. Segundo ele, isso significaria que quase “700 m² de calçadas e ruas cuja água da chuva” seriam “gerenciadas na fonte, ou seja, aproximadamente 430 m² de água da chuva não despejadas no sistema de esgoto a cada ano”. Uma resolução impressionante.
expresso.arq com informações de Indie Marty


